Viajando nas Comidas de Hong Kong

Aqui é assim: você chega em qualquer restaurante, escolhe qual cachorro vai comer e o cozinheiro mata o bicho com um facão na hora. A carne dos filhotinhos desmamados é uma delícia – mas se for poodle, custa mais caro.

Carol viciou no sabor da carne canina, a ponto de sair atacando os pobres animais de estimação no meio da rua. Este aí embaixo, por exemplo, ela nem quis esperar ser cozinhado. Tirou o canivete do bolso, abriu o ventre do animal e sugou as vísceras dele ali mesmo.

E antes que você queira nos denunciar para o órgão de proteção aos animais, um aviso: É tudo mentira. Apesar do preconceito e ignorância de muitos sobre a culinária asiática, é necessário dizer que Hong Kong é moderna demais, cosmopolita demais, e chique demais para comer cachorro em pleno século XXI. É muito provável que o anúncio da primeira foto seja de um restaurante “para” animais de estimação, e não “de”onde os chineses de classe média-alta podem levar seus pets para comer que nem gente grande.

Não que tenhamos algo contra carne de cachorro – acredite, deve ser muito pior para um hindu indiano ver você comendo a carne da deusa dele, a vaca. Comida bizarra mesmo, só no Brasil, onde há bem pouco tempo vendiam salgadinhos de carne humana. Por aqui, a alimentação tem mais a ver com fatores culturais e históricos do que o apelo grotesco da coisa.

Apesar de não termos mergulhado a fundo na vasta culinária chinesa, experimentamos (e vimos!) o suficiente para falar um pouco de tudo. Acompanhe-nos nesse passeio gastronômico (ou, no nosso caso, gastroeconômico)!

NOSSOS AMIGOS, OS NOODLES!

São tantos sabores e marcas que os mercados precisam de departamentos inteiros só pra eles.

Não dá para fugir deles em Hong Kong! Os noodles – nosso famoso miojo – são o lanche típico daqui, comidos a qualquer hora e em qualquer lugar. Você vai ver gente comendo noodles tanto em restaurantes finos quanto em barracas de rua, onde podem ser servidos até mesmo dentro de sacos plásticos (!).

Noodles ao alho comprados no “7 Eleven”, muito apimentado para o gosto da Carol. Para piorar, vimos umas latinhas de bebidas bem baratas a base de Kiwi e Lichia e resolvemos experimentar. Só não sabíamos que eram uma espécie de cerveja, umas belas porcarias, aliás.

Os sabores são variados, e vão muito além de carne ou galinha. Camarão, frutos do mar e outras opções mais exóticas são bem comuns, geralmente encontradas em versões com ou sem pimenta. É possível não só comê-los já prontos, como também comprar o copinho e usar a água quente (quase sempre disponível nas lojas) para cozinhá-lo

Um copo de noodles (gigante!) acompanhado de uma latinha de “Grass Jelly”, um suco que mais parece geleia de mocotó – vem até pedacinhos dentro. Gosto horroroso, textura horrível!

As massas realmente fazem parte do dia-a-dia do cardápio de Hong Kong. Até as pastas mais encorpadas também vêm em centenas de embalagens e variações diferentes, para atrair todos os públicos.

O BIG MAC MAIS BARATO DO MUNDO

No Brasil, ir ao Mc Donald’s é um programa que fazíamos muito raramente (nosso Big Mac está entre os mais caros do mundo). Mas em Hong Kong, terra do Big Mac a menos de U$3 o combo, pudemos realizar um sonho de criança: comer no Mc Donald’s todos os dias!

Não houve um dia sequer que não tenhamos feito pelo menos uma de nossas refeições no M que todo mundo conhece. É barato, é gostoso, saudável e nutritivo, então por que não?

Não só o Big Mac estava barato, mas eventualmente também aconteciam promoções para o Mc Chicken e o Mc Fish (aqui chamado de Filet-O-Fish). Pra ficar perfeito, só faltou ganharmos uns brindes do Mc Lanche Feliz!

Existem também algumas particularidades regionais, como o Mc Spicy Chicken e a opção de chá gelado como bebida. Chamou-nos a atenção a deliciosa pimentinha que eles têm, a Thai Hot & Spicy Sauce. Levemente ardida, mas na medida certa, ela dá mais um sabor especial ao lanche do que de fato o esquenta. E como precisamos ir nos acostumando com os sabores apimentados da Ásia, pedíamos sempre!

MERCADOS E FEIRAS DE RUA (PS: NÃO TEM PASTEL DE FLANGO)

De aspecto meio esquisito, mas baratíssimas e lotadas de gente: Eis o resumo perfeito das barraquinhas e pequenas lanchonetes de Hong Kong!

Ok, algumas são esquisitas demais. Não sabemos informar o que estava sendo cozinhado aí…

É possível encontrar de tudo por aqui (menos pastel com caldo de cana, para nossa tristeza). As feiras de rua são o lugar perfeito para fazer alguns experimentos com o paladar. Nem sempre o resultado é bom, mas vale tentar.

Os espetinhos comandam por aqui. Algumas iguarias orientais, como fish balls, tofu e kani podem ser encontrados, misturados com tantos outras opções que a gente até se confunde. A maioria é frito, e nem sempre vão entender suas súplicas para não colocarem pimenta…

Na ausência de líquidos, felizmente o açúcar é capaz de minimizar a ardência na boca. Uma sobremesa bem conveniente para isso são os egg waffles, bolinhas doces a base de ovo, crocantes e de sabor “diferente”, para dizer o mínimo.

Mas não só de frituras e pimenta vive a culinária de Hong Kong. Quem diria, dá pra encontrar barraquinhas de frutas, como em qualquer feira do Brasil. Tangerinas, bananas e uvas custam pouco, e ainda há a opção de frutos mais típicos, toranjas, melões e peras de cores (e tamanhos) diferenciados…Pra quem prefere levar uma alimentação mais saudável, dá pra aproveitar bastante.

Mas basta andar um pouco mais e o choque cultural surge a partir da venda de carne – geralmente de porco e frango -, vendidos ao ar livre, sem refrigeração e com um aspecto bem diferente do que estamos acostumados.

Os frangos, principalmente, são vendidos quase sempre inteiros. Ou então, em partes menos nobres, como o pé e até carcaça (!). Foi mais difícil achar peito de frango por aqui do que feijão preto. E quando finalmente achamos – surpresa! -, era da Sadia, made in Brasil. 

Também é possível encontrar muitas variedades da ave por aqui, como um frango preto esquisitíssimo que até agora não entendemos bem o que é.

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E por falar em mercados, cada vez que entrávamos em um era uma experiência de viagem à parte. A quantidade de produtos diferentes é incrível, e o preço de alguns outros mais conhecidos é tentador. Sopa Campbell’s, batatas Pringles e sorvetes Cornetto, que quase nunca comprávamos no Brasil por causa do alto preço, consumimos aqui quase que diariamente justamente por que eram MUITO baratos.

Tudo é bem diferente nos mercados..

E por falar de mercados, o que mais chama a atenção por aqui é a comida fresca. Aliás, fresca não, fresquíssima: a maioria dos peixes e frutos do mar são vendidos ainda vivos! Ficam à exposição para os clientes em enormes aquários, e só são abatidos no momento da compra.

Isso pode gerar um certo mal-estar nos mais sensíveis. Confesso que ficamos bem assustados ao ver um peixe sendo decapitado na hora, e mesmo separados, seu corpo e cabeça ainda se mexiam bastante. Gravamos um vídeo disso, em breve postaremos.

SUSHI (COMIDA JAPONESA NA CHINA??)

Se tem uma maneira de jogar dinheiro fora que os brasileiros aprenderam muito bem nesses últimos anos de ilusão econômica foi o consumo de comida japonesa. Sempre tive horror ao ver como as pessoas são capazes de gastar tanto dinheiro em basicamente arroz com peixe cru, que por alguma razão que desconheço, são vendidos a preço de ouro no Brasil.

Mas nada que algum tempo na Ásia não nos fizesse repensar essa opinião. Sim, comida japonesa é modinha no Brasil, mas enquanto evitávamos por lá, só aqui aprendemos a apreciar seu sabor e leveza. Não só pelo status de comida saudável, mas também porque aqui essa é uma opção super econômica de refeição.

Algumas lojas, como a Sushi Take-Out, vendem peças avulsas a partir de R$0,50. Já um pratinho feito, recheado de diversas opções de sushi, salmão e molhos, sai por menos de R$5. Como resistir?

E assim foi nossa experiência gastronômica em Hong Kong. Amamos algumas coisas, enquanto outras nos reviram o estômago só de lembrar.

Agora é hora de se despedir definitivamente de lá e partir para os relatos de Macau, onde encontramos uma mistura da culinária chinesa com a lusitana. Pastéis de Belém, carnes secas e bem temperadas, aí vamos nós!

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5 respostas em “Viajando nas Comidas de Hong Kong

  1. Eu já provei essa bebida que parece geléia de mocoto também. Um amigo chines me ofereceu. É um gosto diferente. Ainda não sei se é gostoso ou não Rsrsrsrsrsrs. Tenho que provar de Novo.

  2. As cozinheiras não cobrem a cabeça mesmo como dizia um antigo e-mail, corremos o risco de vir uns cabelinhos de brinde mas o preço compensa!!

  3. Pingback: Hong Kong – O Que Vimos e Quanto Gastamos | Os Incomodados que se Mudem!

  4. Eu e minha familia vamos fazer uma viagem para la em novembro, é verdade que os Mac Donald’s são sujos? Os metros lotados? Será fácil encontrar roupas de marca com preços acessíveis?

    • Oi, Tamires!

      Não vimos nenhuma sujeira no Mc Donald’s não, pelo contrário, possuem o mesmo padrão ou melhor do que os do Brasil.

      Os metrôs, assim como em qualquer cidade grande, ficam lotados em horário de pico, mas como turista você não vai ter problemas. As linhas são variadas, e dificilmente você demorará mais do que 20 minutos para ir de um ponto ao outro. Fique tranquila quanto a isso.

      Sim, é possível encontrar TUDO a preços bem acessíveis, roupas de marca inclusive, das originais às genéricas… 😉

      Abraços, boa viagem!

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