Especial Ilhas da Tailândia: Koh Tao e Koh Nang Yuan

Você sabe que um país é bonito quando a autoridade máxima – o Rei – tem uma de suas fotos oficiais portando uma… câmera! Vá se acostumando, a Tailândia é linda demais!

E Koh Tao não é diferente.

Essa ilhota no Golfo da Tailândia é simplesmente a capital mundial do mergulho. A cor do mar é ideal, os preços dos cursos de mergulho são baratos, e cada vez mais gente é atraída a esse belo lugar.

Optamos por não mergulhar a sério, então ficamos só nos pulinhos na água mesmo, que com essa paisagem, já era mais que o suficiente pra nós.

Chegamos lá vindos de Koh Pha Ngan, numa rápida viagem de barco a 300 baht (~U$9) por pessoa. Mais uma vez não reservamos hotel e deixamos pra escolher lá na hora. A primeira vista a oferta de quartos baratos era pequena, mas por fim encontramos um bom lugar também a 300 baht. Infelizmente não lembro o nome do estabelecimento, o que podemos dizer é: mesmo se o lugar se chamar “resort”, não se intimide e pergunte o preço, pois geralmente também têm a disposição quartos com banheiro compartilhado, e por isso, bem mais em conta.

E lá vamos nós passear pela ilha…

Apesar de ser um destino famoso por mergulho, a praia principal de Koh Tao decepciona um pouco. Na paisagem, um coqueiro torto que quase não acreditamos quando vimos. Iríamos morrer achando que o coqueiro da Praia de Aventureio era o único torto do mundo…

Ainda sobre Koh Tao… o por-do-sol é encantador:

O povo tailandês tem uma verdadeira adoração por seu rei, e conforme vamos “subindo” pelo país, vamos notando a devoção. Em Koh Tao os símbolos são bem presentes.

Como só tínhamos mais um dia na ilha, na manhã seguinte deixamos Koh Tao para trás e fomos fazer um rápido passeio de barco até a ilha vizinha, Koh Nang Yuan. É só chegar na praia que existem vários barqueiros oferecendo o transfer. Só é possível reservar a ida e a volta, nada de ir lá e sair quando quiser: tem que marcar hora. Isso porque Koh Nang Yuan é praticamente uma praia privativa, que pertence a um resort com rígidas regras de entrada. O jeito é pagar o barqueiro e confiar que ele vá voltar na hora combinada. Como sempre, na Tailândia é tudo na base da confiança. E nunca ninguém decepciona.

Koh Nnang Yuan é realmente bem próxima de Koh Tao, em poucos minutos chegamos.

Logo na entrada há uma bilheteria, e cobram uma taxinha chata de 100 baht (~U$3) por pessoa, mas que compensa pela conservação da área. Acredite, você está prestes a entrar em uma das praiais mais bonitas do mundo…

É difícil acreditar o quanto um pequena distância entre uma ilha e outra pode influenciar tanto assim. Saímos da “sem graça” Koh Tao para a quase perfeita Konh Nang Yuan!

E vamos ver peixinhos…

Nessa brincadeira, nem nossa câmera resistiu a um mergulho. A bolsa à prova d’água rompeu e fez com que a água afogasse nossa máquina de vez…

O jeito foi tentar – inutilmente – capturar a beleza da ilha com o celular. Mas duvido que até a mais potente das câmeras fotográficas conseguiria…

Um morrinho nas proximidades permite, através de uma trilha, alcançar uma boa altura perfeita para fotos panorâmicas da ilha. A beleza vista lá de cima, com a faixa de areia bem delineada em contraste com todos os tons de verde-azul do mar é algo de tirar o fôlego.

A despedida é mais do que melancólica – tanto da ilha quanto da recém-quebrada câmera. Koh Tao e Koh Nang Yuan também marcam o fim da fase de “ilhas” na viagem pela Tailândia.

Agora seguiremos de volta para o continente, onde enfim conheceremos Bangkok, a capital desse belo país!

Especial Ilhas da Tailândia: Koh Pha Ngan

Saimos do sossego de Koh Samui rumo ao agito de Koh Pha Ngan, ilha da festa de lua cheia mais famosa do mundo: a Full Moon Party! Mas não, não estávamos indo na data da celebração…

Se você nos acompanha por algum tempo, já sabe que não somos lá tão festeiros assim. Depois daquela festa em Koh Phi Phi, já estávamos meio traumatizados e só queríamos paz. A questão é que precisávamos seguir em frente pelas ilhas, e para chegar em Koh Tao, nosso último destino insular na Tailândia, precisávamos passar por Koh Phanghan. Era o “meio do caminho”.

Fomos seguindo de barco sem a menor noção de nada. Num raríssimo lapso de planejamento, não sabíamos ainda se a ilha era barata ou cara, feia ou bonita, grande ou pequena. Abrimos o Lonely Planet e outros guias no computador e logo fomos descobrindo que além da Full Moon Party, também existem várias outras festas na ilha: festa da lua minguante, lua nova, meia lua, etc, etc… Ou seja, ao que tudo indicava nossa estadia seria um inferno.

Ao menos a visão do barco era convidativa…

A chegada é meio cáotica. Nunca vimos tantos touts na vida, uma galera com plaquinhas na mão de hotéis oferecendo quartos aos gritos, puxando, agarrando. Conseguimos nos desvencilhar e seguimos a pé até Leela Beach, onde segundo o guia encontraríamos bungalows baratos, longe do barulho mais ainda assim perto da praia e do centrinho.

No caminho, tudo lembra ou faz menção ao caráter festivo da ilha. Mas, ainda assim, o lugar transparecia uma surpreendente aura de tranquilidade.

Após uma subida íngreme que terminava em um descidão, chegamos na Leela Beach. Que maravilha, não é que o lugar era super agradável?

O “Leela Resort”, bem chique, estendia-se por boa parte da praia, e lá pelo meio uma série de bungalows começava. Era o “Leela Bungalows”… quanta originalidade!

Fomos perguntar o preço temendo desde já a facada, mas para nossa surpresa a recepcionista (um ladyboy gigante e mais forte que eu!) anunciou uma promoção de baixa temporada que nos garantiu uma estadia por 300 baht (~U$9!), em frente à praia! Sem dúvida era a melhor localização pelo melhor preço da viagem!

Como (quase) tudo nas ilhas da Tailândia, o lugar era bem simples também. Estávamos em frente à praia, mas não tínhamos muito luxo.

Mas era mais do que o suficiente para relaxar na bela praia que nos fazia companhia e já planejar nosso passeio pela ilha!

Leela Beach agrada os olhos, mas por ser bem rasinha acaba não favorecendo bons mergulhos. Decidimos ir andando para a praia Haad Rin, onde o agito acontece nos dias de festa.

Sim, aquele era um dia de festa – aquelas alternativas, que precedem a principal. Mas tivemos a grata surpresa de perceber que essas festas não fazem sucesso algum… Ao contrário do que acontece durante a Full Moon Party, fora da temporada Koh Phangan é a ilha mais sossegada do mundo!

Dá pra imaginar que essa mesmíssima praia já viu as coisas mais loucas de todas?

O jeito é curtir o dia passar, curtindo o por-do-sol entre vira-latas vadios e barcos à deriva, com uma praia praticamente só nossa.

Aliás, por falar em por-do-sol, Koh Phangan ainda nos daria outros ainda mais bonitos. Porque ao invés de apenas passar a noite, acabamos ficando mais dois dias além do planejado.

Ainda na primeira noite, descobrimos que Koh Phangan tinha uma feirinha noturna também! O problema é que a ilha é bem grandinha (não tanto comparada à Koh Samui, mas…) e precisáriamos de uma moto para chegar ao local.

Cedi aos meus instintos motoqueiros e acabei convencendo a Carol a alugarmos uma moto. A decisão, como todas as que tomamos de supetão, não foi das melhores. Se guiar pelas estradinhas da ilha era um desafio, mas pior ainda era encarar as subidas super íngremes, com inclinações que contrariavam as leis da física.

Pela primeira vez experimentamos a estranha sensação de ir escorregando pra frente do banco da moto (!) enquanto descíamos a ladeira, tamanho o declive. Mais tarde viríamos a saber que aquela é uma das estradas mais perigosas das ilhas tailandesas, com um alto número de acidentes e mortes entre estrangeiros. Sabe-se lá Deus como chegamos vivos na feirinha, que pra nossa tristeza era bem sem graça e estava em clima de fim de festa – justo em Koh Phangan, que ironia!

Comemos alguma coisa e tratamos de voltar. Nesse momento, Carol implorava para passar a noite em qualquer outro lugar por ali mesmo, na rua que fosse, mas subir e descer aquela estrada medonha de novo, de jeito nenhum! Mas a região era um centro comercial da ilha, bem local mesmo, sem nenhum hotel por perto. Preferimos voltar – uma hora ou outra teríamos que fazer isso mesmo, e pelo menos de noite não tínhamos trânsito.

Mais uma longa e tenebrosa meia-hora se passou. A sensação era de pilotar um cavalinho de carrossel por cima de uma montanha russa. Meio mal do estômago, mas chegamos vivos em “casa” novamente.

Recuperados do susto da noite anterior, fomos andar mais um pouco pela ilha. Apesar das características únicas de paisagem de cada uma delas, as ilhas da Tailândia são meio repetitivas entre si no que se refere à estrutura. Não que isso seja ruim: é a garantia que você sempre vai ter uma guesthouse por perto, serviços de massagem, agência de viagens de barco, e os onipresentes 7-Eleven, nosso mercadinho favorito que sempre têm lanchinhos baratos disponíveis.

E por falar em lanchinhos, acabamos encontrando um restaurante de família que servia um delicioso fried noodles. Devoramos todos os dias!

Apesar do susto do outro dia, vimos que a moto era realmente uma necessidade para se locomover na ilha. Achamos conveniente alugar uma de novo, mas dessa vez seguiríamos somente pelas praias mais próximas (e sem tantas ladeiras pelo caminho!)

Efoi assim que encontramos a simpática praia de Ao Hin Lor.

Hoteizinhos com piscina por perto (e baratos!), clima tranquilo… Cada vez mais não acreditávamos de como aquela ilha, tão mal falada pelas suas festas, era também um recanto bucólico de paz e tranquilidade!

O caminho dali em diante é perfeito para seguir a pé. Há sempre uma praia nova no caminho, separada por algumas pedras entre uma e outra.

Para nossa completa e total surpresa, Koh Phangan entrou pra nossa listinha de “Melhores Lugares para Relaxar”. Inacreditável.

Goste você ou não de festas, quando for visitar essa ilha especial não deixe de aproveitar suas outras facetas. Você vai encontrar um lugar maravilhoso, que pode até não ter as praias mais perfeitas de toda a Tailândia, mas certamente tem um dos mais fascinantes por-do-sol!

Especial Ilhas da Tailândia: Koh Samui

Chegamos a um momento importante da nossa viagem entre as ilhas da Tailândia: Saímos do lado Oeste do país, banhado pelo Mar de Andaman, rumo ao lado Leste, banhado pelo Golfo da Tailândia.

Para isso, cruzamos o país na horizontal em sua pequena porção ao sul. Saindo de Koh Phi Phi rumo à Koh Samui, a brincadeira nos custou 600 baht (~U$20) por pessoa, e é uma daquelas típicas viagens que trocamos de vários meios de transporte (barco, van, ônibus, songthaew, outro barco…), confiando nas pessoas que vão nos levando pra lá e pra cá de acordo com a cor do adesivo que temos colados com a gente, distribuídos pela agência de viagem.

Como sempre, vamos com medo acreditando que algo vai dar errado, que seremos extorquidos, roubados, que vão nos enganar ou não cumprir com o prometido. E como sempre, tudo dá certo no final, nos deixam do lugar combinado, sãos e salvos. É difícil confiar no método tailandês de transfer turístico, mas o danado sempre funciona. Sempre.

Saímos do porto e fomos direto para a praia de Chaweng, a praia principal de Koh Samui. E demos a sorte de chegar bem no dia da feirinha noturna, que tinha de tudo, até churrasquinho de crocodilo! Isso que é boas-vindas!

Koh Samui não é exatamente o lugar mais barato da Tailândia, longe disso. A ilha tem uma tradição com os resorts, que tomam boa parte de seu território. É um lugar que atrai um público mais maduro, então é natural que os preços sejam bem mais elevados. Por sorte encontramos o Embassy Lakeview, uma guesthouse localizada relativamente próxima da praia (e em frente à um laguinho bem sem-vergonha). O dono é o Luigi, um italiano bon vivant que não faz muita questão de estar presente para atender os hóspedes (!), mas ao menos faz um preço camarada: 415 baht (~U$13) reservando pela internet, e depois uns 350 baht (~U$11) negociando pessoalmente. O ventilador do quarto não dá vazão ao clima super quente, mas a gente encara mesmo assim.

O dia começa bem ensolarado, perfeito para explorar a praia de Chaweng.

A praia é bem bonitinha e surpreendentemente reservada. Ótima para descansar dos dias agitados na super povoada Koh Phi Phi.

Pausa para o fried ricefried noodle de cada dia:

Algo que nos surpreendeu desde o momento da chegada é que Koh Samui é bem grande para os padrões das ilhas da Tailândia. As distâncias são grandes e usar moto para se locomover por aqui é uma necessidade.

Alugamos a nossa por 150 baht (~U$5) e vamos explorar um pouco mais das praias mais afastadas. Buscávamos pela praia de Lamai, talvez a segunda praia mais famosa da ilha depois de Chaweng. Acabamos nos enveredando por um beco e chegamos à uma simpática e pequena praia.

De tão rasa, era impossível mergulhar, mas era o cenário perfeito que precisávamos para tirar um cochilo. Não é todo dia que se encontra uma praia tailandesa deserta e com sombra!

Um pouco mais a frente chegamos, enfim, a Lamai. Pareceu-nos bem menos desenvolvida que Chaweng, pra quem busca mais tranquilidade ainda. E a qualidade da praia em si também era melhor, mais funda e com uma quantidade normal de ondas, do jeito que gostamos.

Koh Samui é repleta de resorts, alguns até bem acessíveis, para a alegria de russos e chineses que invadem a ilha em busca de luxo a um excelente custo-benefício. O lado ruim é que essa quatidade exagerada de resorts às vezes esconde verdadeiras preciosidades.

Ainda de moto, tomamos coragem de estacioná-la perto de um resort e entramos em busca do acesso à praia. Foi a melhor decisão que tomamos!

Não fazemos ideia de qual é o nome da praia (e nem do resort!), mas garantimos que é uma das praias mais perfeitas que estivemos. Nem tão quente nem tão fria, super transparente, areia macia, profundidade média, ondas na medida certa… Era a “praia nas condições ideias de temperatura e pressão”!

Até hoje não nos perdoamos por não ter procurado saber o nome daquela praia, ou ao menos ter anotado o nome do resort.

Pegamos a motoca novamente e fomos de volta pra “casa”, curtir um pouco mais da outra praia – bem mais cheia. À noite, uma saidinha pelas ruas revela uma Koh Samui com muito mais a oferecer do que só praias: existem por lá excelentes ateliês e lojas onde artistas fazem verdadeiras obras de arte com uma qualidade incrível a preços módicos. Vale a pena conferir. Como é comum em toda a Tailândia, também há estabelecimentos vendendo roupas de praia bem bonitas e baratas também.

Não esperávamos absolutamente nada de Koh Samui – na verdade, nossa parada por lá era “apenas” para poder seguir mais facilmente de barco para as outras ilhas seguintes. E talvez justamente por isso nossas impressões foram as melhores possíveis.

Quem diríamos, acabamos nos apaixonando mesmo por aquela ilha turistona cheia de resorts. Dá até pra planejar se hospedar em um deles daqui a uns 20 ou 30 anos🙂

Especial Ilhas da Tailândia: Bamboo Island

Bamboo Island definitivamente entrou para nossa listinha seleta de “Melhores Praias do Mundo”, apesar do pouquíssimo tempo que tivemos para desfrutá-la.

Fechamos um passeio saindo de Koh Phi Phi pra lá por 500 baht (~U$15), mais uma taxinha de conservação de 100 baht (~U$3). Infelizmente saímos por volta do meio-dia, e como o caminho é longo até lá, a melhor opção mesmo era ter saído mais cedo.

É a milionésima vez que falamos isso, mas não cansamos: A Tailândia é um país MUITO BONITO, mesmo. Pelo caminho, o azul do mar e as ilhotas vão preenchendo a paisagem com uma beleza sem igual.

Algumas horinhas depois, enfim chegamos! Forneceram um caiaque pra gente, que é a melhor e mais divertida maneira de alcançar a faixa de areia. Mas a água é tão bonita que é impossível resistir a um mergulho no meio do trajeto.

Bamboo Island tem uma beleza daquelas indescritíveis, que beiram o inacreditável. Como pode um só lugar reunir tanta coisa bela por tão pouco metro quadrado?

A Tailândia é repleta de ilhas paradisíacas, mas Bamboo tem algo especial, não sabemos o quê. Talvez a proibição de passar a noite por lá deixe-a mais conservada, sem infraestrutura turística nenhuma a não ser os barcos chegando.

O tempo vai passando correndo e ficamos cada vez mais aborrecidos com o tempo que nos liberaram para explorar a ilha antes de voltar pro barco. Uma hora e meia não é nada para esse lugar! O jeito é curtir correndo, dando mergulhos e tirando fotos sem parar!

O relógio é implacável, e nossa admiração por aquele paraíso é tão grande quanto nossa frustração em ter que deixá-lo tão rapidamente.

Para nosso desespero, o barco começa a apitar e temos que deixar a ilha. O passeio não acaba por aí e ainda nos leva para mergulhar numa improvável área “infestada por tubarões filhotes”, como enfatiza o guia. Que nada!

Apesar do receio inicial, nós e mais um bando de bobões mergulhamos em busca dos tais bichos. Até recomendações de como agir em caso de ataque nos são passadas, mas evidentemente que não precisamos usar. O único perigo por aqui são as intermináveis beliscadas de peixe. Aliás, um dos mergulhadores foi “vítima” dos peixinhos e acaba dando um grito desproporcional à dor, para temor geral de quem já esperava pelo pior… Foi uma cena engraçada!

Deixamos os peixes pra lá e fomos encerrar o dia com um magnífico por-do-sol, desses que só a Tailândia é capaz de nos oferecer.

Nada, porém, é capaz de superar a vivacidade daquela ilha que nos apaixonamos à primeira vista. Se você for a Tailândia, não deixe de visitar Bamboo Island. E pro favor, não cometa nosso erro: vá com calma, pela manhã, se possível alugue um barco privativo e fique o dia todo… você não vai se arrepender.

Uma Noite em Maya Bay

Você com certeza conhece esse lugar. Maya Bay ficou famosa por ser o cenário do filme A Praia, com Leonardo DiCaprio, e também é um dos planos de fundo mais clichê usados nos computadores de escritório: o mar translúcido entre as montanhas, a areia branquinha, o climão de ilha deserta… É tudo aquilo e mais um pouco!

Existem centenas de passeios (geralmente saindo de Koh Phi Phi) que levam à Maya Bay, mas os horários são limitados e os mais turistões possíveis, onde a praia deixa de ser um paraíso para se tornar um formigueiro de gente disputando o ângulo da foto perfeita. Ter “exclusividade”? Difícil…

Antigamente havia a opção de passar a noite acampado na ilha – que beleza! Mas o governo tailandês, que não é bobo, começou a perceber que a atividade não era tão lucrativa assim, e ainda poluia a ilha com o rastro de sujeira que os campistas deixavam para trás. Moral da história? Proibiram o camping, transformaram a área em um Parque Nacional, limitaram a visita e ainda passaram a cobrar uma taxa de entrada.

Por um bom tempo a ilha ficou sem ser visitada à noite… Até que alguém teve uma ideia genial: organizar um passeio de barco que não só pegasse o por-do-sol na praia, como também fosse noite adentro fazendo um churrasquinho, permitindo que os visitantes curtissem a ilha só para si e depois ainda fossem dormir na embarcação ancorada a poucos metros da areia.

Tudo é organizado pela agência Maya Bay Sleep Aboard, a partir de 3000 baht, um pouco salgado mas ainda assim bem acessível pelo que se propõe.

tour começa ainda de tarde, por volta das 15h. É quando nos encontramos com a tripulação e recebemos as instruções, ainda no píer, de como será a jornada. A primeira impressão é boa: conforme prometido, água e frutas estão liberadas. Iremos fazendo algumas paradas ao longo do belo caminho, sempre repleto de rochas imponentes em meio ao mar, antes de chegar em Maya Bay propriamente dita.

A primeira parada é nas Viking Caves, um conjunto de cavernas meio sem graça e fechadas para visitação, mas que conta ao redor com águas cristalinas perfeitas para um mergulho! Felizmente temos snorkels à disposição, inclusos no pacote. É hora de mergulhar e ver alguns peixinhos. Váááários.

A maioria dos passeios de barco na Tailândia envolvem atividades de mergulho e snorkeling. E realmente deve ser uma das coisas mais fáceis de se organizar, porque basta adquirir os equipamentos e jogar o povo na água: os peixes sempre estarão presentes, para a felicidade geral.

Muitas beliscadas de peixe depois, vamos enfim nos aproximando da ilha paradisíaca. Os últimos barcos de outras agências de passeios ainda estão por perto, preparando-se para a partida. E a gente chegando…

E lá está ela: Maya Bay!

O lugar é assustadoramente bonito, e olha que ainda nem havíamos pisado em terra firme!

Assim que chegamos, tratamos de aproveitar os poucos minutos de claridade que ainda nos restavam antes do por-do-sol. Fomos explorar o interior da ilha!

Para quem espera o mesmo cenário do filme, onde havia uma mata intocada sem sinal de civilização e apenas a presença de “aventureiros”, uma leve decepção: o lugar tem claros sinais de exploração turística, banheiros públicos, uma casa (?) e um acampamento militar. Ainda assim, se mantêm suas características rústicas. E, convenhamos, o que interessa mesmo é a praia, que aquela hora já estava bem vazia, só com o pessoal do passeio.

O sol se põe e a noite vem chegando, mas não dá pra resistir a (mais) um mergulho…

Enfim a inevitável escuridão da noite chega. E com ela, a luz fraca das lanternas e do fogo! Nada como um delicioso churrasquinho tailandês… Nada muito elaborado: franguinho na brasa, com o onipresente curry e doses generosas de arroz, acompanhados de salada. Um verdadeiro banquete para o lugar em que estamos, tão longe de tudo.

Também estava incluso no pacote os infames baldinhos tailandeses. Para quem não sabe, essa é a maneira mais fácil e barata de se embebedar nas praias do país. Existem 1001 combinações que misturam vodkas, whiskys e água de coco com refrigerantes, energéticos, etc. Há relatos de quem comece tomando os baldes na praia e acabe tomando soro no hospital…

Preferimos não arriscar e avisamos a tia da barraca improvisada que queríamos apenas a combinação de Sprite com Red Bull (deliciosa, por sinal!). Ela nos encarou meio sem graça, perguntou duas, três, quatro vezes: “sem álcool? sem álcool?”, pensando que de uma hora pra outra sua compreensão do inglês estava errada. Por fim fez conforme o combinado, não sem antes tomar uma bronca do único ocidental do staff (e provavelmente chefe), que a repreendeu com um “hei, você tá esquecendo de por o álcool!”. Mais uma vez dissemos que não queríamos, agora pra ele, que custou a entender e ficou no olhando como se fóssemos ETs, haha.

Acabamos aproveitando nossa sobriedade para deixar um pouco o grupo e ir andar pela praia completamente às escuras. Ou quase, porque a lua e as estrelas faziam bem seu papel oferecendo um pouco de iluminação natural, o suficiente para nos encantarmos mais ainda com o local.

A noite em Maya Bay é mágica, não tem muito o que dizer. Um lugar espetacular como esse merece ser apreciado assim: com calma, sem multidões, sem guias, sem nada, a não ser a companhia da pessoa amada e a luz celeste.

Enfim chegou a hora de ir dormir. Fomos para o barco e garantimos um dos melhores lugares – na nossa opinião -, bem na proa. A estrutura é simples, apenas um colchoete com travesseiro e lençol, mas pela exclusividade, vale tudo! Acordar com o dia nascendo num lugar como esse não tem preço.

Maya Bay nas primeiras horas da manhã. Vazia. Linda.

O lugar é o sonho de qualquer fotógrafo!

As feias que nos desculpem, mas beleza é fundamental!🙂

Foto com o grupo: só a gente na praia mais concorrida do mundo!

E como alegria de pobre dura pouco, vamos chegando ao fim da programação. É hora de dar tchau ao paraíso…

Mas como querer se despedir de um lugar desses??

A partida é dolorosa, mas felizmente a beleza das paisagens ao redor vão nos confortando.

Certamente ainda veremos muitas maravilhas da natureza ao longo dessa viagem, mas Maya Bay sempre será inesquecível pela sua capacidade única de nos arrancar suspiros. Seja a olhando através dos filmes e fotografias, mas principalmente por saber que tivemos a oportunidade de senti-la de uma forma tão especial.

A última moda no Vietnã é… Ser feliz!

Aviso: Texto especial feito sob encomenda, com um tema levemente diferente do que costumamos abordar no blog. Em breve postaremos novos posts com nossas experiências ao redor do mundo, continuando com a ordem cronológica de países.

O que o Vietnã, esse distante e exótico país asiático, pode nos ensinar sobre moda?

Após anos perdidos pela guerra, o povo vietnamita enfim têm a oportunidade de celebrar a vida: a paz foi alcançada, a democracia vem aos poucos sendo estabelecida e o país é considerado uma nação emergente, com uma das taxas de crescimento econômico mais altas do mundo. Com todos esses motivos, essa gente pode pela primeira vez em anos dar a devida importância ao seu estilo.

E que estilo!

O traje típico vietnamita é o Áo dài, um vestido de corte bem apertado e feito com a famosa seda produzida no país, de qualidade única. É um look super tradicional, muito utilizado em casamentos e aniversários. E pensar que durante a Guerra os comunistas chegaram a desencorajar o uso dessas peças, já que elas poderiam aparentar um “luxo excessivo”, dá pra acreditar?

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Mas nem só de finas sedas vive o Vietnã. Com metrópoles gigantescas onde existe uma moto para cada habitante, destacar-se em meio ao trânsito caótico também é uma tendência bem interessante!

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Sobre duas rodas, os acessórios essenciais são o capacete e a máscara para fugir da poluição. Esse último item, aliás, é o preferido das meninas na hora de montar o próprio visual: máscaras coloridas, estampadas, combinando com a roupa… vale de tudo! O chinelinho também é indispensável, apesar do horrível costume de vestirem meias por baixo.

Mas as inovações param por aí. As vietnamitas – assim como todas as asiáticas em geral – morrem de medo do sol, e para não ficarem bronzeadas apelam para o uso de casacos protegendo toda a pele, mesmo sob um calor de 40ºC! O resultado nem sempre é dos mais bonitos, mas ainda assim há quem saiba improvisar e, combinando uma coisinha aqui e ali, conseguem criar um resultado bem agradável.

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E por falar em sol, esse também é o “culpado” por uma das invenções mais originais da moda vietnamita: o chapéu em formato de cone! Não dá pra pensar em Vietnã sem lembrar dele.

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OLYMPUS DIGITAL CAMERAEngana-se quem acha que só os trabalhadores das plantações de arroz utilizam o acessório. Mesmo que ainda associado às atividades do campo, o típico chapéu vietnamita faz a cabeça (literalmente!) daqueles que vivem nas praias e cidades grandes e querem proteger-se do sol – ou até mesmo da chuva!

Mas para o horror da leitora que nos acompanha, acredite, também é muito comum ver mulheres andando nas ruas de… pijamas! Prepare-se, as cenas são fortes:

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Essa situação é bem comum. Basta andar nas ruas, entrar em um shopping ou passear no parque e lá estarão mulheres de todas as idades andando livremente com suas “roupas” que deveriam ser usadas apenas na hora de dormir. O porquê desse hábito é inexplicável, mas certamente tem a ver com o comforto e praticidade de levantar da cama e nem precisar se trocar. E quer saber? Felizes são as vietnamitas de poderem usar seus pijamas sem precisarem se preocupar com a opinião alheia…

Renovar o guarda-roupa no Vietnã deve ser um desafio e tanto. Essa pelo menos é a impressão que dá ao vermos tanta variedade. Há opções desde as peças mais clássicas e básicas, até o coloridão ofuscante nos tecidos de lã, linho e, é claro, seda.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Vietnã é também o “paraíso” das roupas falsificadas. As inúmeras fábricas clandestinas esforçam-se para reproduzir com perfeição as mais conceituadas grifes. Perdem feio em qualidade, e até conseguiriam enganar na aparência… se não fossem alguns detalhes óbvios, como Ralph Laurens em cores berrantes completamente fora do padrão e Lacostes com bolso torto e jacaré virado pra lado errado!

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Mas é no interior do Vietnã que o vestuário parece ganhar mais vida, tornando-se o símbolo da identidade de um povo. Nos vilarejos de Sa Pa, extremo norte do país e já fronteira com a China, as minorias étnicas esbanjam originalidade com seus trajes típicos que pouco mudaram de séculos para cá.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA OLYMPUS DIGITAL CAMERA OLYMPUS DIGITAL CAMERA OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs grupos étnicos dessa região diferenciam-se pelas cores de suas roupas. O povo H’mong usa e abusa das cores escuras com decorações coloridas nas mangas. Já os Tay optam pelas vestimentas na cor azul escuro e indigo, enquanto os Giay gostam de enfeitar a parte do pescoço nas cores mais chamativas possíveis.

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Variações são encontradas nos demais grupos étnicos, também diferenciados por características como idade, estado civil e posição social.

Vivenciar o cotidiano desses povos e perceber as nuances e sutis diferenças de suas culturas através do que vestem é uma oportunidade única não só de compreender melhor o mundo, mas também de entender o papel da moda através da História

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A economia aquecida e as oportunidades lucrativas de negócio que surgem a cada dia no país atraem diversas marcas famosas que já começam a se instalar. É muito provável que o mundo fashion ocidental exerça cada vez mais influência com o tempo.

O Vietnã é o lugar perfeito para aqueles que querem estar em um lugar de costumes e hábitos tão diferentes dos nossos, e ao mesmo tempo tão parecidos. Afinal, somos humanos, e independente das nossas origens, queremos estar sempre felizes… e bem vestidos!

Especial Ilhas da Tailândia: Koh Phi Phi

54º ao 57º dia, 22 a 25 de Março de 2014.

Saímos da tranquilidade da ilha de Koh Lanta para a agitação de Koh Phi Phi. Essa provavelmente é a ilha mais famosa da Tailândia, e é daqui que partem os passeios até Maya Bay, nosso próximo destino dentro de alguns dias.

A ilha é lotada, como se pode imaginar. Para piorar, as ruas são apertadinhas, as acomodações são sempre caras (para os padrões asiáticos) e tudo, absolutamente tudo, é voltado apenas para o turismo.

Cursos de mergulho, bares, casas de show, tudo se mistura por lá. Em determinado momento até chegamos a encontrar uma placa escrita em português: “Aí Galera (sic), se quiser fazer mergulho entrem em contato conosco, tel: XXX-XXXX“. Acho que o Bruno de Lucca se mudou pra Tailândia e ninguém falou nada…

Penamos para encontrar um lugar para ficar que coubesse no nosso orçamento. Por fim, encontramos a Lux Guesthouse. Por U$15 a diária – nosso teto máximo de hospedagem – tínhamos um quartinho bem chinfrim, na subida do “View Point”, um ponto famosos da ilha onde as pessoas sobem para ter uma visão panorâmica. O problema não era nem a escada que dava acesso ao local, mas sim o forte cheiro de esgoto já que ficávamos próximos à estação de tratamento… Mas era a opção mais barata. Ou isso, ou gastávamos mais caro ainda (!) para ficar em quarto compartilhado de hostel.

Acabamos trocando de hospedagem no outro dia, e fomos para a Phi Phi Dream Guesthouse. Mesmo preço, mesma localização, mesmo fedor, mas pelo menos a internet era melhor. “Same same but different“, como os asiáticos adoram dizer.

Os proprietários colaram na parede algumas fotos do lugar antes do tsunami de 2004. A ilha de Koh Phi Phi foi uma das ilhas mais afetadas pelo maremoto que devastou o Sudeste Asiático naquela época. Tudo foi destruído. Levaram algum tempo para se reerguerem, mas hoje toda a infraestrutura da ilha já foi recuperada.

É desolador relembrar essa tragédia. Na manhã do dia 26 de Dezembro de 2004, um tremor de 9,1 na escala Ritcher atingiu o Mar de Andaman, criando ondas fortíssimas – algumas de mais de 30 metros de altura! – que foram engolindo tudo o que encontravam.

Não bastasse a perda material, muita gente também morreu, entre nativos e turistas. Estima-se um número de 200 mil mortos e 50 mil desaparecidos.

Os números impressionam, mas não custa lembrar: 200 mil é o número de mortes violentas no Brasil de quatro em quatro anos, em média. É como se houvesse um tsunami de homicídios no país a cada Copa do Mundo.

A Tailândia e boa parte dos países afetados pelo desastre já se recuperaram. E não é só isso: também investiram em prevenção, adquirindo sofisticados equipamentos capazes de dizer com exatidão a hora certa e a magnitude de uma eventual nova revolta da natureza. Em todas as praias do país que estivemos, é fácil encontrar uma plaquinha com a rota de fuga mais próxima em caso de tsunamis.

200 mil mortos chocam. Esse número enorme fez a Tailândia chorar, mas também aprender. Enquanto o maior inimigo desse país é a força imprevisível da natureza, no Brasil o maior inimigo é a pura incompetência administrativa ao gerir a Educação e a Segurança Pública. O resto da história você já conhece.

Quantos “tsunamis” o Brasil também já não sofreu? Pare e pense. E fica a pergunta: onde é a verdadeira tragédia?

Koh Phi Phi, como é de se imaginar, não é o lugar mais autêntico de todos – e nem o mais bonito. Mas é parada obrigatória para quem quer conhecer um pouco mais da fascinante indústria do turismo tailandês – ok, às vezes nem tão fascinante assim.

Para nossa surpresa, além da infinidade de passeios e cursos de mergulho oferecidos na ilha, há também uma vida noturna bem agitada por lá. Nós, que não iríamos à Full Moon Party, acabamos tendo uma pequena amostra da festa em Koh Phi Phi, onde a música alta nos bares à beira-mar toma conta do ambiente. Alguns artistas fazem suas performances circenses com fogo, o que dá um clima bem diferente àquela festa no meio da areia!

Nos divertimos um pouco, mas não somos tão chegados à festa assim. Saímos cedo, mas pelo barulho que chegava ao nosso quarto, a festa foi até o amanhecer. Alguns turistas parecem exagerarem bastante nas comemorações, pois o cenário da manhã é de gente caída no chão, desamparada, com o olhar perdido ou vomitando – às vezes tudo ao mesmo tempo.

As praias mais conhecidas de Koh Phi são bem rasas e, sinceramente, não são das melhores. Mas as melhores atrações de Koh Phi Phi estão nas ilhas e praias dos arredores.

Por 400 baht (U$12), alugamos um caiaque por 5 horas e fomos remando até a Monkey Beach.

Que lugarzinho lindo! Um óasis em meio à tanta turistada. Como fomos no finzinho da tarde – hora em que a maioria dos passeios fretados já foi embora -, conseguimos pegar a praia bem vazia e bonita.

Como o próprio nome já diz, essa é a praia dos macacos, mesmo! Eles estão por toda a parte, famintos como sempre, fazendo gracinhas e até sequestrando os pertences dos turistas em troca de banana.

O tempo passa devagar nessa praia, e não há muito o que fazer. Pequenina, atravessamos toda sua extensão em poucos minutos. Só quando o sol vai se pondo é que decidimos remar de volta à praia principal. Demos sorte e pegamos um por-do-sol lindo.

Mas lindo, lindo mesmo, era o que o outro dia nos reservava…