Reflexões de 2 Meses de Viagem

Dando continuidade às nossas reflexões de viagem, segue o nosso aprendizado até o presente momento – o segundo mês de viagem!

1. CABELO ESCROTO É REGRA, NÃO EXCEÇÃO

Não sabemos o que se passa na cabeça das pessoas.Literalmente.

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Estrangeiros ou locais, homens os mulheres, velhos e até crianças, não importa. A regra é ter o cabelo mais esquisito possível, com cores e cortes bem fora do convencional.

Afinal, qual será a explicação pra isso? Está sobrando gente com mullets no mundo, costeletas encaracoladas, tranças nas carecas, cabelo longo com laterais raspadas, franjas pela metade e as piores – eu disse AS PIORES – variações possíveis do corte de cabelo do Neymar.

Imagine o estilo capilar mais absurdo possível. Ele existe na Ásia, só que pior.

2. FOFOCA, UM ESPORTE MUNDIAL

Sempre ouvimos que no Brasil a fofoca é um esporte nacional.

Mentira.

Fofoca é um esporte mundial, e deveria até ter competição, Copa, Olimpíadas e tal. Não me refiro aos rumores e calúnias desrespeitosas, mas sim àquela fofoca arte, fofoca moleque, aquela fofoquinha inofensiva do tipo “Fulano engordou, hein”, “Ciclano só tem roupa brega” ou “Beltrano tá com um bafo…”

Descobrimos isso meio que ao acaso, graças aos pequenos incidentes do cotidiano. Hospedar-se via Couchsurfing é uma fonte inesgotável e oportunidade única para isso. Lá está você, sereno e serelepe, quando de repente o seu anfitrião – que também está recebendo outros hóspedes – começa a ter problema com um deles. Sem ter muito para onde recorrer, acaba confessando a você tudo que lhe desagrada.

Logo o tom da conversa fica mais baixo, a distância mais próxima, os olhares tornam-se cúmplices, e por fim, risadas contidas e meneios com a cabeça selam a pequena intimidade conquistada.

Quando isso acontecer, já era. Sente-se, relaxe, seja todo ouvidos e prepare-se para aprender novos vocabulários que curso de inglês nenhum ensina. Você estará oficialmente fofocando, e descobrindo que estrangeiros também o fazem, igualzinho como no Brasil.

3. EUROPEUS, UM POVO MUITCHO LOCO

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Verdade seja dita: os europeus são um povo incrível. Curiosos de nascença e com aptidão para explorar, é graças a eles que meio mundo foi descoberto. O que seria de nós sem Critóvãos Colombos e Pedros Álvares Cabrais?

Essa natureza inata e típica do europeu o acompanha até hoje, principalmente os jovens que, repetindo os passos de seus antepassados, colocam uma mochila nas costas e dedicam-se a conhecer sobre as culturas e costumes dos lugares mais diferentes do planeta. O que os torna mais cultos e respeitadores, certo?

Errado.

Ô povinho difícil! Temos esbarrado com vários deles pelo Sudeste Asiático, e não há um dentre eles que passe pela gente sem deixar uma história pra contar.

É o russo carente que fala um inglês sofrível e fica implorando para nos acompanhar na viagem. As suecas e holandesas que veem qualquer lugar como ideal para fazer topless ou simplesmente ficar nua, mesmo que numa praia somente com famílias ou em meio à uma comunidade islâmica. A dupla de espanhóis que dizem para o anfitrião do Couchsurfing “Adoramos sua casa, vamos só ali e já voltamos”, e então pegam a mala, saem correndo e nunca mais voltam. O alemão que começa a falar mal do país que está visitando só porque a cerveja está cara e esbraveja “isso não acontece no meu país, o meu país é perfeito!”. Ou o francês inconveniente, que cumprimenta abraçando e dando beijinho, só conversa de perto, tocando a pessoa – para horror dos anfitriões asiáticos e norte-americanos.

Sobre essa última parte, aliás, é até engraçado pensar. Dizem que nós brasileiros é que somos calorosos, grudentos, amigáveis demais. Que nada. Nesse quesito, os europeus que conhecemos estão fazendo vergonha.

Por um outro lado, é um ponto a se pensar: dizem que os europeus são um povo frio. Mas quem será mais frio, o povo que não tem a fama de abraçar e beijar ou o povo que aceita assassinato, corrupção e estupro como parte normal da vida em sociedade?

Frios são os brasileiros, isso sim.

4. MÉTODO PARA RECONHECER LATINOS NA ÁSIA

Cenário: Uma festa. Na Praia. Ou na fazenda, na casinha de sapê, tanto faz.

O DJ está tocando uma seleção musical dançante, alguns clássicos para levantar a galera. Alguns dançam, outros não. Nada demais. Então, chega a hora que o botão Play encontra com a faixa “Danza Kuduro“.

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Observe os padrões:

A) Norte-americanos não notarão diferença alguma na setlist;
B) Asiáticos esboçarão um bocejo;
C) Europeus darão um leve sorriso e continuarão seus afazeres normalmente;
D) Latinos: Levantarão imediatamente, arregalarão os olhos, começarão a fazer movimentos desengonçados com o corpo em uma tentativa vã de seguir o ritmo da música. Aqueles que souberem a letra de cor (isto é, todos) pegarão seus pares pelas mãos e, cantando o refrão, se emocionarão com a melodia (alguns chorarão), gritando e rebolando constrangedoramente, para espanto geral dos norte-americanos, asiáticos e europeus no recinto.

PS: Descobrimos, somos latinos.

5. BANHEIROS ASIÁTICOS NÃO SÃO TÃO RUINS ASSIM

Para os ocidentais, um típico banheiro asiático assusta. É capaz até de traumatizar.

À primeira vista, é difícil entender como funciona as três conchas o chuveiro que mais parece um chuveirinho gigante, ou o vaso sem assento – basicamente um buraco no chão e só.

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É necessário um pouco de dedicação e prática, ou simplesmente uma boa dor de barriga, para perceber o quão mais simples é o sistema asiático: Agachou, fez. Apontou, lavou.

Viva!

6. NÃO SABEMOS MAIS USAR COPOS…

Com exceção dos países mais desenvolvidos como Hong Kong e Singapura, boa parte da Ásia sofre com o problema da qualidade da água. O que obriga até mesmo os locais a consumirem garrafas e mais garrafas de água mineral, barata e facilmente acessível por aqui.

O que nos leva a uma outra questão: com a presença onipresente de uma garrafinha ao lado, quem precisa de copo? Esses objetos frágeis, complicados e nada práticos, que precisam ser lavados constantemente (com água contaminada da torneira? De que adianta beber água mineral neles?) e serem estocados…

Moral da história: Nos tornamos experts em abrir os mais variados tipos de lacre de garrafas facilmente. Mas somos completamente incapazes de levar um copo à boca.

7. …NEM TALHERES

“Garfo e faca” não é exatamente uma dupla romântica aqui na Ásia. Estão mais para um amor platônico, onde só na nossa cabeça deveriam estar juntos.

Na vida real, onde existe um não existe o outro. Em geral, dê-se por contente ao ver um garfo e uma colher dividindo espaço no seu prato. Corta-se a carne com um deles, ou com a boca mesmo. Na melhor das hipóteses, com uma tesoura. Acredite, você se vira. E se não conseguir, ah, os palitinhos estão aí pra isso mesmo!

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