Praias e Templos em Lamma Island

7º Dia – Lamma Island, 03 de Fevereiro de 2014, Hong Kong.

Após tirarmos um dia só para descansar, resolvemos sair da casa de nossos anfitriões em Kowloon. Já havíamos ficado dois dias a mais do que o planejado e já não nos sentíamos mais a vontade com o fluxo de gente naquele lugar. Digamos que nossos amigos recebem pessoas do mundo inteiro, e às vezes sem critério algum.

Tínhamos um couch já planejado para Lamma Island, uma das ilhas distantes de Hong Kong, alguns dias a frente. Antes de procurarmos um hotel, resolvemos contactar nosso novo anfitrião e verificar a possibilidade de chegar mais cedo. Ele aceitou, e tudo certo, lá fomos nós conhecer mais um local desconhecido pela maioria dos turistas.

Como sempre, as viagens de ferry por aqui são impecáveis. Essa não é diferente: um trajeto tranquilo de meia hora, onde a paisagem urbanizada da metrópole vai dando lugar a barcos de pesca e um visual típico de vilarejo. A mudança do ambiente é como da água pro vinho, e Hong Kong vai conseguindo nos encantar ainda mais.

Vista da casa do nosso novo anfitrião.

Acertamos o endereço e chegamos à casa de Reuben, um nova-iorquino no alto de seus 50 e poucos anos, incrivelmente simpático e de bom coração. Resolveu sair dos EUA e encarar o frenético mundo dos negócios asiático, sem abrir mão de morar perto da natureza. É o tipo de anfitrião bem incomum no Couchsurfing, já que é um empresário, bem-sucedido e super ocupado, mas por trás daquele típico estereótipo americano escondia-se um ex-mochileiro que, na juventude, havia passado semanas acampando em plena floresta amazônica!

A identificação foi imediata, conversamos muito sobre o Brasil, lugar que ele já foi algumas vezes, e até arriscou algumas palavras em português com a Carol. Fomos tratados super bem e dormimos no sofá mais confortável que já vimos. Nosso amigo até cozinhou pra gente um excelente macarrão à carbonara com salada de abacate. Nos sentíamos hospedados na casa de praia de um parente. Precisávamos desse conforto após seis dias dormindo no chão de um lugar movimentado e barulhento, como era a casa que estávamos em Kowloon.

Tiramos o dia para conhecer melhor a ilha que estávamos e não poderíamos ter tomado decisão melhor. O lugar é lindo, a começar pelos templos que enfeitam o local e servem de santuários para os deuses que os chineses tanto fazem oferendas.

Foi realmente uma surpresa constatar a quantidade de macumbas chinesas espalhadas em Hong Kong, especialmente nas regiões litorâneas. Rituais quase sempre voltados para pedidos de prosperidade, com a onipresente figura das tangerinas espalhadas em cada canto.

Vimos várias dessas a partir da trilha que sai de Sok Kwu Wan, lugar da ilha onde estávamos. Seguindo a dica de nosso anfitrião, resolvemos não fazer a “Trilha da Família” e seguimos por outro caminho mais desconhecido, mas que nos levariam a lugares bem mais bonitos.

Vista do alto da trilha

É incrível como as trilhas de Hong Kong são bem planejadas. Não bastasse o caminho ser pavimentado, contam também com corrimão, banheiros públicos adaptados, máquinas de água e refrigerante por perto, além de lixeiras com coleta seletiva. E não é só isso: postes ao longo do caminho dão a certeza de que uma possível volta à noite será bem iluminada. Há até de tantos em tantos metros pequenas caixas de areia onde os dejetos dos cachorros podem ser depositados. Nunca vimos nada nem parecido com isso!

Chegamos na primeira praia do trajeto, Mot Tat Wan. É bem simples, com um restaurante por perto e um píer de onde saem ferrys para a cidade pela metade do preço. Fomos seguindo em frente pelo belo caminho…

No caminho, uma senhorinha vende carambolas, fruta facilmente encontrada por aqui. Quase compramos, mas resolvemos continuar caminhando e acabamos encontrando uma árvore dessa fruta, carregadíssima. Aproveitamos o presente da natureza (melhor que roubar tangerina da macumba!).

Mais alguns poucos passos e já conseguimos ver a próxima praia: é Sham Wan, com uma belíssima faixa de areia e água bem clarinha. Como viríamos a saber depois, é ali o lugar que as tartarugas marinhas de Hong Kong depositam os seus ovos.

A praia é exatamente do jeito que gostamos: selvagem e deserta. Além da paisagem em si, montanhas com uma vegetação típica complementam o cenário.

Foi inacreditável encontrar um lugar como esse em plena Hong Kong.

Como nosso anfitrião mais tarde viria a falar, parece que o governo de Hong Kong não se preocupa tanto em divulgar as belezas naturais das ilhas. E como o povo vive para trabalhar, também não têm tempo de usufruir desses pequenos paraísos, tão próximos da cidade.

Carol fazendo seu programa preferido na praia…

Ainda teríamos alguns dias de viagem pela frente e iríamos ver muito mais coisas. Essa cidade tão completa em termos de estrutura e urbanismo nos surpreendia mais uma vez com sua natureza exuberante. Lamma Island é um lugar que ficará para sempre gravado em nossas memórias!

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2 respostas em “Praias e Templos em Lamma Island

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