Esqueça NY, vá comprar em Hong Kong!

3º Dia – Mong Kok, 30 de Janeiro de 2014, Hong Kong.

Como já deve ter dado pra perceber nos posts anteriores, somos uns irresponsáveis: saímos do Brasil sem uma câmera decente para fotografar um lugar tão singular quanto Hong Kong. Se por um lado isso foi ruim e nos impediu de registrar as primeiras fotos com melhor qualidade (estávamos usando a câmera do celular), por outro lado também nos permitiu economizar um bocado. Tudo aqui é mais barato do que no Brasil – aliás, ONDE não é?

O fato de ter baixíssimos impostos e ser tão perto da China faz com que comprar por aqui seja uma atividade bem interessante. A começar pelos hábitos consumistas do próprio povo de Hong Kong, que parece ficar à vontade com um shopping a cada esquina. Consumir por aqui é mais que uma necessidade, é uma obsessão.

Fomos então para a região de Mong Kok, onde concentram-se feiras de rua, centros comerciais e lojas propriamente ditas, que vendem desde eletrônicos a vestuários. Nossa lista de compras incluía apenas uma câmera e um tênis para a Carol. Bom, você já sabe onde isso vai parar…

Nos embrenhamos pelas ruas cheias de gente e fomos parar no que eu suponho ser o maior camelódromo do mundo. É o Ladies Market, que apesar do nome, vende de tudo. Roupas, bolsas, celulares, pendrives, souvenirs em geral… Há tanta variedade de produtos e preços tão bons que você até se assusta. Não custa lembrar, a moeda daqui é o Hong Kong Dollar. Cada U$1 compra HKD7,7. Muitas lojas começam a cobrar a partir dos HKD10, e tudo, absolutamente tudo, é passível de negociação.

Cada barraca é uma tentação. Tão logo resolvo dar uma “olhadinha” em uma, logo percebo a necessidade de adquirirmos um adaptador. Sim, as tomadas daqui são diferentes das do Brasil, então preferimos comprar logo um adaptador universal. O preço fixado era de HKD69, mas tentei negociar para HKD45 para ver se colava. A comerciante não falava nada de inglês, mas com a ajuda de uma calculadora e do meu mandarim aprendido na pastelaria, chegamos a um consenso: HKD50.

Saí todo feliz da loja até ver, mais a frente, o mesmo produto a HKD38, negociável. É, acontece.

O comércio das ruas é uma selva. Os vendedores, geralmente senhorinhas chinesas ardilosas e cheias de artimanhas, agem com um ar blasé a cada possível cliente que adentra o pequeno estabelecimento. Mas basta que você olhe fixamente para um objeto – ou pior, que toque algum! – e você logo será metralhado por frases como “cheap! good price! make your price, make your price!”. Sim, aqui o cliente tem sempre razão e, dependendo da lojinha, quem decide o quanto pagar é você. Passamos por um lugar onde pendrives de 8Gb eram vendidos a HKD39. Não eram pendrives comum, mas sim dispositivos estilizados em várias formas. Tinha pendrive de heróis, desenhos animados e até de times de futebol. Olhei um da camisa do Brasil e achei interessante, talvez um bom presente para um Couchsurfing futuro. Então caí na besteira de pegá-lo na mão…

A senhorinha praticamente pulou no meu pescoço, exigindo que eu comprasse. A quanto? Não interessa, desde que eu comprasse. Começou ela mesma a jogar o preço pra baixo, desvalorizando o seu produto, com em um leilão invertido. Eu já estava no vigésimo “no, thank you”quando ela falou que eu falasse o quanto achava justo pagar. Chutei HKD10, achando que ela iria se ofender e me liberar. Que nada! Obrigado a honrar meu lance, saí da loja com um pendrive estilizado, novinho em folha, e que por incrível que pareça… funciona!

Seguimos em busca de um tênis para Carol que fosse confortável e resistente, adaptado para longas caminhadas. A busca é árdua, além dos chineses que resolvem lotar as lojas, os preços também são complicados, já que chegam a variar em mais de 50% de uma loja para outra. Por aqui, há vários outlets em praticamente cada estação de metrô. Encontrar produtos excelentes de boas marcas não é difícil.

Levamos uma surra até entender a métrica diferente para tamanho dos pés por aqui, mas após Carol experimentar quatro vezes os diferentes tamanhos do mesmo tênis, felizmente ela se decidiu. Uma compra a menos!

No meio do caminho, um acesso de tosse. Precisávamos arranjar um remédio e, para isso, fomos na farmácia, é claro. Claro? Acredite, não existe clareza nenhuma ao buscar uma farmácia por aqui. São todas esquisitas, cheias de luzes e letreiros, e é mais fácil encontrar ervas e chás nelas do que, de fato, medicamentos. Encontramos uma menos exótica e fomos pedir a orientação do curandeiro farmacêutico. Na hora de efetuar a compra, resolvi negociar o preço do remédio e – adivinhe – consegui um bom desconto. Aqui é China, você pode negociar tudo… até remédio!

A noite chegava e precisávamos logo concluir a maior compra da noite… uma nova câmera! Os preços das câmeras mais comuns começavam a partir dos HKD500 (U$65), produtos que no Brasil não são encontrados por menos de R$400. Não queríamos um modelo muito sofisticado, mas também nada tão simplório.

O problema de se procurar uma máquina fotográfica por aqui é a questão da garantia. Muitas lojas oferecem bons preços, mas possuem um modelo de negócios meio duvidoso e certamente não ofereceriam sequer nota fiscal. Acabamos optando por ir à Fortress, possivelmente a maior loja de eletroeletrônicos de Hong Kong. Há filiais para todos os lados e os preços são competitivos. Conversando com um vendedor, ele foi nos apresentando vários modelos de câmeras. Aliás, incrível por aqui como os vendedores são, além de educados e prestativos, realmente preparados para a função que desempenham. Tivemos a sorte de ser atendido pelos melhores, e aquele que ganhou nossa confiança – e dinheiro – mais parecia um técnico. Foi falando, honestamente, os prós e contras de cada modelo, e mostrando na prática como tudo se aplicava.

Acabamos nos interessando por um modelo ligeiramente mais caro do que planejávamos comprar, mas com muito mais funções, filtros, etc. Perguntei ao vendedor se havia um desconto, mas a resposta foi negativa. Mas insisti tanto, que ele acabou cedendo: Menos HKD100. E como se não bastasse isso, ele ainda compensou o preço mais caro nos oferecendo de brinde um cartão de memória de 16Gb, protetor para a tela da câmera, case, e até mesmo algo que viria a ser super útil pra gente, que sequer havíamos pensado: um tripé!

Não me dei por satisfeito e exigi uma bateria extra de brinde também. “Não posso, já dei todos os brindes que podia”, ele disse. Lamentei o fato, mas disse que sem isso, não poderia realizar a compra. Um vendedor de outra loja havia me oferecido e gostei da ideia. Por fim, mais uma vez o vendedor deu um jeito. E lá fomos nós, saindo da loja com todos os brindes que já havíamos recebidos, mais uma bateria extra – e uma garantia válida em todo o mundo, importantíssimo.

Foto com a câmera nova. Nosso ídolo, logo atrás.

Agora sim, com câmera nova, acredito que a qualidade de nossas fotos vá melhorar consideravelmente. E para finalizar, ainda compramos mais um item importantíssimo: capa à prova d’água para a câmera. Dessa vez consegui HKD50 de desconto!

Nossa experiência como consumidores em Hong Kong foi ótima. Pagamos por excelentes produtos a metade do que certamente pagaríamos de fossemos comprá-los no Brasil. Levando em consideração que por aqui até a comida é barata (um combo de Big Mac custa HKD21, faça as contas!), começo desde já a me sentir um imbecil por cada coisa que comprei enquanto ainda estava aí.

Aliás, por falar em comida, esse é um assunto para outro post…

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11 respostas em “Esqueça NY, vá comprar em Hong Kong!

  1. ola! legl o seu jeito de escrever ! light! leve…como uma boa conversa de esquina. Bravo garoto! Vou acompanhar! abraço e sucesso! Sidney

  2. Pingback: Hong Kong – O Que Vimos e Quanto Gastamos | Os Incomodados que se Mudem!

  3. Casal, estou indo para macau a trabalho semana que vem e tenho um dia livre… lóóógico que vou para Hong Kong. Como o dólar está mega ultra high alto, será que vale a pena comprar eletrônicos??? Mas minha pergunta é pra Carol. Me diga se acho cosméticos e perfumes baratos. Obrigada por compartilharem. beijo

    • Desculpe, Tatiana, só vimos sua mensagem agora 😦

      Esperamos que você tenha se divertido muito em Hong Kong e Macau. Mesmo com o dólar em alta, a variedade e os bons preços dos eletrônicos de lá compensam!

      Abs!

  4. Ola!! Adorei seu relato e gostaria de uma dúvida se possível!! Quanto devo levar para 1semana em Hong Kong??? Já pesquisei tanto, não chego a um numero que possa fazer compras (sem eletrônicos e me alimentar) em orlando levo em media 2000 dolares e volto satisfeitíssima!! Mais e la??
    Outra duvida (hehehe) levo meu dinheiro em doar americano r la que trocamos??
    Obrigada se puder responder!!!

    • Olá, Rafaela! Desculpa a demora na resposta… Olha, essa resposta varia, mas acredito que os mesmos U$2,000 funcionem bem em HK. Os hotéis são meio caros, dependendo do seu nível de preferência, mas comida e compras compensam no preço.

      Leve sempre dólar americanos, que é a moeda universal!

      Boa viagem e boa sorte!

    • Oi Leonardo,

      Passamos muito pouco tempo em Macau para confirmar isso, mas pelo que vimos parece que não. Macau é cheia de cassinos e atrai muito turista rico disposto a gastar muito em qualquer coisa, o que infelizmente acaba elevando o preço das coisas 😦

      Mas não desanime, faça suas compras em HK e deixe Macau para turistar (ou até quem sabe apostar e ficar rico, haha).

      Boa viagem e boa sorte!

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