Bali não é para Principiantes

12º e 13º dia – Bali, 08 a 09 de Fevereiro de 2014, Indonésia.

Sair de Hong Kong para a Indonésia é mudar da água para o vinho. E mais precisamente em Bali, é como derramar a Perrier no chão e pedir ao garçom para completar com Sangue de Boi.

Última foto em Hong Kong.

Pegamos o voo sem escalas de cinco horas de duração com a ilustre desconhecida Mandala Airlines. Só por curiosidade: as companhias aéreas da Indonésia possuem um histórico tão ruim de segurança que foram proibidas de voar para a Europa. Tivemos sorte de conseguir o assento ao lado da saída de emergência – sim, “sorte”, pois os lugares não são marcados. E além de podermos sair voando pela estratosfera ao menor sinal de turbulência, também tínhamos a vantagem do maior espaço para esticar os pés.

Ainda durante o trajeto já dá pra ter uma ideia do nosso novo destino. O povo é diferente, até as comissárias apresentam feições mais características ao estereótipo indonésio, de pele bem mais morena que a maioria dos orientais. Alguns passageiros não param sentados e têm de ser controlados. O menu de refeições vai passando – até a água é paga! -, mas os valores são todos em rúpias, moeda tão desvalorizada que faz até um lanche de avião parecer barato.

Pousamos tranquilamente, apesar do tempo nublado. Ao descermos na pista, que surpresa! Um ônibus pré-histórico nos aguardava, para levar de um terminal ao outro. Não bastasse o veículo estar todo enferrujado por fora, em seu interior pingos d’água caiam do teto, molhando todos os passageiros que iam espremidos e em pé! Para nos sentirmos em casa, só faltou alguém ligar o celular tocando funk carioca bem alto.

Passamos sem maiores problemas pela imigração indonésia, que nem se preocupou em abrir nossas mochilas para checar a lata de chocolate em pó que trazíamos – em Hong Kong abriram. Para um país com pena de morte para tráfico de drogas, andam bem relapsos por aqui. Por via das dúvidas, nossa canga com a bandeira do Brasil estampada também estava bem escondidinha. O conceito de droga é muito particular.

O aeroporto fica a 3 km da praia mais próxima, Kuta Beach. Resolvemos não pegar um táxi (taxistas são taxistas em qualquer lugar do mundo, entendam como quiser) e seguimos andando. Para nossa surpresa, ao contrário do que dizem os guias, não encaramos nenhuma multidão querendo pegar nossas mochilas, oferecendo serviços ou nos empurrando dentro de carros. Tudo estava muito tranquilo, relax, na paz, como parece ser o estilo balinês de se viver. Apesar da Indonésia ser um país majoritariamente muçulmano, é na ilha de Bali que os hindus e budistas se refugiam, criando um ambiente completamente zen.

Nos perdemos algumas vezes e fomos pedindo informação pelo caminho. E aqui, a primeira lição: não importa onde você vá ou com quem você fale, da criança ao policial, da caixa do mercado à balconista da farmácia, por aqui todo mundo fala inglês, nem que seja o básico. Apesar da primeira impressão horrível na chegada, a alegria, paz e competência do povo começava a mudar um pouco nossa imagem do país.

Ao nos aproximarmos de Kuta, o movimento de gente vai se intensificando e os sinais de que estamos no “centro” tornam-se mais perceptíveis. Motos, muitas motos. Crianças saindo da escola. Templos e restaurantes, um cheiro de comida misturado com incenso pelo ar. E calor, um calor insuportável que nos fazia suar e ficar com os cabelos molhados, mesmo na ausência do sol.

Kuta, definitivamente, não é o lugar que melhor representa a cultura balinesa. Por aqui, reina a cultura consumista e bagunçada importada dos jovens australianos, que lotam o local em busca das melhores ondas de surf a um custo ínfimo. Até a geografia de Kuta é péssima: O bairro é basicamente um retângulo, com uma rua principal e cheia de becos irregulares, onde motos e gente circulam freneticamente. Mão, contramão? Esses são conceitos que parecem ainda não ter chegado por aqui. Tudo se junta, se mistura, se esbarra, mas incrivelmente há uma ordem em meio à toda confusão.

A busca por um lugar para ficar não parece ser tão fácil quanto pensamos, e o cansaço da viagem e o calor pesam. Felizmente a sorte está ao nosso favor e encontramos um lugar bem legal: Bali 15land Guesthouse. Não é o lugar mais barato, mas certamente é o mais confortável que poderemos encontrar. Por U$14, teremos um quarto com ar-condicionado, geladeira, cama bem confortável e até televisão, além da localização excelente.

Tirar uns dois dias para nos situarmos por aqui é essencial, e nosso quarto parecia ser o refúgio perfeito para planejar os próximos passeios. Sem a correria de Hong Kong, a ideia aqui é descansar. Férias das férias? Talvez.

Kuta também é repleta de camelódromos vendendo todo tipo de quinquilharia. Roupas, eletrônicos, material de pesca e mergulho, tem tudo aqui. Nem sempre de boa procedência…

Li em diversos guias que os comerciantes e touts (pessoas que ficam nas ruas oferecendo todo tipo de serviço) seriam agressivos e insistentes, mas a verdade é que ou eu estou muito acostumado a ser importunado ou então o pessoal daqui só me parece querer trabalhar, mesmo. Sim, de tempos em tempos virão lhe oferecer “transport? motorbike? cheap room? good price!”, mas basta um sorriso no rosto e um “não” educado, e logo param. Se você se esforçar o suficiente para aprender a dizer “não, obrigado” no idioma deles (“Tidak, terima kasih“), melhor ainda, pois parecerá mais simpático ainda.

Apesar de todos os problemas, é possível mesmo em Kuta sair um pouco do meio turístico e se infiltrar nos lugares onde os locais frequentam. Conhecemos alguns warungs e nos fartamos de comida boa e barata. Um prato de comida pode sair a partir de R$2, e a bebida (normalmente chá ou suco da fruta) entre R$0,50 a R$1.

A graça da coisa é que, por darmos preferência aos lugares que não são frequentados pelos turistas, enfrentamos a ausência de menus em inglês e ficamos a mercê da sorte ao escolher uma refeição. É uma espécie de roleta russa culinária: às vezes vem frango com batata frita, às vezes vem cérebro de macaco…

Vamos aproveitando o tempinho em Bali para conhecer a praia, que não é das mais bonitas mas tem seu charme.

É interessante notar que, apesar do ambiente não ser dos melhores por conta da desorganização, parece que a ausência de drogas e o pouco consumo de bebida alcoólica (a única coisa cara por aqui, graças aos impostos) torna tudo bem seguro. Mesmo à noite, nas ruas pouco iluminadas, é possível ver turistas e locais, às vezes até crianças, indo e vindo tranquilamente, sem preocupações. O clima aqui é de “paz e amor”, só que sem drogas.

A moeda local, rúpias indonésias, é bem desvalorizada, e qualquer ida ao caixa eletrônico faz você se sentir milionário.

Entre praias e boas comidas, vamos nos despedindo de Kuta…

É hora de ir nos preparando para o próximo destino: Ubud, o cenário do filme “Comer, Rezar, Amar”, com seus incríveis templos e campos de plantação de arroz!

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5 respostas em “Bali não é para Principiantes

  1. Pingback: Comer, Rezar e Amar em Ubud | Os Incomodados que se Mudem!

  2. Pingback: Indonésia é Amor | Os Incomodados que se Mudem!

    • Oi Carolyne,

      A gente sempre coloca um post pra cada país com nossos gastos médios de viagem. Mas o que eu posso te dizer é que dá pra viajar o mundo com uma média de U$50 tranquilamente. Alguns países você vai gastar muito mais, e outros muito menos!

      Boa viagem e boa sorte!

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