Malásia, a Ásia do Mal? – Primeiras Impressões

39º Dia – Johor Bahru, 7 de Março de 2014.

Ainda em Singapura, tivemos a oportunidade de ficar hospedados via Couchsurfing na casa de uma família típica de Singapura. Ou talvez nem tão típica assim – o pai, Mr. Loke, era um senhor que já deu várias voltas ao mundo a trabalho (“É um saco ter que trocar de passaporte todo ano…”) e chegou a visitar o Brasil algumas vezes. Feliz por ter brasileiros em casa, principalmente após lhe termos feito relembrar o sabor do arroz com feijão e até uma caipirinha tosca que arriscamos, nosso amigo resolveu atravessar de carro todo o território de Singapura e, com a gente de carona, atravessar a fronteira da Malásia!

Falando assim até parece uma road trip daquelas, mas a verdade é que Singapura tem menos da metade do tamanho da cidade de São Paulo. Ou seja, em pouco mais de meia-hora estávamos carimbando nossos passaportes e entrando em território malaio!

A diferença entre os dois países é brutal. Singapura é rica, moderna e organizada nos mínimos detalhes, mas a primeira impressão que a Malásia nos causou foi totalmente o contrário disso! Assim que atravessamos a causeway, vimos como a cidade fronteiriça de Johor Bahru era suja, pichada, cheia de cortiços, poluída e com um aspecto terrível de abandonada. Entramos em um shopping para comprar água e o lugar fedia a durian. Logo entendemos o porquê do país vizinho ter proibido o consumo dessa fruta em locais fechados… Aliás, entendemos boa parte das proibições de Singapura. Tudo na Malásia desde já aparentava ser desorganizado e sem lei.

Nossa travessia por terra entre os dois países tinha um propósito: era dessa primeira cidade que pegaríamos um trem noturno de longa distância e iríamos para Kuala Lumpur. Ao longo dos próximos textos ainda falaremos muito mal da Malásia, mas uma coisa precisamos admitir: o sistema de transportes ferroviário do país realmente funciona, e é admirável a facilidade de cruzar o país de uma ponta a outra somente usando trens.

O problema de ter pego a carona com Mr. Loke é que acabamos chegando cedo demais na Malásia. Ainda não era hora do almoço e já estávamos lá, mas nosso trem só partiria de madrugada. Foi aí então que nosso simpático amigo resolveu fazer um tour com a gente pelas “maravilhas” de uma cidade fronteiriça no meio do nada como aquela. Shoppings duty free, cassinos, inferninhos bizarros frequentados por mafiosos, restaurantes de qualidade duvidosa e a presença de imigrantes indianos que sempre eram apresentados como “amigos”, apesar da clara falta de intimidade e nítida relação de prestação de serviços entre as partes.

Era engraçado ver um cidadão de Singapura tão à vontade naquele lugar. E foi observando que percebemos que a relação entre o povo singapuriano com a Malásia é bem parecida com a que os brasileiros têm com o Paraguai. Assim como fazemos em nosso vizinho mais pobre, é aqui que o pessoal de Singapura vem abastecer o carro com combustível mais barato, comprar bugigangas, fazer um passeio de fim de semana, etc. Ficávamos cheios de medo ao atravessar as ruas movimentas de trânsito frenético da cidade, sem sinais ou faixas de pedestre, mas Mr. Loke, ao contrário, atravessava no meio da rua devagar, sorrindo e acenando… Quando em Singapura ele teria a oportunidade de “desafiar o sistema” desse jeito?

Algumas horas depois, já nem ligávamos mais quando Mr. Loke – após lavar o carro, cortar o cabelo e fazer algumas compras (“Aqui é tudo tão mais barato que Singapura!”) – nos levava a algum lugar desconhecido e apresentava mais alguns de seus “amigos”. No fim do dia, ele ainda pagou nossa janta e até parou em uma farmácia para comprar um xarope anti-tosse (!) pra gente, haja vista a tosse irritante que nos acompanhou durante nossa estadia.

O homem, o mito.

No final das contas, acabamos tendo um dia mais divertido do que o esperado e enfim estávamos prontos para encarar as longas horas de trem que nos separavam da capital da Malásia.

Escolhemos o vagão da segunda classe, e até que a viagem não foi das piores. O assentos não reclinavam, mas eram confortáveis. Chegamos no início da manhã em Kuala Lumpur, em seu gigante terminal ferroviário. Essa cidade ainda nos reservaria boas surpresas… Ou talvez nem tão boas assim.

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5 respostas em “Malásia, a Ásia do Mal? – Primeiras Impressões

  1. Pingback: Em Busca de uma Malásia mais Light | Os Incomodados que se Mudem!

  2. Tanto kuala lumpur quanto Singapura : São horríveis ! Horríveis para tudo : Passear, comer, vestir, se calçar, fazer amizades, morar … Deus me livre, eu quero voltar para o meu país o mais rápido possível . Posso dizer seguramente que tive as piores experiências da minha vida nesses lugares ! Agradeço desde já a oportunidade . Abraços .

    • Poxa, que pena!

      Adoramos Singapura, e a Malásia, apesar de todos os problemas, nos pareceu ter pessoas bem legais. Espero que tudo dê certo com seus planos, boa sorte!

      2014-07-20 11:44 GMT+02:00 Os Incomodados que se Mudem! :

      >

  3. Fico Pasma com o teu comentário sobre a Malásia. Eu amei aquele País, as pessoas e principalmente os policiais porque eles faziam questão de nós orientar. A comida nos shopping achei barato, nas ruas tb. As massagens nas ruas tb amei muito barato e bem feito. Eu quero muito voltar lá. Comprei tb muita roupas baratas.Eu não cheguei a ir do lado nordeste das famosas praias nós fomos a uma ilha chamada pangkor amei a ilha.Agora em relação a praia te digo uma coisa quem já foi em uma praia muito bela será difícil gostar de qualquer outra praia.Adorei o Blog beijos

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