As Paisagens mais Incríveis de Bali

17º ao 22º dia – Uluwatu, 13 a 18 de Fevereiro de 2014, Indonésia.

Decidimos deixar a paz e a tranquilidade do interior de Bali para encarar as suas paisagens mais deslumbrantes. E acertamos em cheio ao escolher a península de Uluwatu, ao sul da ilha, como nossa base de exploração.

Ficamos hospedados por cinco dias no 3D Homestay, a poucos minutos de moto da praia de Padang Padang, famosa pela quantidade de surfistas – muitos deles brasileiros – que se encantam por suas ondas e o ambiente inspirador.

Dessa vez demos sorte: por U$8 a diária, tínhamos um quarto bem espaçoso à nossa disposição, com direito até a piscina!

Tratamos de alugar uma moto (U$4 por dia) e fizemos a festa! As praias eram nossas, bastava encarar a estrada cheia de altos e baixos, uma espécie de Rio-Santos mais íngreme e sem acostamento.

Primeiramente nos dedicamos a conhecer a praia mais próxima, Padang Padang. O acesso ao local é escondido – como aliás, é em quase todas as melhores praias daqui. Mas basta passar por uma escadinha esculpida entre o pouco espaço que a natureza permitiu deixar-nos passar, e lá estamos: no paraíso.

A água é morninha, característica das praias do Oceano Índico, e bem transparente. Depois do primeiro mergulho, não dá vontade de sair mais.

Apesar de não ser deserta – e ter muitas barracas e vendedores pro nosso gosto -, o lugar não deixa de ser uma excelente praia para descansar.

Com a maré baixa, é possível aproveitar a faixa de areia maior e atravessar para o seu outro lado, onde uma pedra divide a praia em duas, deixando o outro lado mais reservado.

É interessante notar que Padang Padang não só atrai turistas, mas também a população local e até alguns indonésios de outras ilhas, como Java, majoritariamente muçulmana. O resultado é a integração de diversas culturas em um só lugar!

Essa última foto tem uma história curiosa. Disfarçamos bastante para tirá-la sem que a senhora percebesse, já que não queríamos que ela se sentisse “exótica” apenas por estar de véu na praia. Alguns minutos depois, ela veio em nossa direção, e logo ficamos preocupados com o sermão que ela nos daria por termos tirado sua foto sem autorização…

Mas ao invés disso, ela veio com um sorriso no rosto e pediu tirar uma foto com a gente, já que para ela nós é que éramos os diferentes!

Na saída da praia, uma surpresa nada agradável: um grupo de salva-vidas segura firmemente um rapaz, e seus gestos são tão bruscos que logo abandonamos a ideia de que aquilo seria uma espécie de treinamento. O rapaz é amarrado e arrastado como um boi pronto para ser assado na brasa, e derrubam ele no chão com tanta violência que seu nariz começa a sangrar.

Uma aglomeração vai se formando na rua, onde o rapaz é finalmente levado e cercado por locais. Todos parecem estar bem nervosos, e seguem vociferando contra ele de uma maneira que realmente chegamos a pensar que haveria um linchamento. A rua fica cheia, e todos mundo sai dos estabelecimentos vizinhos pra acompanhar a confusão.

Sim, todo mundo pilota motos por aqui…

Conseguimos descobrir a razão da captura do rapaz: ele supostamente havia cometido um furto na praia. E para que não houvesse dúvidas, escoltaram-no pelas proximidades até que ele mostrasse onde havia escondido os objetos roubados.

Quando enfim parecia que o garoto ia começar a ser espancado ali mesmo, surpresa: os moradores continuavam a gritar com ele, provavelmente xingando, mas exceto pelos guarda-vidas, ninguém encostou um dedo nele. Alguns minutos após o carro da polícia chegou e enfim o levou.

Enquanto no Brasil o linchamento público de criminosos vem se tornado comum, o povo por aqui parece ainda confiar na polícia. O máximo de justiça que fazem com as próprias mãos é amarrar o criminoso e amaldiçoá-lo. Não é pra menos: em um país com pena de morte, a impunidade não existe. Pra que sujar as mãos de sangue? Deixem isso com os brasileiros, povo habituado a ausência da Justiça. Aqui em Bali, a população composta por pescadores e agricultores, quase sempre iletrados, já entenderam há muito tempo como funciona a lei.

Seguindo pelas praias, deixamos nossa moto estacionada e chegamos a Blue Point Beach, mais uma praia de difícil acesso, mas de um mar azul indescritível mesmo em dia nublado.

É um belo lugar para ser fotografado de cima, onde a cor do mar e as falésias se destacam na paisagem.

Mas para tomar banho, é melhor procurar outra praia e deixar essa com os surfistas mais experientes. As ondas são bem fortes e, ao contrário das outras praias de Bali protegidas pelos corais, elas quebram bem no raso, inundando o caminho de pedras e dificultando o mergulho.

Os dias passam cada vez mais preguiçosos… Bali é um lugar incrível para relaxar, e como tudo é muito barato, nos permitimos viver aqui uma segunda lua-de-mel com alguns pequenos luxos. Sem compromissos, sem relógio, sem agenda, acordávamos tarde e pegávamos a moto para ir almoçar em algum warung e depois passar o dia em uma praia.

Descobrimos uma pizzaria italiana por perto em pleno Valentine’s Day e desde então passamos a jantar por lá toda noite, dando um tempo nos temperos da culinária indonésia.

Nos dias nublados, ao invés da praia dávamos preferência à piscina do Homestay, que na verdade ainda nem estava pronta, mas mesmo assim nos autorizaram a usar.

Uma excelente oportunidade para testar a bolsa à prova d’água:

No outro dia, decidimos ir à Secret Beach (ou Pandawa), que apesar do nome já não é mais tão secreta assim – até cobram para entrar! -, mas é lindíssima e muito bem preservada.

A estrada até lá é do jeito que eu gosto, cheia de curvas e das habituais ladeiras e subidas. Vamos nos embrenhando pelos atalhos e descobrindo lugares cada vez mais lindos, mesmo antes de chegarmos à praia.

Infelizmente essa vida louca de motoqueiro tem seus percalços, e acabamos estourando um pneu no meio do caminho – pura imprudência minha, que resolvi passar em cima de algumas pedras.

Sorte nossa poder contar sempre com a simpatia do povo balinês, que mesmo com um inglês básico é capaz de nos dar todas as informações que precisamos. Encontramos uma oficina onde um tiozinho consertou o pneu por um preço camarada, e seguimos em frente.

Não sem antes abastecer, é claro. Isso aí em cima são os “postos de gasolina” daqui, com o combustível armazenado em garradas de Absolut Vodka – não me pergunte o porquê. Com U$1 é possível encher o tanque, basta abrir as garrafas e despejar o Petrol no compartimento correspondente. Não tenho ideia do quão batizado esse líquido pode ser, mas até agora funcionou muito bem nos mais variados lugares que abastecemos.

Enfim chegamos à Secret Beach, Que lugar encantador! No caminho sinuoso, é possível contemplar as mais variadas tonalidade de azul da praia, que são de fazer cair o queixo. Nas falésias das proximidades, buracos enormes foram feitos para atender a religiosidade do povo e servir de abrigo às estátuas dos deuses.

E enfim, a praia!

O que dizer desse paraíso? Se uma imagem vale por mil palavras, espero que todas essas fotos falem por si só:

Após uma overdose de beleza como essa, só nos restava ir para nosso cafofo descansar um pouco e terminar nossas “férias das férias” em Uluwatu indo na sua maior atração: o templo Pura Luhur.

A entrada é relativamente cara para os padrões de Bali (U$2), mas está incluso no preço o uso do sarong, essa espécia de saia roxa usada para cobrir as pernas como sinal de respeito ao lugar sagrado. Mas, verdade seja dita, ninguém vai pra lá só pra ver esse templo encravado no alto de um penhasco. As pessoas vão com o interesse de ver os macacos e o por-do-sol.

Sobre os macacos, é bom avisar: esses aqui são bem mais agressivos do que os da Monkey Forest, em Ubud. Os bichos chegam ser obesos, andam com dificuldade, mas tornam-se bem ágeis na primeira oportunidade de roubar algum pertence do turista. Vale tudo, óculos, bolsa, câmera, desde que possa ser usado como moeda de troco por uma banana.

Apesar de termos lido todas as recomendações e guardado bem os nossos pertences, Carol esqueceu o seu óculos pendurado na cordinha do pescoço. Bom, você já consegue imaginar o que aconteceu, não é? Um filhote de King Kong pulou bem em cima dela e tentou arrancar o óculos, que só não foi levado porque a cordinha estava bem amarrada. E também porque Carol, habituada aos trombadinhas do Rio de Janeiro, estava alerta e tão logo foi atacada pelo primata, deu um jeb de direita mortal no bicho, que saiu meio cambaleante.

Sempre tem um boliviano perdido…

O finzinho da tarde vai se aproximando e o local fica bem cheio de visitantes ávidos por uma boa foto. Não é pra menos, olha a vista desse lugar!

Nos rendemos à toda aquela beleza! Só nos restava admirar o por-do-sol que viria.

Saímos inspirados daquele lugar, pronto para encarar maiores desafios!

E eles viriam: dessa vez, a vida mansa da motoca acabaria. Partiríamos para Lombok, ilha de maioria muçulmana, em uma longa viagem pelo mar com destino final às ilhas Gili.

Mal sabíamos, mas estávamos prestes a ver as paisagens mais incríveis… da Indonésia!

Próximo destino: Lombok – Gili Islands!

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3 respostas em “As Paisagens mais Incríveis de Bali

  1. Oii… adorei o post, tenho pesquisado muito sobre bali e não tinha visto ainda post de essa Pandawa beach, com certeza foi pra listinha!!! Vou pra bali com uma amiga no final de dezembro e estávamos pensando em alugar uma moto também.. como funciona? nos não temos carta de moto, é tranquilo? e as motos são “seguras” ? temos pouco tempo (9 dias) e queremos aproveitar o maximo do tempo e temos mtos lugares na nossa listinha pra conhecer haha então acho que moto é a melhor opcão, pra podermos ir a varios lugares no mesmo dia, já que o transporte público não funciona, né? ah e outra coisa.. pra parar nos lugares, é tranquilo estacionar? vcs paravam na rua ou em estacionamento? se puder me fala algumas coisas que vc acha interessante eu saber sobre o aluguel de moto.. obrigada!!

    • Oi, Angelina!

      Aluguel de moto em Bali é tranquilíssimo: Alguns lugares pedirão pra ficar com o seu passaporte, outros pedirão só a cópia. Para evitar golpes, te recomendo só deixar a cópia. Melhor ainda: alugue motos diretamente com seu ho(s)tel, a maioria oferece esse serviço e você ao menos saberá da procedência.

      Ter carta é obrigatório no mundo todo, mas digamos que na Indonésia eles fazem “vista grossa”. Também não temos e sempre andamos pela região de Uluwatu (onde fica Pandawa beach) sem problema algum. Não te recomendaria andar de moto pelo centro da cidade ou próximo à Kuta, já que as chances de policiamento são maiores e você seria obrigada a subornar os policiais com U$5-10…

      No geral, moto sempre é a melhor opção em Uluwatu. Sempre há lugar para estacionar (na verdade o pessoal estaciona em QUALQUER lugar, é sempre seguro). Para o restante da ilha, em longos deslocamentos, prefira táxi.

      Bali é incrível, aproveite todas as experiências que vocês puderem. Boa viagem e boa sorte!

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