Especial Ilhas da Tailândia: Koh Phi Phi

54º ao 57º dia, 22 a 25 de Março de 2014.

Saímos da tranquilidade da ilha de Koh Lanta para a agitação de Koh Phi Phi. Essa provavelmente é a ilha mais famosa da Tailândia, e é daqui que partem os passeios até Maya Bay, nosso próximo destino dentro de alguns dias.

A ilha é lotada, como se pode imaginar. Para piorar, as ruas são apertadinhas, as acomodações são sempre caras (para os padrões asiáticos) e tudo, absolutamente tudo, é voltado apenas para o turismo.

Cursos de mergulho, bares, casas de show, tudo se mistura por lá. Em determinado momento até chegamos a encontrar uma placa escrita em português: “Aí Galera (sic), se quiser fazer mergulho entrem em contato conosco, tel: XXX-XXXX“. Acho que o Bruno de Lucca se mudou pra Tailândia e ninguém falou nada…

Penamos para encontrar um lugar para ficar que coubesse no nosso orçamento. Por fim, encontramos a Lux Guesthouse. Por U$15 a diária – nosso teto máximo de hospedagem – tínhamos um quartinho bem chinfrim, na subida do “View Point”, um ponto famosos da ilha onde as pessoas sobem para ter uma visão panorâmica. O problema não era nem a escada que dava acesso ao local, mas sim o forte cheiro de esgoto já que ficávamos próximos à estação de tratamento… Mas era a opção mais barata. Ou isso, ou gastávamos mais caro ainda (!) para ficar em quarto compartilhado de hostel.

Acabamos trocando de hospedagem no outro dia, e fomos para a Phi Phi Dream Guesthouse. Mesmo preço, mesma localização, mesmo fedor, mas pelo menos a internet era melhor. “Same same but different“, como os asiáticos adoram dizer.

Os proprietários colaram na parede algumas fotos do lugar antes do tsunami de 2004. A ilha de Koh Phi Phi foi uma das ilhas mais afetadas pelo maremoto que devastou o Sudeste Asiático naquela época. Tudo foi destruído. Levaram algum tempo para se reerguerem, mas hoje toda a infraestrutura da ilha já foi recuperada.

É desolador relembrar essa tragédia. Na manhã do dia 26 de Dezembro de 2004, um tremor de 9,1 na escala Ritcher atingiu o Mar de Andaman, criando ondas fortíssimas – algumas de mais de 30 metros de altura! – que foram engolindo tudo o que encontravam.

Não bastasse a perda material, muita gente também morreu, entre nativos e turistas. Estima-se um número de 200 mil mortos e 50 mil desaparecidos.

Os números impressionam, mas não custa lembrar: 200 mil é o número de mortes violentas no Brasil de quatro em quatro anos, em média. É como se houvesse um tsunami de homicídios no país a cada Copa do Mundo.

A Tailândia e boa parte dos países afetados pelo desastre já se recuperaram. E não é só isso: também investiram em prevenção, adquirindo sofisticados equipamentos capazes de dizer com exatidão a hora certa e a magnitude de uma eventual nova revolta da natureza. Em todas as praias do país que estivemos, é fácil encontrar uma plaquinha com a rota de fuga mais próxima em caso de tsunamis.

200 mil mortos chocam. Esse número enorme fez a Tailândia chorar, mas também aprender. Enquanto o maior inimigo desse país é a força imprevisível da natureza, no Brasil o maior inimigo é a pura incompetência administrativa ao gerir a Educação e a Segurança Pública. O resto da história você já conhece.

Quantos “tsunamis” o Brasil também já não sofreu? Pare e pense. E fica a pergunta: onde é a verdadeira tragédia?

Koh Phi Phi, como é de se imaginar, não é o lugar mais autêntico de todos – e nem o mais bonito. Mas é parada obrigatória para quem quer conhecer um pouco mais da fascinante indústria do turismo tailandês – ok, às vezes nem tão fascinante assim.

Para nossa surpresa, além da infinidade de passeios e cursos de mergulho oferecidos na ilha, há também uma vida noturna bem agitada por lá. Nós, que não iríamos à Full Moon Party, acabamos tendo uma pequena amostra da festa em Koh Phi Phi, onde a música alta nos bares à beira-mar toma conta do ambiente. Alguns artistas fazem suas performances circenses com fogo, o que dá um clima bem diferente àquela festa no meio da areia!

Nos divertimos um pouco, mas não somos tão chegados à festa assim. Saímos cedo, mas pelo barulho que chegava ao nosso quarto, a festa foi até o amanhecer. Alguns turistas parecem exagerarem bastante nas comemorações, pois o cenário da manhã é de gente caída no chão, desamparada, com o olhar perdido ou vomitando – às vezes tudo ao mesmo tempo.

As praias mais conhecidas de Koh Phi são bem rasas e, sinceramente, não são das melhores. Mas as melhores atrações de Koh Phi Phi estão nas ilhas e praias dos arredores.

Por 400 baht (U$12), alugamos um caiaque por 5 horas e fomos remando até a Monkey Beach.

Que lugarzinho lindo! Um óasis em meio à tanta turistada. Como fomos no finzinho da tarde – hora em que a maioria dos passeios fretados já foi embora -, conseguimos pegar a praia bem vazia e bonita.

Como o próprio nome já diz, essa é a praia dos macacos, mesmo! Eles estão por toda a parte, famintos como sempre, fazendo gracinhas e até sequestrando os pertences dos turistas em troca de banana.

O tempo passa devagar nessa praia, e não há muito o que fazer. Pequenina, atravessamos toda sua extensão em poucos minutos. Só quando o sol vai se pondo é que decidimos remar de volta à praia principal. Demos sorte e pegamos um por-do-sol lindo.

Mas lindo, lindo mesmo, era o que o outro dia nos reservava…

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4 respostas em “Especial Ilhas da Tailândia: Koh Phi Phi

  1. Pingback: Uma Noite em Maya Bay | Os Incomodados que se Mudem!

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