Entrando no Reino Encanto de Sião

46º ao 49º Dia – Krabi e Ao Nang, 14 a 17 de Março de 2014.

A História do Reino da Tailândia (sim, esse é o nome oficial do país!) é repleta de ascensões e quedas de impérios, desde quando ainda se chamava Reino de Sião. Regida por uma monarquia que tem status de semideuses, a Tailândia foi o único país do Sudeste Asiático a não ser colonizado pelos europeus – apesar de serem eles os principais turistas a vir pra cá atualmente. Ainda iríamos aprender muito sobre esse país!

Chegamos por mar, em um ferry de Langkawi (Malásia) até Satun (Tailândia), viajando pouco mais de uma hora em uma embarcação bem confortável.

Nossa primeira imagem da Tailândia: Um monge tirando foto de outro monge.

A Imigração é rápida e logo estamos com os passaportes carimbados e pisando oficialmente em território tailandês. Não sabíamos da distância entre o terminal de ferries e a rodoviária, então acabamos pegando um táxi (150 baht/U$4,50), valor negociado, e que acabou valendo a pena porque realmente era longe.

Na rodoviária, as primeiras diferenças ficam bem ressaltadas. Que RAIO de alfabeto é esse? Não ia ser fácil se virar nos primeiros dias por aqui…

E não ia mesmo. Penamos até encontrar algum funcionário dos guichês que pudesse falar inglês. Quando enfim encontramos, bateu aquele medinho de ser explorado e acabar pagando mais caro só porque éramos turistas e simplesmente era impossível entender o idioma escrito – até os números são diferentes. Felizmente, como iríamos descobrir ao longo dos 35 dias que ficamos nesse país, é que a Tailândia é um dos lugares mais confiáveis do mundo. Com óbvias exceções – taxistas e motoristas de tuk-tuk – todos os demais funcionários de empresas turísticas estarão sempre prontos para te ajudar e não se aproveitarão da situação para obter lucros indevidos.

Por 460 bath (U$14) cada um, valor correto de acordo com o guia que lemos, pagamos nossa ida de minivan até a cidadezinha de Trang, e de lá um ônibus até a cidade de Krabi, porta de entrada para aqueles que desejam visitar as famosas ilhas tailandesas do Mar de Andaman.

Mais um choque cultural, dessa vez com os ônibus tailandeses: “cafonas”, para dizer o mínimo, com cortinas rosas, tetos almofadados e até karaokê. Parece que saiu direto da década de 70/80 pra cá.

Os 400 km de viagem demoram mais do que o esperado para passar e já chegamos às escuras na cidade de Krabi. E por escuridão, não me refiro somente ao horário da noite, mas sim ao ambiente completamente no meio do nada que o ônibus nos deixou. Não acreditei que aquele ali seria o ponto final e tive que confirmar com o motorista…

Andamos e não encontramos muita coisa a não ser uma rua com escassas barraquinhas de comida local e um 7-Eleven perdido. Como sempre, essa rede de lojas de conveniência é nossa salvação e comemos alguma coisa por lá antes de encontrar algum lugar para passar a noite.

A dificuldade em encontrar alguém capaz de falar inglês persistiu, dessa vez até em quem deveria ser obrigação saber: o recepcionista do único hotel que encontramos. Após mostrar-nos o preço da diária na calculadora, o diálogo baseou-se, resumidamente, em “yes, yes” a qualquer pergunta que fizéssemos, mesmo que fosse “a que horas é o check-out?” (“Yes, Yes”) “qual a senha da wi-fi?” (“Yes, Yes”). Complicado.

E pra completar, ainda nos deram um quarto com camas separadas!

Mas o pior ainda estava por vir: em uma das minha inúmeras tentativas frustradas de comunicação com o recepcionista, desci do quarto para tentar descobrir a senha da wifi e, ao voltar, esqueci completamente o número do quarto. O corredor e todas as portas eram iguais, e como já era tarde, preferi não bater na porta e correr o risco de perturbar algum outro hóspede. Falar com o funcionário não iria adiantar, ele não ia entender mesmo. Decidi então sentar no corredor e esperar até a hora que Carol percebesse minha ausência.

O que eu não sabia é que eu estava no 2º andar, e o nosso quarto era no 3º! Estranhei a demora da Carol em abrir a porta, fiquei andando para um lado e pro outro, e passado quase uma hora de espera, eu já havia preparado um longo discurso sobre a falta de atenção dela comigo e até imaginei que teria que passar a noite do lado de fora.

Até que, enfim, apareceu o recepcionista com uma cara de aflito, que quando me viu fez uma exclamação em tailandês que realmente espero que seja de alívio… Seguindo-o, subi as escadas e dei de cara com uma Carol aos prantos, tentando falar com a outra funcionária em um inglês pior que o dela. Tadinha, ela só faltou desmaiar…

Mais calma, fomos tentar ver alguma coisa na televisão. Os canais no idioma incompreensível já nos mostravam através das propagandas e videoclipes um pouco da cara da Tailândia. Logo confirmamos uma das nossas primeiras impressões ao começar a viagem: música ruim tem em todo o mundo!

É uma mistura de tecnobrega com forró e pop adolescente, é uma maravilha a qualidade musical do sudeste asiático – na Tailândia não é diferente. Ainda tivemos a oportunidade de assistir a um dos clipes de maior sucesso do país ultimamente: “Transgender Woman Never Cheats”.

O vídeo conta a história de dois amigos de infância, no qual um deles se apaixona pelo outro e acaba sendo rejeitado por ser homossexual. No futuro, o amigo gay faz uma cirurgia, “vira mulher”, encontra com o outro amigo e… bom, não vou estragar a surpresa do clipe. Sucesso na Tailândia e até mundialmente, a história poderia passar-se por apenas mais uma produção surreal e polêmica, se não fosse uma realidade constante do país.

A convivência em sociedade dos transsexuais – aqui chamados de ladyboys –  é muito bem aceita no país. Ao contrário dos travestis no Brasil, quase sempre restritos à prostituição, por aqui eles trabalham normalmente em lojas, bancos, lanchonetes, desempenhando todas as funções normalmente, mesmo “caracterizados”. Apesar do nosso estranhamento inicial, nunca vimos nenhuma forma de preconceito. Mas são bem famosas as histórias dos turistas que vão ao bar paquerar uma gatinha e só mais tarde descobrem que ela não era bem… “ela”.

Tratamos de sair cedo no outro dia rumo à Ao Nang, região costeira a 15 km de Krabi. Para isso, pegamos um songhateow, como são chamados as caminhonetes que fazem o transporte público por aqui.

Ao Nang é bem desenvolvida e tem de tudo: fast food, supermercados, centenas de agências de turismo, etc. Justamente por isso, nos assustamos com o alto preço das hospedagens e demoramos a achar um lugar dentro do nosso orçamento. Acabamos ficando afastados da praia (uma caminhada de 20 minutos), no Star Guest House. A primeira diária foi 500 baht (U$15), mas como ainda ficaríamos mais dias, negociamos para 400 baht (U$12).

A escolha acabou se mostrando equivocada. Optamos por nos hospedarmos em Ao Nang para não pagar pelos altos preços de Railay Beach, uma das praias mais bonitas da região (segundo dizem), somente acessível por barco e cheia de resorts. Mas nos quatro dias que ficamos por lá, acabamos sentindo um pouco o cansaço da Malásia e ficamos com muuuita preguiça de caminhar até à praia todo dia, não fomos à Railay e nem ao passeio imperdível (que perdemos) das 4 Islands.

A praia de Ao Nang até que é bonitinha, mas o tempo nublado e a incrível quantidade de macacos (!) não ajudou a nos sentirmos à vontade.

Sorte nossa é que não só de praia vive Ao Nang. Aos finais de semana uma feirinha simpática é montada em uma das ruas, com várias opções de refeições, desde kebab pad thai, sempre muito barato. E por falar em comida, além da rede internacional de supermercados Tesco que tínhamos por perto, vendendo refeições simples (geralmente arroz com omelete) a partir de 10 baht (U$0,30), encontramos um lugar bem aconchegante com pratos típicos com frutos-do-mar, a partir dos 50 baht (U$1,50), caprichadíssimos:

fried rice e o pad thai seguiriam como nossos inseparáveis companheiros de viagem na Tailândia. Esses são os pratos mais típicos e mais baratos, mas também os mais gostosos que encontramos por aqui. Vamos variando entre as opções de frango, vegetais, carne e frutos-do-mar, e sempre nos surpreendendo com os novos temperos. Parece que cada restaurante/barraquinha tem o seu próprio modo de fazê-los, e uma refeição nunca é igual a outra.

Apesar do turismo exageradamente desenvolvido, a Tailândia ainda consegue ser bem autêntica e manter suas tradições. Passamos dias bem preguiçosos em Ao Nang, sendo levemente introduzidos ao modo de vida do país e suas particularidades. Mas era hora de deixar a moleza de lado e encarar um dos roteiros mais ambiciosos que já montamos: visitar todas as mais famosas ilhas tailandesas!

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4 respostas em “Entrando no Reino Encanto de Sião

  1. Em minha viagem a Tailandia depois de uns dias em Phi Phi pretendiamos ir para Railay, mas os preços estão altissimos. Então a escolha será Krabi, me digam uma coisa, em Krabi tudo é pertinho para o pier ou é melhor mesmo ficar na praia? Também estou com medo da preguiça atacar … rs

    • Na verdade Krabi é uma cidadezinha pequena e sem praia, ela é apenas um ponto de partida para as praias mais próximas . Nos chegamos lá e fomos direto para a praia de Ao Nang, a 15km de distância, bem bonitinha e com bastante passeios a ilhas próximas.

      Inclusive, de lá saem varios barquinhos para Railay a preços irrisórios, coisa de U$3-5, pode valer a pena, que tal?

  2. E sobre distâncias: Ao Nang têm várias opções de acomodação, algumas bem em frente à praia. Nós é que optamos por ficar longe pra pagar mais barato e acabamos sucumbindo à preguiça, rs. Não tem problema nenhum se hospedar em Ao Nang, apenas escolham um lugar mais perto que a gente!

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