Hong Kong – O Que Vimos e Quanto Gastamos

Ah, Hong Kong…

Sentiremos saudades desse país tão moderno e tão único. Seus shoppings luxuosos repletos de grifes mas sem porta automática, os telefones públicos que emitem sinal wi-fi e que só aceitam moedinhas, os restaurantes sofisticados que vendem caviar e também miojo…

E o que falar dos Mc Donald’s e lojas de conveniência presentes em cada esquina? Do sistema de transporte público sem falhas, das criancinhas independentes que manuseiam câmeras e tablets maiores que elas próprias, ou das imigrantes filipinas que se aglomeram em multidões nos dias de folga formando um caldeirão cultural em plena metrópole? Isso sem contar o pulinho inesquecível em Macau e o brilho de seus cassinos.

Tentamos resumir essa primeira etapa de nossa viagem em um vídeo, assista:

Hong Kong está longe de ser um destino caro como o Brasil, mas também não é tão barato quanto seus vizinhos do Sudeste Asiático, famosos pelo baixíssimo custo de vida.

Fomos para Hong Kong preparados para gastar um pouco mais do que o habitual, já que precisaríamos comprar por lá uma série de coisas (câmera, tênis, pendrive, bolsa à prova d’água, adaptadores, etc). Baseando-nos em algumas pesquisas prévias e nos relatos de viajantes que já estiveram por lá, estipulamos nosso teto de gastos em U$66 por dia.

A boa notícia? Mesmo comprando tudo que precisávamos – e um pouco mais, gastamos menos que o previsto. Segue abaixo a nossa planilha de gastos diária:

hk

Ao final de 11 dias, gastamos U$683,54, ou o equivalente a U$62,13 por dia. Sim, raspando, mas conseguimos poupar U$3,87 por dia, ou U$42,46 ao total (o que já paga uns dois dias na Indonésia!).

De acordo com a tabela, é importante salientar que nosso maior gasto foi no campo “Misc.”, ou seja, justamente as compras que precisávamos fazer. Sem elas, economizaríamos pelo menos 1/3 dos gastos.

Não gastamos absolutamente nada com hospedagem (viva o Couchsurfing!), e economizamos na alimentação dando preferência às comidas locais e ao fast food. No transporte, acabamos gastando bastante, principalmente por conta do alto preço das passagens para Macau.

A surpresa se deu por conta das Atividades, que apesar de serem muitas, aproveitamos quase tudo sem pagar nada: fomos aos museus no dia gratuito, fizemos a trilha para o The Peak (ao invés de pegar o bondinho) e curtimos as praias e os templos. Só não abrimos mão de visitar o Big Buddha de teleférico, e pagamos por isso, porque sabíamos que seria uma experiência inesquecível.

Hong Kong é incrível e vale cada centavo. Mas cá entre nós: Nesse exato momento, estamos na Indonésia vivendo uma vida de patrão gastando menos do que a metade dos custos de Hong Kong… E isso é perfeito!

Fique ligado, os próximos textos serão sobre esse lugar sensacional!

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Macau, a Cidade dos Sonhos

10º e 11º dias – Macau, 06 a 07 de Fevereiro de 2014.

Do alto de sua grandeza, a República Popular da China mantém ainda nos dias de hoje duas Regiões Administrativas Especiais (SAR, em inglês): Hong Kong, que pertenceu à Inglaterra, e Macau, que já foi domínio de Portugal. O conceito de “um país, dois sistemas”, até agora vem dando certo. Essas duas ex-colônias estrangeiras possuem um alto nível de autonomia, com legislação, moeda e nacionalidade própria.

Já tínhamos visitado Hong Kong e achado o máximo. Faltava agora conhecer esse pequeno pedaço de terra chamado Macau, doado pela China aos portugueses por conta da total incapacidade dos orientais de lidarem com os piratas naquela época. Sim, a história é verídica. Lá pelo século XVI o governo chinês falou algo como: “Então, Joaquim assina esse contrato e as terras são suas, se vira aí com os piratas e só devolve pra gente, sei lá, em 1999“. O ano distante chegou e a soberania chinesa foi restabelecida, não sem antes o governo chinês manter a língua portuguesa como idioma oficial, em uma forçação de barra incrível que só agrada a empresários lusitanos donos de cassino, símbolo do crescimento econômico do país.

Verdade seja dita: tudo em Macau é escrito em português, mas ninguém fala o idioma.

Saímos de Hong Kong ainda bem cedo, e antes das 8h da manhã já estávamos embarcados no confortável ferry boat que liga os dois países, em uma tranquila viagem de 60 minutos.

Mas não se engane, a passagem é bem cara (159 HKD, ou aproximadamente U$20 só a ida), e os procedimentos de saída e entrada envolvem a apresentação do passaporte na Imigração.

A chegada se dá no Terminal Marítimo de Macau, que de tão ajeitadinho, até parece ser um aeroporto. Sair dali é fácil e seguimos as dicas de nossa anfitriã: basta pegar um dos vários ônibus que ficam por perto, prontos para levar gratuitamente os turistas diretamente aos cassinos.

E como a maioria das casas de jogo são próximos ao centro, porque não aproveitar a “carona”? Logo vimos que todo mundo fazia o mesmo, até quem parecia local. E para ficar ainda melhor, é possível deixar as bagagens gratuitamente no cassino.

Macau é bem diferente de Hong Kong, mesmo estando tão perto. Os prédios são muito mais bregas luxuosos, as ruas mais largas e o povo na rua ligeiramente menos educado. Arrotos e cusparadas, características da cultura chinesa que nos passaram despercebidas pelos gentlemen de Hong Kong, por aqui tornam-se bem mais frequentes e perceptíveis

.Mesmo descendo bem no Centro, a locomoção pelas ruas de Macau nos pareceu mais difícil. Algumas olhadas no mapa depois, enfim conseguimos nos localizar. E fomos parar logo em frente aos mais luxuosos cassinos da região.

Por conta de tantos cassinos, Macau já é apelidada de “Las Vegas da Ásia”. Por todos os cantos, slogans e propagandas impressas nos empurram a imagem de que Macau é a City of Dreams (“Cidade dos Sonhos”). Mas o fato é que, por trás de toda a indústria do entretenimento e sua arquitetura fantástica, alguns cortiços bem pobres na vizinhança mostram-nos que o sonho não é pra todo mundo.

Seguindo desajeitadamente pelas calçadas, vamos nos aproximando do Largo do Senado, percebendo desde já um fato surpreendente: Macau vive lotada! Parece não caber tanto gente em tão pouco espaço, andar devagar e ser empurrado torna-se normal.

É nesse lugar onde a herança lusitana fica mais evidente, desde o estilo dos prédios até a típica calçada de pedra portuguesa, a mesma usada em Copacabana.

Em meio a tantos turistas chineses, a sensação é de uma estranha familiaridade entre tantas coisas em comum com o Brasil.

E por falar de coisas em comum, é a primeira vez na Ásia que deixamos os templos de lado e damos de cara com uma… Igreja católica! Não acho que veremos uma novamente tão cedo…

Ainda não entendemos a caveirinha…

Parece que metade da população chinesa resolveu visitar Macau no mesmo dia. É gente que não acaba mais.

Vamos aproveitando as inevitáveis paradas do cortejo para degustar algumas amostras de doces e comidas típicas. De pé-de-moleque à carne de porco desidratada, provamos de tudo. E finalmente vamos chegando às Ruínas de São Paulo.

Esse exemplo único de arquitetura barroca na China é o que sobrou após um devastador incêndio que destruiu toda a igreja, menos a sua fachada.

Vista de cima:

Em seu interior, também há um acesso para uma cripta e um museu de imagens sacras. Continuamos sem entender a caveira…

Lá fora a multidão não dá trégua. Alguns momentos corriqueiros são interessantes de serem registrados, como a garotinha posando para a foto ou o missionário tentando entregar bolsas escritas “Jesus Loves You” para uma horda de turistas chineses que parecem só estar por ali por um intervalo entre um cassino e outro.

Contudo, a medida que vamos nos encaminhando em direção ao Forte, a paisagem vai ficando cada vez mais agradável, com árvores e flores decorando o local.

Por ali, o Museu de Macau…

… e o que sobrou para contar a história dos piratas:

Apesar da onipresença do prédio pomposo do Gran Lisboa, a impressão é que usaram o canhão para detonar a cidade. Olha bem a paisagem logo ao lado:

Saindo dali, vamos aproveitar um dos poucos lugares tranquilos de Macau: a orla do Rio Pérola, de onde se vê a ponte e a Macau Tower.

O fim da tarde vai chegando, e nas proximidades do cassino Wynn, um espetáculo à parte acontece: é o “Performance Lake”, um lindo show de água e música, sincronizados, que são capazes de emocionar pela harmonia e audácia dos movimentos.

Chega a hora de ligar para nossa anfitriã, que só sairia do trabalho àquela hora. É Yeyen, uma garota da Indonésia, de família chinesa, poliglota, que já viajou meio mundo e trabalha como guia de turismo em Macau. Gentilmente aceitou nos receber em sua casa por uma noite.

Yeyen (Indonésia), Fernando (Portugal), Steve (Inglaterra) e nós.

Após dormir no chão e no sofá, nem acreditamos que dormiríamos em uma cama naquela noite!

Mesmo após um dia de trabalho, nossa anfitriã não poupou esforços e resolveu nos guiar pelas paisagens de Macau à noite! É nessa hora que a cidade brilha – literalmente.

Após jantarmos pratos típicos de Macau (que pouco diferem das receitas portuguesas), ainda tivemos o privilégio de sermos apresentados aos amigos dela, a maioria imigrantes. E é claro, portugueses e brasileiros estavam no meio.

Dalvan e Regina (do blog http://mochilandosemdestino.com), nós e o Carlos, carioca da Ilha do Governador.

Sem barreiras linguísticas, Carol se sentiu mais à vontade para conversar, e todos acabamos nos entrosando muito bem pela nacionalidade em comum. Dan e Regina, casal de mochileiros mais novos que a gente, estavam vindo de uma temporada na Índia e no Nepal, e seguem dando uma volta pela Ásia com um orçamento tão pequeno que nos fez sentirmos mauricinhos viajantes. Sério, esses caras são os nossos novos heróis.  Junto com a gente, o divertidíssimo Carlos, que apesar de nunca ter fumado maconha (palavras dele), vive sendo mal-interpretado pelos turistas que sempre se aproximam dele buscando por uma negócio verde.

Nossa anfitriã e seu namorado britânico foram nos guiando pelo interior dos cassinos, ambientes completamente sofisticados e nada compatíveis com nossa mulambice. Era tanto brasileiro invadindo o cassino, que fiquei com medo de sermos presos por suspeita de rolezinho. Infelizmente fotos não podem ser tiradas lá dentro, mas o resumo é: gente gastando rios de dinheiro, máquinas coloridas e barulhentas iguais as dos filmes, em um ambiente meio pesado por conta do cheiro de cigarro e com uma vigilância ostensiva que dá a entender que a qualquer hora os atores de 11 Homens e Um Segredo aparecerão para causar confusão.

Nossos anfitriões resolveram nos levar para outro cassino, e com risinhos, avisaram-nos para que ficássemos atentos à curiosa movimentação do local. Entramos, e logo reparei um número exagerado de mulheres bonitas e bem vestidas vindo ao nosso encontro. Enquanto elas passavam, estranhamente nos encarando, seguíamos pela direção contrária até a outra porta de saída do local. Antes de sairmos, uma surpresa: as mesmas mulheres que haviam passado por nós, agora voltavam para fazer o mesmo caminho!

Lá fora, Yeyen e Steve divertiam-se com nossa inocência e foram nos explicar a situação: como é de se imaginar, as mulheres ali são prostitutas. O que acontece é que ficar parado fazendo ponto de prostituição em Macau é crime. E como as profissionais do sexo resolveram esse problema? Simples: elas não param! Apenas ficam em constante movimento pelo saguão do cassino, andando em círculos (!) e olhando para cada possível cliente. Se alguém demonstrar interesse, então ela faz um contato visual e ambos sobem rapidamente uma escada que dá acesso aos quartos. É onde a negociação pode ser feita, sob sigilo absoluto, fora dos olhares da polícia. Desta forma, qualquer tentativa de reprimi-las durante a andança pelo pátio é inútil: quem poderá discordar que elas estão apenas “dando uma voltinha”?

Se Las Vegas é a “cidade do pecado”, Macau é a “cidade dos sonhos”, mas sonhos cada vez mais esquisitos… Como por exemplo, a megalomaníaca tentativa de recriar a cidade de Veneza dentro de um cassino:

E assim segue a noite de Macau, com direito a mais lindos shows de água e cores e até uma apresentação do Shrek e a turma de Madagascar…

Finalizamos a noite com uma emocionante performance de um cassino que homenageia todos os animais dos anos lunares e reforçam o mito da prosperidade aos moldes da crença chinesa.

É tanta coisa impossível de se traduzir em fotos, que resolvemos gravar um vídeo. Publicaremos em breve.

O que importa é que nesses 11 dias intensos entre Hong Kong e Macau, vimos e fizemos tantas coisas, que ainda precisamos de um tempo para processar tantas informações. Amamos esses lugares, mas a viagem só está começando!

Próxima parada: Bali, Indonésia.