Hong Kong – O Que Vimos e Quanto Gastamos

Ah, Hong Kong…

Sentiremos saudades desse país tão moderno e tão único. Seus shoppings luxuosos repletos de grifes mas sem porta automática, os telefones públicos que emitem sinal wi-fi e que só aceitam moedinhas, os restaurantes sofisticados que vendem caviar e também miojo…

E o que falar dos Mc Donald’s e lojas de conveniência presentes em cada esquina? Do sistema de transporte público sem falhas, das criancinhas independentes que manuseiam câmeras e tablets maiores que elas próprias, ou das imigrantes filipinas que se aglomeram em multidões nos dias de folga formando um caldeirão cultural em plena metrópole? Isso sem contar o pulinho inesquecível em Macau e o brilho de seus cassinos.

Tentamos resumir essa primeira etapa de nossa viagem em um vídeo, assista:

Hong Kong está longe de ser um destino caro como o Brasil, mas também não é tão barato quanto seus vizinhos do Sudeste Asiático, famosos pelo baixíssimo custo de vida.

Fomos para Hong Kong preparados para gastar um pouco mais do que o habitual, já que precisaríamos comprar por lá uma série de coisas (câmera, tênis, pendrive, bolsa à prova d’água, adaptadores, etc). Baseando-nos em algumas pesquisas prévias e nos relatos de viajantes que já estiveram por lá, estipulamos nosso teto de gastos em U$66 por dia.

A boa notícia? Mesmo comprando tudo que precisávamos – e um pouco mais, gastamos menos que o previsto. Segue abaixo a nossa planilha de gastos diária:

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Ao final de 11 dias, gastamos U$683,54, ou o equivalente a U$62,13 por dia. Sim, raspando, mas conseguimos poupar U$3,87 por dia, ou U$42,46 ao total (o que já paga uns dois dias na Indonésia!).

De acordo com a tabela, é importante salientar que nosso maior gasto foi no campo “Misc.”, ou seja, justamente as compras que precisávamos fazer. Sem elas, economizaríamos pelo menos 1/3 dos gastos.

Não gastamos absolutamente nada com hospedagem (viva o Couchsurfing!), e economizamos na alimentação dando preferência às comidas locais e ao fast food. No transporte, acabamos gastando bastante, principalmente por conta do alto preço das passagens para Macau.

A surpresa se deu por conta das Atividades, que apesar de serem muitas, aproveitamos quase tudo sem pagar nada: fomos aos museus no dia gratuito, fizemos a trilha para o The Peak (ao invés de pegar o bondinho) e curtimos as praias e os templos. Só não abrimos mão de visitar o Big Buddha de teleférico, e pagamos por isso, porque sabíamos que seria uma experiência inesquecível.

Hong Kong é incrível e vale cada centavo. Mas cá entre nós: Nesse exato momento, estamos na Indonésia vivendo uma vida de patrão gastando menos do que a metade dos custos de Hong Kong… E isso é perfeito!

Fique ligado, os próximos textos serão sobre esse lugar sensacional!

Viajando nas Comidas de Hong Kong

Aqui é assim: você chega em qualquer restaurante, escolhe qual cachorro vai comer e o cozinheiro mata o bicho com um facão na hora. A carne dos filhotinhos desmamados é uma delícia – mas se for poodle, custa mais caro.

Carol viciou no sabor da carne canina, a ponto de sair atacando os pobres animais de estimação no meio da rua. Este aí embaixo, por exemplo, ela nem quis esperar ser cozinhado. Tirou o canivete do bolso, abriu o ventre do animal e sugou as vísceras dele ali mesmo.

E antes que você queira nos denunciar para o órgão de proteção aos animais, um aviso: É tudo mentira. Apesar do preconceito e ignorância de muitos sobre a culinária asiática, é necessário dizer que Hong Kong é moderna demais, cosmopolita demais, e chique demais para comer cachorro em pleno século XXI. É muito provável que o anúncio da primeira foto seja de um restaurante “para” animais de estimação, e não “de”onde os chineses de classe média-alta podem levar seus pets para comer que nem gente grande.

Não que tenhamos algo contra carne de cachorro – acredite, deve ser muito pior para um hindu indiano ver você comendo a carne da deusa dele, a vaca. Comida bizarra mesmo, só no Brasil, onde há bem pouco tempo vendiam salgadinhos de carne humana. Por aqui, a alimentação tem mais a ver com fatores culturais e históricos do que o apelo grotesco da coisa.

Apesar de não termos mergulhado a fundo na vasta culinária chinesa, experimentamos (e vimos!) o suficiente para falar um pouco de tudo. Acompanhe-nos nesse passeio gastronômico (ou, no nosso caso, gastroeconômico)!

NOSSOS AMIGOS, OS NOODLES!

São tantos sabores e marcas que os mercados precisam de departamentos inteiros só pra eles.

Não dá para fugir deles em Hong Kong! Os noodles – nosso famoso miojo – são o lanche típico daqui, comidos a qualquer hora e em qualquer lugar. Você vai ver gente comendo noodles tanto em restaurantes finos quanto em barracas de rua, onde podem ser servidos até mesmo dentro de sacos plásticos (!).

Noodles ao alho comprados no “7 Eleven”, muito apimentado para o gosto da Carol. Para piorar, vimos umas latinhas de bebidas bem baratas a base de Kiwi e Lichia e resolvemos experimentar. Só não sabíamos que eram uma espécie de cerveja, umas belas porcarias, aliás.

Os sabores são variados, e vão muito além de carne ou galinha. Camarão, frutos do mar e outras opções mais exóticas são bem comuns, geralmente encontradas em versões com ou sem pimenta. É possível não só comê-los já prontos, como também comprar o copinho e usar a água quente (quase sempre disponível nas lojas) para cozinhá-lo

Um copo de noodles (gigante!) acompanhado de uma latinha de “Grass Jelly”, um suco que mais parece geleia de mocotó – vem até pedacinhos dentro. Gosto horroroso, textura horrível!

As massas realmente fazem parte do dia-a-dia do cardápio de Hong Kong. Até as pastas mais encorpadas também vêm em centenas de embalagens e variações diferentes, para atrair todos os públicos.

O BIG MAC MAIS BARATO DO MUNDO

No Brasil, ir ao Mc Donald’s é um programa que fazíamos muito raramente (nosso Big Mac está entre os mais caros do mundo). Mas em Hong Kong, terra do Big Mac a menos de U$3 o combo, pudemos realizar um sonho de criança: comer no Mc Donald’s todos os dias!

Não houve um dia sequer que não tenhamos feito pelo menos uma de nossas refeições no M que todo mundo conhece. É barato, é gostoso, saudável e nutritivo, então por que não?

Não só o Big Mac estava barato, mas eventualmente também aconteciam promoções para o Mc Chicken e o Mc Fish (aqui chamado de Filet-O-Fish). Pra ficar perfeito, só faltou ganharmos uns brindes do Mc Lanche Feliz!

Existem também algumas particularidades regionais, como o Mc Spicy Chicken e a opção de chá gelado como bebida. Chamou-nos a atenção a deliciosa pimentinha que eles têm, a Thai Hot & Spicy Sauce. Levemente ardida, mas na medida certa, ela dá mais um sabor especial ao lanche do que de fato o esquenta. E como precisamos ir nos acostumando com os sabores apimentados da Ásia, pedíamos sempre!

MERCADOS E FEIRAS DE RUA (PS: NÃO TEM PASTEL DE FLANGO)

De aspecto meio esquisito, mas baratíssimas e lotadas de gente: Eis o resumo perfeito das barraquinhas e pequenas lanchonetes de Hong Kong!

Ok, algumas são esquisitas demais. Não sabemos informar o que estava sendo cozinhado aí…

É possível encontrar de tudo por aqui (menos pastel com caldo de cana, para nossa tristeza). As feiras de rua são o lugar perfeito para fazer alguns experimentos com o paladar. Nem sempre o resultado é bom, mas vale tentar.

Os espetinhos comandam por aqui. Algumas iguarias orientais, como fish balls, tofu e kani podem ser encontrados, misturados com tantos outras opções que a gente até se confunde. A maioria é frito, e nem sempre vão entender suas súplicas para não colocarem pimenta…

Na ausência de líquidos, felizmente o açúcar é capaz de minimizar a ardência na boca. Uma sobremesa bem conveniente para isso são os egg waffles, bolinhas doces a base de ovo, crocantes e de sabor “diferente”, para dizer o mínimo.

Mas não só de frituras e pimenta vive a culinária de Hong Kong. Quem diria, dá pra encontrar barraquinhas de frutas, como em qualquer feira do Brasil. Tangerinas, bananas e uvas custam pouco, e ainda há a opção de frutos mais típicos, toranjas, melões e peras de cores (e tamanhos) diferenciados…Pra quem prefere levar uma alimentação mais saudável, dá pra aproveitar bastante.

Mas basta andar um pouco mais e o choque cultural surge a partir da venda de carne – geralmente de porco e frango -, vendidos ao ar livre, sem refrigeração e com um aspecto bem diferente do que estamos acostumados.

Os frangos, principalmente, são vendidos quase sempre inteiros. Ou então, em partes menos nobres, como o pé e até carcaça (!). Foi mais difícil achar peito de frango por aqui do que feijão preto. E quando finalmente achamos – surpresa! -, era da Sadia, made in Brasil. 

Também é possível encontrar muitas variedades da ave por aqui, como um frango preto esquisitíssimo que até agora não entendemos bem o que é.

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E por falar em mercados, cada vez que entrávamos em um era uma experiência de viagem à parte. A quantidade de produtos diferentes é incrível, e o preço de alguns outros mais conhecidos é tentador. Sopa Campbell’s, batatas Pringles e sorvetes Cornetto, que quase nunca comprávamos no Brasil por causa do alto preço, consumimos aqui quase que diariamente justamente por que eram MUITO baratos.

Tudo é bem diferente nos mercados..

E por falar de mercados, o que mais chama a atenção por aqui é a comida fresca. Aliás, fresca não, fresquíssima: a maioria dos peixes e frutos do mar são vendidos ainda vivos! Ficam à exposição para os clientes em enormes aquários, e só são abatidos no momento da compra.

Isso pode gerar um certo mal-estar nos mais sensíveis. Confesso que ficamos bem assustados ao ver um peixe sendo decapitado na hora, e mesmo separados, seu corpo e cabeça ainda se mexiam bastante. Gravamos um vídeo disso, em breve postaremos.

SUSHI (COMIDA JAPONESA NA CHINA??)

Se tem uma maneira de jogar dinheiro fora que os brasileiros aprenderam muito bem nesses últimos anos de ilusão econômica foi o consumo de comida japonesa. Sempre tive horror ao ver como as pessoas são capazes de gastar tanto dinheiro em basicamente arroz com peixe cru, que por alguma razão que desconheço, são vendidos a preço de ouro no Brasil.

Mas nada que algum tempo na Ásia não nos fizesse repensar essa opinião. Sim, comida japonesa é modinha no Brasil, mas enquanto evitávamos por lá, só aqui aprendemos a apreciar seu sabor e leveza. Não só pelo status de comida saudável, mas também porque aqui essa é uma opção super econômica de refeição.

Algumas lojas, como a Sushi Take-Out, vendem peças avulsas a partir de R$0,50. Já um pratinho feito, recheado de diversas opções de sushi, salmão e molhos, sai por menos de R$5. Como resistir?

E assim foi nossa experiência gastronômica em Hong Kong. Amamos algumas coisas, enquanto outras nos reviram o estômago só de lembrar.

Agora é hora de se despedir definitivamente de lá e partir para os relatos de Macau, onde encontramos uma mistura da culinária chinesa com a lusitana. Pastéis de Belém, carnes secas e bem temperadas, aí vamos nós!

Hong Kong Nunca Acaba – Nossa Despedida

9º Dia – Stanley, 05 de Fevereiro de 2014, Hong Kong.

Essa é a época mais fria de Hong Kong, onde os termômetros chegam a marcar até 5ºC. Apesar da semana antes de chegarmos ter sido congelante, com mínimas abaixo do previsto, durante nossa estadia não tivemos nenhum problema com o clima que um casaco simples e manteiga de cacau não pudessem resolver.

Naquele dia, porém, o frio estava um pouquinho mais congelante que o normal. Saímos bem agasalhados da nossa ilha rumo a um passeio bem tranquilo: Stanley Markets, um conjunto de lojas de rua (ok, camelódromo!) bem próximos à uma praia tranquila, com alguns restaurantes por perto… um lugar bem aprazível para passar a tarde.

Olha o tamanho das mochilas da criançada!

No caminho, vamos cruzando as típicas paisagens de Hong Kong que tanto nos surpreenderam. Os ônibus de dois andares, o corre-corre das ruas e a incrível modernidade da cidade em contraste com os costumes tradicionais: mesmo na construção dos maiores arranha-céus, por aqui usam andaimes de bambu!

Durante o trajeto até Stanley, vamos percorrendo de ônibus uma bonita estradinha, de mão dupla e bem apertada, como quase todas em Hong Kong. Ainda assim é bem segura, mesmo que a direção em mão inglesa pareça que estejamos sempre na contramão.

Ao chegar no destino, fomos percorrer os labirintos que as feirinhas por aqui fazem, com lojas vendendo de tudo. Não se pode tirar foto por conta dos “direitos autorais” dos produtos, artesanatos e souvenirs em geral. Claro que, pagando, o problema acaba.

Mais a frente, a orla de Stanley aparece, rodeada de prédios mais clássicos e repletos de restaurantes com comida ocidental. Não sabíamos, mas essa região atrai bastante expatriados.

A praia por aqui atrai surfistas e praticantes de windsurf, mas não atrai muitos banhistas – até mesmo pelo clima do dia. Seja como for, após conhecer as belas praias de Cheung Chau e Lamma Island, ficamos mal acostumados…

A maior concentração de gente fica por conta de Stanley Plaza, um centrinho onde há shoppings, mais restaurantes, templos e muito espaço para crianças brincarem com segurança. É um resumo de tudo que Hong Kong oferece em termos de qualidade de vida, postos ali em alguns metros quadrados, para a alegria dos turistas e moradores expatriados.

Com o dia indo embora, aproveitamos para dar uma passada pelos bairros de Causeway Bay e Wanchai e seus edifícios gigantes. Mais uma vez Hong Kong mostra suas paisagens incríveis, capaz de mesclar os mais altos prédios com uma natureza fascinante. Cada detalhe é tão bonito e tão bem pensado no cenário urbano, que preferimos gravar um vídeo ao invés de tirar fotos. Em breve a gente divulga.

Seguimos para Lamma Island, onde estamos hospedados, mas não sem antes fazer umas comprinhas no mercado. Queríamos fazer uma surpresa para Reuben, nosso anfitrião.

Terminamos a noite com um belo prato de arroz e feijão com frango e milho. Aliás, não vimos dificuldade alguma de encontrar os ingredientes por aqui.

Nosso último dia inteiro em Hong Kong terminava ali, e era difícil aceitar que deixaríamos aquele lugar apaixonante para trás. Mas um novo destino incrível e surpreendente nos aguardava: Macau!

Macumbas Chinesas S/A: Encontrando com Buda de Teleférico

8º Dia – Lantau Island, 04 de Fevereiro de 2014, Hong Kong.

O Big Buddha é a maior atração – literalmente – de Hong Kong. A enorme estátua de Siddharta Gautama (budão, para os íntimos) fica encravada no vilarejo de Ngong Ping, em meios as montanhas. Enfrentamos uma fila de mais de uma hora para conseguir comprar os ingressos do teleférico, que variam bastante de preço de acordo com a “classe” desejada. Há teleféricos de luxo, individuais, envidraçados… evidentemente que escolhemos o mais simples (105 HKD, por pessoa), passagem só de ida (a volta seria de ônibus, bem mais barato, mas também há a opção da trilha). Queríamos ter essa experiência de cruzar os ares, que aliás, valeu muito a pena!

A viagem de aproximadamente 20 minutos já começa bem: passando por cima do mar!

Mesmo com o dia começando nublado, dá pra ver muita coisa lá de cima: as montanhas, os prédios, e até o aeroporto. Pra quem tem medo de altura, é um desafio e tanto! Mas acredite, todo o trajeto é bem seguro, o teleférico é bem estável. Vamos acompanhando a trilha que vai passando bem embaixo de nossos pés, um monte de gente prefere esse contato maior com a natureza.

Entre as idas e vindas dos outros teleféricos, os minutos finais do trajeto reservam a primeira vista do Buda, ao longe. Uma silhueta vai tomando forma e aguçando mais ainda a vontade de estar lá.

A chegada é bem ao estilo de Hong Kong: passa-se por dentro de diversas lojas, como em um pequeno shopping, onde lembranças são vendidas. Não dá pra entender a razão de comprar souvenirs de um lugar que mal chegamos, mas aparentemente todo mundo pensa diferente e faz fila para adquirir roupas, bonés, chaveiros, etc. Até fotos personalizadas – tiradas no exato momento em que entramos no teleférico, no início do trajeto – são vendidas por ali, em uma bela jogada de marketing. Quem não quer um brinde personalizado? Bom, a gente preferiu passar direto.

Não é só a quantidade de gente que impressiona – afinal, estamos em pleno feriado do ano novo chinês. A paisagem do lugar é incrível, e a vista para a montanha coberta pelas nuvens é de cair o queixo.

Felizmente o sol aparece e ajuda a iluminar nossas fotos, além de nos permitir tirar o casaco que usávamos nos 15ºC que faziam pela manhã.

O vento forte (e gelado!) é implacável, mas parece criar um clima ainda mais interessante ao local. Fomos andando rápido para esquentar e fazer o que todo mundo faz: subir as escadas para a principal atração.

Os 268 degraus passam mais rápidos e menos cansativos do que esperávamos. Enfim, estamos no topo.

Lá em cima, o ex-integrante do Nirvana não está sozinho: belas estátuas o circundam, prostradas aos seus pés e dando-lhe oferendas. Apesar do aviso bem claro de “Proibido jogar moedas”, os turistas chineses, ávidos pela prosperidade, insistem em jogar moedinhas nas estátuas, de forma que caiam nas mãos delas. Na terra do Big Mac a 21 HKD, impossível não resgatar algumas moedas de 1 e 5 HKD que insistem em vir rolando em nossa direção após rebaterem nas estátuas. Culpa dos chineses ruim de mira, e que Buda nos perdoe.

“Amor, disfarça. Pega essa moeda aí do chão e finge que vai jogar…”

Saindo do Buda, fomos dar uma passada nos templos próximos dali.

É tudo muito lindo por dentro. As pinturas, os detalhes de cada escultura e a decoração em ouro são de impressionar.

Mais do que simples trabalhos artísticos, é importante notar a devoção real do povo daqui pelos deuses representados nas imagens. A comparação mais próxima que poderíamos fazer com o Brasil seria a cidade de Salvador, mas nem lá acredito que o culto e as oferendas sejam tão numerosos quanto em toda Hong Kong, especialmente no período do ano novo chinês. Nesse vilarejo, as coisas ficam ainda mais evidentes.

As preces e o uso de incensos são práticas da maioria que passam por ali. Fica até difícil entender o que é religião, cultura ou simplesmente simpatias de prosperidade (que as igrejas evangélicas no Brasil adotaram muito bem, aliás).

Budistas ou não, é inegável que o Sidartão lá de cima é bem fotogênico e onipresente – pelo menos aqui na paisagem.

E assim se passou mais um dia incrível em Hong Kong, onde Budas, incensos, montanhas e pessoas formam um cenário de cartão postal.

Praias e Templos em Lamma Island

7º Dia – Lamma Island, 03 de Fevereiro de 2014, Hong Kong.

Após tirarmos um dia só para descansar, resolvemos sair da casa de nossos anfitriões em Kowloon. Já havíamos ficado dois dias a mais do que o planejado e já não nos sentíamos mais a vontade com o fluxo de gente naquele lugar. Digamos que nossos amigos recebem pessoas do mundo inteiro, e às vezes sem critério algum.

Tínhamos um couch já planejado para Lamma Island, uma das ilhas distantes de Hong Kong, alguns dias a frente. Antes de procurarmos um hotel, resolvemos contactar nosso novo anfitrião e verificar a possibilidade de chegar mais cedo. Ele aceitou, e tudo certo, lá fomos nós conhecer mais um local desconhecido pela maioria dos turistas.

Como sempre, as viagens de ferry por aqui são impecáveis. Essa não é diferente: um trajeto tranquilo de meia hora, onde a paisagem urbanizada da metrópole vai dando lugar a barcos de pesca e um visual típico de vilarejo. A mudança do ambiente é como da água pro vinho, e Hong Kong vai conseguindo nos encantar ainda mais.

Vista da casa do nosso novo anfitrião.

Acertamos o endereço e chegamos à casa de Reuben, um nova-iorquino no alto de seus 50 e poucos anos, incrivelmente simpático e de bom coração. Resolveu sair dos EUA e encarar o frenético mundo dos negócios asiático, sem abrir mão de morar perto da natureza. É o tipo de anfitrião bem incomum no Couchsurfing, já que é um empresário, bem-sucedido e super ocupado, mas por trás daquele típico estereótipo americano escondia-se um ex-mochileiro que, na juventude, havia passado semanas acampando em plena floresta amazônica!

A identificação foi imediata, conversamos muito sobre o Brasil, lugar que ele já foi algumas vezes, e até arriscou algumas palavras em português com a Carol. Fomos tratados super bem e dormimos no sofá mais confortável que já vimos. Nosso amigo até cozinhou pra gente um excelente macarrão à carbonara com salada de abacate. Nos sentíamos hospedados na casa de praia de um parente. Precisávamos desse conforto após seis dias dormindo no chão de um lugar movimentado e barulhento, como era a casa que estávamos em Kowloon.

Tiramos o dia para conhecer melhor a ilha que estávamos e não poderíamos ter tomado decisão melhor. O lugar é lindo, a começar pelos templos que enfeitam o local e servem de santuários para os deuses que os chineses tanto fazem oferendas.

Foi realmente uma surpresa constatar a quantidade de macumbas chinesas espalhadas em Hong Kong, especialmente nas regiões litorâneas. Rituais quase sempre voltados para pedidos de prosperidade, com a onipresente figura das tangerinas espalhadas em cada canto.

Vimos várias dessas a partir da trilha que sai de Sok Kwu Wan, lugar da ilha onde estávamos. Seguindo a dica de nosso anfitrião, resolvemos não fazer a “Trilha da Família” e seguimos por outro caminho mais desconhecido, mas que nos levariam a lugares bem mais bonitos.

Vista do alto da trilha

É incrível como as trilhas de Hong Kong são bem planejadas. Não bastasse o caminho ser pavimentado, contam também com corrimão, banheiros públicos adaptados, máquinas de água e refrigerante por perto, além de lixeiras com coleta seletiva. E não é só isso: postes ao longo do caminho dão a certeza de que uma possível volta à noite será bem iluminada. Há até de tantos em tantos metros pequenas caixas de areia onde os dejetos dos cachorros podem ser depositados. Nunca vimos nada nem parecido com isso!

Chegamos na primeira praia do trajeto, Mot Tat Wan. É bem simples, com um restaurante por perto e um píer de onde saem ferrys para a cidade pela metade do preço. Fomos seguindo em frente pelo belo caminho…

No caminho, uma senhorinha vende carambolas, fruta facilmente encontrada por aqui. Quase compramos, mas resolvemos continuar caminhando e acabamos encontrando uma árvore dessa fruta, carregadíssima. Aproveitamos o presente da natureza (melhor que roubar tangerina da macumba!).

Mais alguns poucos passos e já conseguimos ver a próxima praia: é Sham Wan, com uma belíssima faixa de areia e água bem clarinha. Como viríamos a saber depois, é ali o lugar que as tartarugas marinhas de Hong Kong depositam os seus ovos.

A praia é exatamente do jeito que gostamos: selvagem e deserta. Além da paisagem em si, montanhas com uma vegetação típica complementam o cenário.

Foi inacreditável encontrar um lugar como esse em plena Hong Kong.

Como nosso anfitrião mais tarde viria a falar, parece que o governo de Hong Kong não se preocupa tanto em divulgar as belezas naturais das ilhas. E como o povo vive para trabalhar, também não têm tempo de usufruir desses pequenos paraísos, tão próximos da cidade.

Carol fazendo seu programa preferido na praia…

Ainda teríamos alguns dias de viagem pela frente e iríamos ver muito mais coisas. Essa cidade tão completa em termos de estrutura e urbanismo nos surpreendia mais uma vez com sua natureza exuberante. Lamma Island é um lugar que ficará para sempre gravado em nossas memórias!

Cheung Chau – O Lado B de Hong Kong

5º Dia – Cheung Chau, 01 de Fevereiro de 2014, Hong Kong.

Domingo tem cara de domingo em qualquer lugar do mundo.

Acordamos tarde naquele dia, por contas das celebrações do ano novo chinês na noite anterior. Nem tínhamos muitos planos, mas nossos anfitriões haviam deixado uma mensagem na mesa: “Tão a fim de dar um rolé na praia hoje?”. Hã, como assim? Praia em Hong Kong? Pois é.

Ficamos interessados na ideia, convencemos o Vinny, o mochileiro cearense que estava hospedado com a gente na casa, e marcamos por telefone um lugar para todos nos encontrarmos. Em poucos minutos, estávamos confortavelmente dentro do ferry boat, prontos para conhecer o lado Beach de Hong Kong!

Carol, nossos anfitriões, e o mochileiro do Ceará. Infelizmente a simpática senhorinha chinesa de óculos não quis nos acompanhar.

Hong Kong é formada por várias ilhas, sendo Hong Kong Island a principal delas. Logo em seguida temos Lantau Island (a ilha onde fica localizado o aeroporto, o Big Buddha e a Disneyland) e as Outlying Islands, conjunto de ilhas de menor expressão distantes em torno de 30 minutos da ilha principal. Cheung Chau é uma delas.

A viagem atrai até mesmo os moradores locais, que vão em busca de um pouco de natureza e paz bem próximo á metrópole.

A chegada à ilha mostra-nos que podemos até encontrar a natureza em seu território, mas “paz” vai ser um pouco mais difícil. Como tudo em Hong Kong, o lugar é cheio de gente.

Cheung Chau também é famosa por suas barraquinhas de frutos-do-mar. Por onde quer que se vá, existirão diversas opções mesclando camarões, ostras e lagostas. Aquários com peixes e siris vivos estão a disposição do cliente, que escolhe qual animal comer – é feito na hora, do jeito que os chineses gostam. Outras comidas mais diferentes também estão à disposição.

Dúvida cruel: frango…

…ou porco?

Mais do que pratos típicos, Cheung Chau é interessante por mostrar-nos, pela primeira vez, uma Hong Kong menos cidade grande e mais vilarejo. O máximo encontrado por aqui são casas de dois andares. As bicicletas predominam no ambiente. Crianças brincam sossegadamente nas ruas enquanto os barcos repousam ancorados.

Por aqui também existem vários templos, e começamos a perceber desde já como os chineses são surpreendentemente religiosos e apegados aos rituais. Veríamos muito mais manifestações como essa ao longo dos próximos dias.

Entrando nos becos e vielas, enfim vamos nos aproximando da praia. Existe um costume oriental, muito comum aqui em Hong Kong, de evitar o sol ao máximo. Segundo falam, quanto mais escura a pele deles, menos status teriam, já que poderiam ser confundidos por “trabalhadores braçais”, que ficam expostos ao sol todo dia. E quanto mais branca a pele, mais “nobre” você é…

Eles que continuem a acreditar nessa bobagem, mais praia pra gente! Ao contrário dos outros lugares da ilha, as areias não estavam lotadas, e os únicos presentes eram em sua maioria estrangeiros.

Ainda havia mais praia para o outro lado! Passamos por um heliporto e fomos chegando à Kwun Yam Beach.

Quem diria, uma praia praticamente só pra gente, e em plena Hong Kong!

O visual era bem bonito e até nos lembrou algumas pequenas praias de Búzios, no estado do Rio de Janeiro. A temperatura girava em torno dos 23ºC e a água estava bem fria, mas ao contrário de nossos colegas, não resistimos e tivemos que dar nosso mergulho em Hong Kong.

Além da qualidade da praia em si, nos chamou a atenção sua infraestrutura. Banheiros públicos bem limpos, dotados de chuveiros e vestiários, ficavam no local para utilização dos banhistas. Uma maravilha!

Com tempo de sobra, fizemos uma pequena trilha até um ponto mais alto onde poderíamos ter uma visão panorâmica das praias.

Não é bem esse o tipo de paisagem que as pessoas esperam de Hong Kong!

O mochileiro cearense, os anfitriões e nós.

Pegamos a última barca em uma fila imensa, mas conseguimos sair da ilha. E é claro, à noite, Hong Kong não perdeu a oportunidade de se impor e mais uma vez nos oferecer um espetáculo de luzes e cores.

Gostamos muito de Cheung Chau, é um passeio de uma tarde, alternativo e bem interessante para quem tem algum tempo na ilha e gostaria de ver um pouco de natureza.

Achamos que isso seria o máximo que Hong Kong poderia nos propor em termos de praia, mas não imaginávamos que belezas naturais ainda melhores viriam em seguida…

Os Cenários de Hong Kong e o Ano Novo Chinês

4º Dia – HK Island, 31 de Janeiro de 2014, Hong Kong.

Estranhando a ausência de pontes? É que o governo por aqui preferiu não construí-las para não poluir a paisagem!

Viajar para Hong Kong em pleno ano novo chinês não foi uma escolha planejada, mas apenas uma feliz coincidência. Assim que chegamos, ficamos encantados com toda a preparação da cidade para a data: Os prédios e ruas enfeitados com balões e pisca-piscas, as portarias distribuindo balas e pistaches. Tangerinas miúdas servem como decoração em diversos lugares, superstição que atrai felicidade e boa sorte ao novo ano. Até o Mc Donald’s entra na onda e lança o Prosperity Burguer.

O clima parece uma mistura de Natal com dia de Ação e Graças, com uma pitada consumista típica daqui. Mas nem sinal dos festejos típicos do réveillon ocidental. Na verdade, fica até complicado de entender a data correta da comemoração. Os trabalhadores ganham 4 dias de folga a partir do dia 30/01. Mas tudo, inclusive as principais atrações turísticas, continuam a funcionar.

Tínhamos dado o dia 31 como morto, mas uma vez conscientes de que Hong Kong não para, resolvemos ir ver uma de suas maiores atrações, o The Peak, uma montanha no centro de Hong Kong Island de onde é possível ter uma visão privilegiada da cidade.

No caminho, uma rápida passada pelo Kowloon Park, um parque urbano que reúne o que há de melhor na cidade: a mistura entre a natureza e o urbanismo impecável.

Quando decidimos vir para Hong Kong, confesso que esperávamos ver uma selva de pedra, uma metrópole ao estilo de São Paulo, com um pouco da natureza do Rio. Mas tomamos um tapa na cara. Aliás, um tapão, desses que a gente rodopia e se estrebucha no chão, todo dolorido. Hong Kong não é São Paulo, Hong Kong não é Rio. Não tem nem comparação. Hong Kong é Hong Kong, é limpa, organizada, segura e incrivelmente bela.

“Mania de limpeza” também descreve bem Hong Kong. Corrimãos, torneiras e maçanetas são esterilizadas várias vezes ao dia, e muita gente usa máscaras nas ruas.

O cuidado que possuem com o bem público é de se admirar. Outro ponto que chama a atenção é a acessibilidade. Uma das primeiras coisas que estranhamos aqui foi o alto número de deficientes nas ruas, completamente integrados à sociedade. Nosso pensamento tacanho logo nos fez imaginar situações relacionadas a altos índices de acidente de carro, minas terrestres, métodos de tortura chineses e outras bizarrices. Mas só com o tempo fomos notando os sinais de trânsito adaptados e as calçadas perfeitas, niveladas e com rampa, e aí então nos demos conta de que a cidade é acessível para todos. Simples assim.

Sei que pode parecer chato e repetitivo ficar se derretendo de elogios, mas é que Hong Kong realmente mexeu com a gente. Toda e qualquer comparação que possamos fazer com o que estamos acostumados – ou melhor, acomodados – no Brasil é brutal, depressiva e nauseante. Não se trata de achar a grama do vizinho mais verde. Trata-se de perceber que na verdade nunca tínhamos visto grama antes.

Seguimos em direção aos ferries que levam até HK Island, e embarcamos na baratíssima (menos de R$1) e curta viagem pela Baía.

A brisa cai bem e é um atrativo a mais na contemplação da paisagem.

A ideia a partir daqui era seguir até o ponto onde um bonde nos levaria até o alto do morro, onde poderíamos ter uma visão da cidade bem do alto.

Não um bonde como esse, mas um bem mais inclinado para vencer o caminho íngreme.

Verdade seja dita, não estávamos nem um pouco preocupados em chegar ao nosso destino. Preferimos voluntariamente nos perder e acabamos parando nas proximidades das Mid-level Escalators, simplesmente o maior conjunto de rampas e escadas rolantes do mundo.

São quilômetros e mais quilômetros de subidas sem fim, que vão levando os pedestres para as diversas ruas que fazem parte do trajeto. Uma solução simples e eficiente para reduzir o trânsito em uma região movimentada da cidade, que é montanhosa e de acesso difícil para alguns veículos.

Alguns poucos cortiços históricos ainda resistem na vizinhança, que vem sendo tomada pela construção de arranha-céus. Esse é o cenário mais próximo de uma favela que você vai ver em Hong Kong.

Enquanto andávamos, realmente nos perdemos. Sem saber em qual direção seguir, acabamos subindo uma ladeira, e mal sabíamos, mas era o acesso ao The Peak. A maioria  das grandes atrações da cidade possuem um meio de acesso turístico (bonde, teleférico…), mas também sempre oferecem a possibilidade se serem alcançadas gratuitamente por meio das trilhas.

E por “trilha”, entenda-se um caminho pela natureza, amplo e acimentado, com iluminação, banheiros, banco para descanso e até máquinas de água e refrigerante.

A jornada é bonita e, pouco a pouco, as árvores vão descortinando um pouco da paisagem que veremos quando chegarmos ao pico.

Após alguns bons minutos de subida, chegamos.

O lugar está lotado (novidade…) e cheio de shoppings (não diga!), mas estávamos atrás da melhor vista.

E não é que achamos?

Lá de cima, um espetáculo natural acontece: o por-do-sol.

E lentamente, os prédios vão se iluminando, tornando-se pontinhos cheios de luzes na escuridão. A cidade se enfeita, e a noite fica completa.

Nessa hora a bateria da câmera resolve acabar e tínhamos esquecido de levar a extra. Fica o registro com o celular.

Ainda tivemos tempo de entrar em um dos shoppings para assistir a um pocket show bem legal.

Na saída, ir de bonde não era uma opção, já que a fila estava quilométrica. Não que a de ônibus estivesse melhor, longe disso, mas pelo menos sabíamos que caberiam mais gente nos ônibus. Dito e feito, 20 minutos depois já seguíamos uma linda serrinha abaixo, sempre com aquela imagem dos prédios a cada curva.

E na hora de pegar o ferry de volta, Hong Kong nos oferece um show de luzes e cores.

Ao chegar em Kowloon novamente, uma surpresa nos aguardava. Era o dia dos desfiles do ano novo chinês! Tudo lotado, gente do mundo inteiro aguardando o espetáculo.

Ao contrário do que possa se imaginar, estávamos bem longe da meia-noite ainda, mas e daí? Seriam quatro dias de comemoração dali pra frente, tanto faz que horas as festividades fossem começar.

Os tambores rufaram e a celebração começaram. Único ponto negativo de Hong Kong até agora: tentaram imitar o carnaval brasileiro.

Começaram muito bem, com o típico dragão chinês passando pelo povo. Em pouco tempo, batuques desconexos e fora de ritmo davam introdução a um show de carros alegóricos (!), com direito a passistas fantasiadas, gente lutando kung-fu, homens cuspindo fogo, algo que parecia o bumba-meu-boi (!!), bonecos de Olinda (!!!) e tudo o mais.

O negócio era um show de horrores, bem fraquinho mesmo. A qualidade das fotos está ruim, mas nem se fosse em alta-resolução resolveria o problema…

No meio da balbúrdia, apareceu um estudante chinês querendo fazer uma pesquisa comigo. Com vários papéis em mãos, iniciou o questionário enorme perguntando o que eu achava do evento, minhas expectativas, opinião, etc. Eu já estava meio sem paciência, e para não ofendê-lo, comecei a dizer que tudo aquilo era lindo, maravilhoso, uma das melhores coisas que eu já tinha visto na vida. Que eu era brasileiro e nunca tinha visto nada igual, que aquilo ali era melhor que o carnaval do Brasil e tal. O coitado foi marcando as respostas, todo feliz, e ainda me deu um brochinho de lembrança. Que beleza!

E como se não bastasse o apitaço irritante toda a precariedade do evento, de repente aparece o carro alegórico… do PATO DONALD!

Unidos da Vila Disney, nota…. DEZ!

Sério, eu fico imaginando o diálogo dos organizadores do evento:

– E aí, Wei Hua, bora fazer um desfile maneiro?

– Claro, Xing Lin! Que tal uns carros alegóricos?

– Beleza! Vamos apertar a tecla RANDOM e colocar tudo nesse desfile!

– Isso mesmo! Bota carro alegórico do patrocinador, umas passistas do Brasil, umas propagandas de cassino, e quando tudo parecer ter acabado, bora meter O PATO DONALD na história, bro!

Hora de ir embora pra casa, descansar um pouco, rir de toda aquela baboseira nada tradicional e completamente voltada para os ocidentais, e enfim entender que pelo menos o Brasil é bom em alguma coisa: no carnaval.

Basta agora reduzirmos o atraso educacional, fazermos algumas reformas políticas e tributárias, reduzirmos as taxas de homicídio e crimes hediondos em pelo menos uns 95%, e aí sim, a gente fica melhor que Hong Kong. Ou então eles ficam melhores do que a gente no carnaval, pelos menos já começaram a treinar. Mas a gente chega lá.

A gente chega lá.