Indonésia é Amor

Queríamos começar esse texto de maneira menos piegas, mas é impossível. Enquanto o escrevemos, já passamos por outros países, como Hong Kong, Singapura, Malásia e Tailândia… Por todos esses, nos apaixonamos. Mas com a Indonésia é diferente… com a Indonésia é amor.

Uma amor à segunda vista, diga-se de passagem. Quando chegamos em Bali, nossas primeiras impressões não foram tão boas. A praia de Kuta, próxima ao aeroporto, tem um estilo muito voltado aos turistas ocidentais, repleta de baladas, restaurantes caros e um trânsito louco. Ainda assim, foi possível ver as primeiras diferenças culturais e características únicas do povo indonésio a partir dali.

Os locais são muito religiosos – extremamente -, e as oferendas aos deuses hindus são encontradas em cada esquina, em cada frente de casa ou loja. Esbarrar, pisar e até mesmo destruí-las sem querer é bem comum. Mas por lá ninguém fica bravo com isso. Em Ubud, interior de Bali, o clima é devagar quase parando. Uma paisagem envolta por plantações de arroz, em campos gigantescos que parecem não ter fim.

Não há transporte público em Bali. “Até tinha“, contou-nos um taxista certa vez, “mas aí o povo começou a comprar moto, o governo facilitava a compra e então ninguém mais quis andar de ônibus“. Obviamente esse não é o melhor dos mundos, e congestionamento diários são inevitáveis em algumas rodovias mais movimentadas. O que acaba levando à outra conclusão: Bali precisa ser curtida com calma. Fique bastante dias, alugue uma moto (ou um motorista!) e vá aproveitando cada atração com um tempo bem espaçado. Do contrário, é stress na certa.

Quase todo mundo fala inglês, ensinado desde cedo nas escolas. E quem não sabe se vira, se esforça, pois até podem parecer muito tranquilos e, por isso, sem muita vontade de trabalhar, mas é só impressão. Na primeira oportunidade de negócios, lá estarão os indonésios, pontuais e profissionais, oferecendo um preço justo pelo serviço/produto escolhido.

Pode parecer uma generalização simplória, mas motos, templos e macacos são uma constante: estão por toda a parte, sempre ao lado de uma densa vegetação e praias incríveis de fazer inveja à qualquer país tropical.

Sim, as praias da Indonésia são incríveis, com barreiras de corais que criam uma divisão natural entre o “mar calmo para famílias” e as “ondas perfeitas para surfistas”, tudo isso na mesma praia, a alguns metros a nado de acordo o tom azulado das águas. Suas ondas são famosas mundialmente, atraindo adeptos do surf de todo o mundo – inclusive do Brasil.

Nos surpreendemos com a quantidade de brasileiros em Bali, não só a turismo, mas também morando. Em alguns hotéis, só ouvíamos português pelos corredores. Até os funcionários, ao perceberem que éramos do Brasil, faziam alguns gracejos em nosso idioma. Carol nunca foi tanto chamada de “gatinha” quanto em Bali.

É tanto brasileiro por lá que chegamos ao ponto de, ao entrar no elevador do aeroporto, percebermos que todos os 8 ocupantes naquele momento eram do Brasil. “Quais são as chances disso acontecer?”, tive que perguntar, para gargalhada geral. Mas a verdade é que as probabilidades são enormes.

Não é difícil entender o carinho de nossos conterrâneos por essa ilha: Bali têm tudo que o Brasil tem de bom – natureza exuberante, praias lindas, clima agradável e um povo simpático -, e nada do que temos de ruim, como a violência, a vida apressada das grandes cidades e o custo de vida absurdo.

É até uma comparação interessante. Sob determinados aspectos, Bali lembra muito os subúrbios e cidades litorâneas do Brasil da década de 80/90, uma época nostálgica onde ainda se tinha alguma tranquilidade ao sair na rua e era possível ir com R$5 ao supermercado e voltar com a sacola cheia. Na Indonésia isso ainda é possível.

A moeda local – rúpias indonésias – é bem desvalorizada em relação ao dólar, o que faz tudo ser sempre muito barato, até mesmo para quem ganha em real. Dependendo da situação, a sensação é como estar no Parque da Turma da Mônica comprando tudo com dinheirinho de mentira. Acabamos realmente voltando à infância e nos entupindo de doces e salgadinhos, como uma criança que recebe alguns trocados de mesada dos pais.

Nunca pagamos mais do que R$30 por uma acomodação confortável, tampouco mais do que R$3 por um bom prato de comida. E por falar em comida…

Nada melhor do começar o dia com um Teh quentinho acompanhado de Banana Roti já inclusos no preço da diária!

No almoço, “sustança”! Lele Goreng (“Peixe frito”) para a Carol e Ayam Goreng (“Frango frito”) pra mim. Já deu pra perceber o que “goreng” significa, né? Pratos acompanhados de um delicioso Teh botol e o inconfundível potinho de basal (“pimenta”).

Então vamos de Kelapas Mudas (“Água de coco”) com Nasi Goreng. Dica: Nasi é “arroz”. Isso mesmo, arroz frito. Sempre acompanhado de um telur (“ovo”) e vegetais.

Suquinho de Dragon fruit  e Pad Thai pra Carol, enquanto eu vou experimentando novas variações de nasi goreng, dessa vez com frutos-do-mar. Os sucos e vitaminas da Indonésia são incríveis. Tomei muitos e muitos copões de Jus Alpokati (“Vitamina de abacate”) por menos de R$1, com direito a caldinha de chocolate!

Carbonara e um delicioso Nasi goreng ayam. Esse tá fácil, hein.

Pra variar, um fried noodles, nosso famoso miojo, só que frito. É possível encontrar variações desde as mais elaboradas, com frutos-do-mar e vegetais, até as mais simples, geralmente encontradas nas barraquinhas de rua onde o pessoal vende miojo com ki-suco, mesmo!

E quando cansávamos da comida indonésia, sempre havia a opção de uma deliciosa pizza por R$6 – com buffet de saladas, frutas e sopa inclusos!

Tio da barraca fazendo sacolés de PIMENTA. Às vezes precisávamos variar…

Se aventurar pela culinária da Indonésia se torna mais fácil com o conhecimento do idioma. Acredite, o bahasa indonésio não é um idioma tão difícil de ser aprendido, com pouquíssimas regras gramaticais e de fácil pronúncia. Em algumas semanas já estávamos aptos a pedir os pratos nos restaurantes, negociar e até ter pequenas conversas casuais com os locais no idioma deles.

Agora que você já conhece alguns nomes de pratos típicos indonésios, divirta-se calculando os preços. Cada Rp. 5.000 equivalem a R$1!

Agora que você já conhece alguns nomes de pratos típicos indonésios, divirta-se calculando os preços. Cada Rp. 5.000 equivalem a R$1!

Apesar do turismo, Bali ainda é muito rural, bem simples e humilde. E isso é ótimo! Os costumes e tradições mais milenares ainda se mantêm fortes por aqui. É de se admirar a educação e honestidade do povo – mesmo com raríssimas exceções -, a inocência das crianças e até mesmo da população em geral.

De maioria hindu e muçulmana, a cultura da Indonésia tende a ser mais conservadora. Isso se reflete até nos programas de TV, onde novelinhas de baixo orçamento bizarras ao estilo de “Rebelde” e “Malhação” são bem populares. No roteiro, as mocinhas saem da escola e viram sereias, navegam pelos mares fugindo dos perigos mais bobos, e são salvas pelo mocinho que, vejam só que atrevimento, resolvem abraçá-las no final!

Sem beijos, sem amassos, até a propaganda de camisinha é inocente, e vista sem muita atenção, mais parece um comercial de margarina – com direito à família feliz e tudo. Tão diferente do Brasil, onde temos Anitta seminua na cama declamando os versos “Com Olla na mão / Viva a pegação”…

Nossos 24 dias na Indonésia foram inesquecíveis. Jamais esqueceremos seu clima caótico e ao mesmo tempo tão zen. Os templos imponentes, as danças típicas, os macaquinhos que praticamente tornaram-se nossos animais de estimação. As praias quentinhas de azul cristalino e areia branquíssima, seja da ilha de Bali ou Gili. Cada refeição, cada passeio, cada sorriso descompromissado do povo, cada pequeno momento que passamos na Indonésia – especialmente os mais lindos pôr do sol que já vimos na vida – ficarão eternamente gravados em nossos corações.

A Indonésia é Amor.

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5 respostas em “Indonésia é Amor

  1. Pingback: Indonésia – Quanto Gastamos? | Os Incomodados que se Mudem!

  2. Sei falar algumas palavras em Bahasa, sem ter ido pra Indonésia, acredite se quiser! Aprendi pela internet. Anjing = cão/cachorro, Jalan = estrada, Betina = fêmea, Goreng = frito, Nasi = arroz 😀 viu como eu já sei me virar? Hahaha conhecer Bali ainda é um sonho, mas vai virar realidade, um dia. 🙂 e esse caos que tu falas que tem em Bali, não é diferente do da minha cidade. O clima aqui também é quente (muito quente!) e úmido (muito úmido!), então, quando eu for pra Bali, vai ser como se nem tivesse saído de casa! Hahaha 😀 aqui na minha cidade, essa hora – tarde da noite -, você só vê meretrizes, boates e restaurantes abertos, massagistas, bandidos, carros e motos, muitos cachorros nas ruas e ZERO serviços – para tudo, EXCETO hospital, restaurante e aeroporto. Mas eu GOSTO desse caos, fazer o quê? Hahaha e o bacana é que você pode dar uma volta na beira-rio, decorada como se fosse um calçadão de cidade litorânea, tal como o do RJ, tão distante da minha cidade, mas igualmente belo. Minha cidade é perfeita na imperfeição. Mostra que, sim, é possível haver união na diversidade. Minha cidade, antes estagnada no tempo tal como água empoçada, hoje acorda para o mundo, pouco a pouco. O que você acuo do poema que fiz sobre a cidade em que vivo? 🙂 meu sonho é ser médica E escritora.

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