Ahaa, Uhuu, Socorro, Estamos em Kuala Lumpur!

40º Dia – Kuala Lumpur, 8 de Março de 2014.

Após uma longa noite de viagem de trem, enfim chegamos à capital da Malásia! Começamos com o pé esquerdo: nosso anfitrião do Couchsurfing não havia passado o endereço, estávamos sem guias da cidade e não sabíamos para onde ir. Se tem uma coisa chata em uma viagem de volta ao mundo é a leve sensação de estar perdido… e nós estávamos totalmente!

Para nossa sorte, encontramos uma tomada disponível e conseguimos obter algumas informações pelo netbook sobre a cidade. Logo definimos o bairro de Chinatown como nossa parada, pois ali localizam-se as acomodações mais baratas de “KL“, como chamam os locais. Estávamos na estação ferroviária central, e de lá bastou pegarmos um monotrilho e em poucos minutos estávamos no bairro chinês.

Como é de praxe, camelôs e barraquinhas de comida espalhavam-se pelo ambiente. Chinatowns são sempre iguais, com honrosa exceção para a de Singapura, que ao menos é limpa.

O lugar é bem localizado, próximo ao centro, e talvez por isso é apinhado de gente para todos os lados. E quando se está com um mochilão nas costas, digamos que andar entre multidões não seja uma experiência das mais agradáveis…

Apesar de ainda ser de manhã, o calor era insuportável. Assim seriam todos os dias. Chegamos em uma época onde não chovia há mais de 3 meses na cidade. Some isso a um elevado índice de poluição e você tem como resultado uma qualidade de ar péssima – mas que pelo menos cria belas imagens como essa: o sol vira uma bola de fogo no céu poluído.

Com algum esforço, encontramos um cafofo obscuro para passar a noite. Era o Backpacker’s Travellers Inn, lugarzinho bem mais ou menos, uma espécie de hostel com crise de identidade, com banheiros compartilhados e quartos privativos sem janelas que mais pareciam uma solitária. Mas por 40 RM (U$12), não dava pra reclamar muito. Apesar do aspecto medonho de filme de terror, até que o lugar era simpático e acabamos gostando no final.

Cumprimos o ritual de sempre antes de sairmos para explorar a cidade: descarregamos as mochilas, espalhamos nossas roupas pelo quarto e eu, é claro, tratei de registrar nossa passagem pelo local rabiscando o verso do quadro pendurado na parede. É mais um dos hábitos estranhos que adquiri nessa viagem. Aliás, se um dia você for ao Sudeste Asiático, dê uma olhada atrás da moldura do quadro ou espelho geralmente presente nos quartos: Se tiver um coraçãozinho desenhado escrito “Wendell e Carol”, com a data e o endereço deste blog, você saberá que passamos por lá. 🙂

Andar pelas ruas de Kuala Lumpur é um martírio. O trânsito é infernal e “calçada” é um conceito ainda inexistente por lá. Anda-se no meio dos carros, respirando fumaça e desviando dos retrovisores.

O transporte público sobre trilhos da cidade é realmente funcional, mas a profusão de linhas de monotrilho formando “minhocões” na paisagem chega a ser agressiva. Juntamente com a publicidade exagerada e quase sempre brilhante, Kuala Lumpur parece uma espécie de São Paulo futurística pós-hecatombe.

Aliás, taí uma definição que desde cedo nos fez pensar. Toda a sujeira e a aparente sensação de insegurança dessa metrópole nos fez pensar em um lugar que conhecemos muito bem… E digo mais: Se não fosse pelas mesquitas e monumentos islâmicos espalhados em cada esquina, Kuala Lumpur poderia ser facilmente confundida com qualquer grande cidade brasileira.

Sem saber mais se estávamos em Rio Comprido ou em Kuala Lumpur, no Brás ou na Ásia, decidimos voltar correndo pra “casa” – é assim que, sem querer, acabamos chamando as acomodações onde pernoitamos. Já estávamos fartos da República Federativa Islâmica do Brasil, ou melhor, Malásia.

À tardinha, com fome, resolvemos dar mais uma chance para a rua e fomos em busca de algo para comer. E mais uma vez fomos surpreendidos pela inaptidão dos restaurantes locais em informarem os preços. A maioria funcionavam como self-service, mas eram incapazes de explicar o modus operandi dos preços. “Comida a quilo” é uma invenção tipicamente brasileira, sem balança e muito menos sem funcionários que pudessem falar inglês, realmente não sabíamos como… comer! Se você souber como funciona um self-service da Malásia, por favor, explique-nos.

Mesmo sendo um país relativamente barato, o medo de ser sobretaxado pela fato de ser turista é algo que quase sempre ronda nossas cabeças – apesar de, até hoje, sempre termos sido respeitados nessa questão. Preferimos não arriscar. Após discussões acaloradas e stress de ambos os lados, optamos pelos óbvios fast foods da região. No Sudeste Asiático, Mc Donald’s, KFCs e Burguer Kings sempre serão opções baratas de refeição, apesar de nada tradicionais. A graça daqui era ver nas embalagem dos sanduíches o símbolo de “Halal”, como é conhecido o método muçulmano de cozinhar de acordo com os preceitos do Alcorão.

Contanto que lavassem as mãos antes de pegar nos hambúrgueres, já estávamos felizes…

Felizmente encontramos opções locais de lanches que nos fizeram ficar menos aborrecidos com a culinária malaia. Arranjamos um pastelzinho delicioso de ovo com batata doce ao curry (!), acompanhado de um caldo de cana geladíssimo.

Ainda assim, estava difícil acomodar-se ao estilo de vida da “cidade grande”. Tínhamos vindo de 24 excelentes dias de descanso em Bali, e logo depois fomos introduzidos mansamente à super qualidade de vida de Singapura. Encarar uma Malásia, com problemas e mazelas tão conhecidos da gente (mas que já tínhamos quase esquecido…), mexeu como nossos ânimos. Nunca brigamos tanto. Nunca gritamos tanto.

Aliás, se tem uma coisa boa na Malásia em comparação com o Brasil é que lá ninguém fala português. O que é ótimo para xingar bem alto – o país, o clima, o trânsito, o cônjuge, tanto faz – sem ser notado nem repreendido. Como se não bastasse toda nossa dificuldade de adaptação, ainda fomos premiados no dia de nossa chegada com a coincidência do início do mistério do voo MH370. Maravilha: Estávamos em um país que misturava desordem, regresso e consternação por uma possível tragédia.

Decididos a não deixar que todas as chateações arruinassem com nosso dia, fomos em busca do símbolo de modernidade de Kuala Lumpur: as Petronas Towers, maiores torres gêmeas do mundo!

Os prédios são inegavelmente bonitos, mas chega a ser até destoante colocá-los em uma cidade tão… feia. Por que verdade seja dita: Com exceção dessas torres, não há em KL nenhum outro edifício digno de nota.

Conforme vai anoitecendo, os arranha-céus vão ficando cada vez mais lindos, graças à iluminação de bom gosto.

O mesmo não pode ser dito do show de água e luzes que tentaram fazer na pracinha ao redor… bem sem graça, nem se compara ao que vimos em Macau. Além do mais, não tem nada de autêntico: a música de fundo é um daqueles sons pop turcos da trilha sonora de alguma novela da Glória Perez. Ficou artificial demais, para dizer o mínimo.

Em nosso segundo dia no país, a Malásia não havia conseguido nos conquistar. Kuala Lumpur, sua capital, muito menos. Felizmente ainda tínhamos algum tempo para explorar o país e ter melhores experiências…

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  1. Pingback: Em Busca de uma Malásia mais Light | Os Incomodados que se Mudem!

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