Singapura – O que Vimos e Quanto Gastamos?

Singapura é um destino que nos deixou marcas profundas.

E nem me refiro às marcas do rombo financeiro que ficaram em nossos bolsos, graças às suas atrações imperdíveis (e caras!). Na verdade, essa pequena cidade-nação da Ásia mudou nosso modo de enxergar o mundo, já que nos mostrou que quando se tem um pouco de dedicação e força de vontade, tudo é possível.

Singapura é quase perfeita. E tudo que ainda não é perfeito por lá está bem perto disso. A qualidade de vida, com segurança e conforto, é de se invejar. Principalmente quando analisamos que tudo o que eles conquistaram foram de pouquíssimos anos para cá.

Dizem que esse é um dos países mais caros do mundo. Verdade. Para se tirar a licença de motorista, por exemplo, é necessário desembolsar algo em torno dos U$70.000, além de arcar com os altos preços dos veículos e combustíveis. Por outro lado, o transporte público é impecável e te leva a qualquer lugar. As casas não são baratas – mas ainda não chegaram aos preços ridículos do Brasil, onde construções em meio à favela custam milhões de reais. A alimentação é outro fator surpreendente: é barato demais.

Como sempre, pesquisamos bastante e definimos com antecedência nossa meta de gastos em U$52. Eis a nossa planilha final:

singapore

Pela primeira vez na viagem, acabamos estourando nosso limite de gastos e passamos a meta: Gastamos uma média de U$57,90, o equivalente a U$5,90 a mais por dia do que o planejado, ou U$23,60 negativos no total.

Felizmente economizamos o suficiente na Indonésia para que essa pequena baixa em nosso orçamento não chegue a causar preocupações.

Graças a hospitalidade do povo de Singapura, ficamos de Couchsurfing e não gastamos um centavo com acomodação. A comida também é bem barata, tanto a local quanto as de fast food. Mas acabamos gastando um pouquinho a mais nesse campo porque decidimos fazer um típico prato brasileiro para nossos anfitriões: arroz, feijão e bife! E como a carne é importada da Austrália… ai!

Também precisávamos nos locomover e gastamos um pouco com transporte. Na verdade, acho que poderíamos ter economizado mais nesse campo se não tivéssemos feito o Ez-Link Card deles, que é muito bom para usar no dia a dia, mas por não ter sua taxa de SGD $5 reembolsável, acaba não valendo a pena ser feito para pequenas estadias.

E por fim, torramos bons dólares singapurianos no campo “Atividades”, porque sinceramente Sentosa é incrível. Poderíamos ter gastado muito mais se resolvêssemos participar de outras atrações por lá. E sinceramente? Valeria a pena!

Singapura é um país admirável, e ao contrário do Brasil, cada centavo gasto por lá é retornado da melhor maneira possível: seja em troca de um excelente transporte público, uma comida deliciosa, atividades sensacionais ou o simples fato de poder andar na rua em segurança.

Singapura sabe ser moderna sem ser esnobe. Rica, mas simples. De um bom gosto e simpatia sem igual. Vá à Singapura pela menos uma vez na vida. Você não vai se arrepender.

Sentosa Island – A Praia e os Parques Temáticos de Singapura

38º Dia – Sentosa Island, 04 de Março de 2014, Singapura.

Já tínhamos andado bastante pelas paisagens mais tradicionais de Singapura em busca de sua História e até arriscamos uma imersão na rica cultura dos bairros de imigrantes. Agora era a hora do lazer!

E quando se fala de lazer, Singapura não faz feio. Simplesmente separam uma ilha de seu território para criar um parque de diversões cheio de atrações. Seja bem-vindo à Sentosa Island!

Chegamos de monotrilho (SGD $4), que já inclui o valor do ingresso. Durante o pequeno trajeto já é possível ver do alto as incríveis atividades que o lugar tem a oferecer.

Antes de nos enveredarmos pelos parques temáticos, fomos conhecer a Siloso Beach, uma praia artificial criada com areia e até coqueiros importados! Em Singapura é assim: não existem empecilhos para alcançar os objetivos desejados.

Mesmo não sendo uma praia “natural”, até que o lugar é bem simpático.

Claro que nem se compara às praias paradisíacas das vizinhas Tailândia ou Indonésia. Ainda assim, é um excelente local para se passar uma tarde, pegar um sol e se praticar esportes.

“Nada pra fazer? Vá soltar pipa! Na verdade, não pode. Desculpe. Procure outra coisa para fazer.” – Singapura sendo Singapura…

Circular por Sentosa é uma delícia, haja vista que, assim como todo o país, essa ilha é organizadíssima. Mesmo em meio à natureza, existe uma preocupação enorme com o aspecto de limpeza: Nem mesmo encontramos folhas de árvores no chão! Assim como em boa parte do Sudeste Asiático, por ali também existem muitos macacos, mas há uma campanha de conscientização para não alimentá-los e acabar tornando-os tão bagunceiros como os primatas indonésios

Na ilha é possível locomover-se não só de monotrilho, mas também com o bondinho circular que passa de tempos em tempos pelas suas bem cuidadas ruas. No calor sufocante típico de Singapura, de vez em quando é bom parar de andar um pouco e se render ao transporte motorizado. Até os monges sabem disso…

Ao contrário do que parece, a ilha é bem grande. Depois da carona de bonde, vamos até o seu outro lado e começamos a explorar as áreas de livre acesso.

Réplica do Merlion em Sentosa: maior que o original!

Não dá pra resumir Sentosa de maneira simples, porque lá dentro é um mundo! Tem todo tipo de atração, para todos os gostos. Aquários, parques temáticos, museus, jardins, etc.

Em busca de algo que fosse novo para nós (afinal, não iríamos pagar para ver plantas e insetos de floresta tropical, certo?), encontramos um lugar perfeito para passar o restante do dia na ilha: a Universal Studios!

A entrada não é barata (SGD $ 63), mesmo com o desconto de 15% oferecido para clientes Mastercard. Ainda assim, vale a pena cada centavo. É possível realizar todos os sonhos de uma infância em uma só tarde nesse lugar!

O parque é dividido em áreas, cada uma voltada para um filme/desenho específico. Começamos em grande estilo com a turma do Madagascar, com direito à uma atração imperdível, onde um barquinho de madeira nos leva em um rio-túnel cenográfico através da história de todos os filmes da saga, resumidos em uma narração com bonecos articulados em tamanho real e um monte de efeitos especiais dignos de Hollywood. É muito legal, para adultos e crianças.

A poucos metros dali é hora de nos reencontramos com a turma do Shrek!

Não bastasse a construção do castelo de Far Far Away ser perfeita, o lugar ainda conta com um teatro 4D bem legal com uma história paralela do filme. Cadeiras se mexendo e respingos de água se misturam às mais variadas sensações, sempre acompanhadas de boas risadas.

Talvez não seja essa a intenção, mas a arquitetura única e tão bem trabalhada deixa tudo tão romântico que é impossível não reviver a história do ogro que vira príncipe encantado…

Mais a frente, a surpresa fica por conta das réplicas de dinossauros do Jurassic Park.

Infelizmente boa parte das atrações são impossíveis de serem registradas em fotos, haja vista a movimentação brusca, iluminação (ou falta dela) e até mesmo o caráter das atividades, que foram feitas apenas para serem curtidas e só deixarem boas memórias. Mas essa vale a narração: em uma boia, somos levados por um circuito aquático com direito a ondas e correntezas, onde o cenário do Parque dos Dinossauros foi recriado nos mínimos detalhes. Os personagens principais do filme aparecem, gigantes, espichando água, emitindo seus sons e dando muitos sustos. Toda o conjunto de sensações faz realmente parecer que estamos dentro do filme, é sensacional.

Quanto à próxima atração, sou suspeito para fazer críticas, já que sou fã do filme. Já assistiu Waterworld, filmaço pós-apocalíptico de 1995 com Kevin Costner? É simplesmente um dos melhores filmes que já vi. E adivinhem o que a Universal Studios nos reservou para aquele dia? Não só o cenário principal do filme recriado, como ainda por cima uma encenação do trecho mais eletrizante e cheio de ação desse clássico de ficção científica!

A arquibancada é dividida em setores como “área de encharque”, “área de ensopar”, “área de respingos” e “área seca”, bem lá trás, é claro. Acredite, essas definições são levadas bem a sério. Ficamos na parte dos respingos e realmente fomos atingidos por alguns deles. Mas quem ousou ficar bem na frente simplesmente recebeu baldes e mais baldes de água na cabeça e no corpo inteiro.

Antes do início na encenação, os atores que interpretam os vilões dos filmes desfilam com suas armas de água e vão escolhendo alvos aleatórios na plateia. Quem vai com os pertences protegidos e com a intenção de se molhar, se diverte bastante. Não tem como não entrar no clima do filme!

E o melhor é reservado para a hora da história… Simplesmente perfeito. Os efeitos especiais são absolutamente incríveis de tão realistas. Tiros, fogos, explosões, com direito a atores-acrobatas que pulam de alturas inimagináveis e lutam de maneira impressionante, para delírio dos espectadores. Não tem muito o que dizer, é excelente! Até que não assistiu o filme se diverte.

E após toda a explosão (literalmente) de adrenalina, somos mais uma vez surpreendidos pela incrível atração-cenário que homenageia o filme “A Múmia”.

Como é possível ver, tudo aqui é feito para lembrar o Antigo Egito, com direito à pirâmides, múmias e tumbas de faraó.

Confesso que não sabíamos muito bem como eram as atividades internas de cada atração, e logo fomos MUITO surpreendidos por essa. Tá vendo essas esculturas gigantes? Elas têm uma razão para serem tão altas assim…

Conforme entramos no cenário – cada vez mais escuro e amedrontador -, íamos nos perdendo através de corredores e escadas intermináveis, com músicas e ruídos de fundo que faziam Carol ficar cada vez mais colada comigo, de medo. Somente quando encontramos um pouco mais de luminosidade é que percebemos que já estávamos entrando dentro de um carrinho… Não era um carrinho comum, era um daqueles de montanha-russa! Mas como assim montanha-russa, não tínhamos visto nenhuma… ei! Mas por que o prédio era tão alto mesmo? Eu mal conseguia concluir o pensamento quando fomos puxados pra cima em uma velocidade absurdamente rápida.

O que era aquilo? O cenário era a coisa mais ATERRORIZANTE que eu já vi na minha vida, com múmias e caveiras iluminadas com neon, não só saindo das paredes como em qualquer parquinho de terror… Ao contrário, nós simplesmente ENTRÁVAMOS nelas através dos carrinhos. Em determinado momento, senti que realmente estávamos sendo levados até o topo da construção, até que a cabeça iluminada de uma múmia gigante abriu a boca cheia de dentes e gritou “AGORA SUAS ALMAS SERÃO MINHAS, AAAAHHH”, hora perfeita para nos borrarmos de medo e nos sentirmos em queda livre pelos trilhos com a força da gravidade.

Não sei explicar, o negócio é muito bem feito, mas desperta as mais fortes emoções possíveis. Definitivamente não é um brinquedo para crianças – talvez nem para alguns adultos. Saímos de lá meio cambaleantes, com as pupilas ainda dilatadas pela escuridão e pela adrenalina. Perdi a conta de quantas vezes senti meu coração saindo pela boca e o estômago revirar. Ainda assim, não se passaram muitos minutos para que logo quiséssemos voltar… É aquele típico negócio que é “ruim, mas é bom”.

A recompensa pelo susto: uma foto com a Cleópatra!

Até agora não entendi o que o CONAN tá fazendo nesse cenário…

Com o tempo meio corrido, optamos por não repetir a montanha-russa do capeta e acabamos pegando uma fila chata para uma atração mais chata ainda: andar no jipinho super lento que passa por outro cenário – bem mais iluminado – do filme “A Múmia”.

Depois de tanta ação, ficamos meio decepcionados com aquele passeio de tiozão, mas é justo que existam duas atrações bem diferentes, como 8 e 80, para cada tipo de visitante.

Em seguida, adentramos a Sci-Fi City e tivemos o prazer de conhecer outra montanha-russa, a do filme Transformers!

Não era uma montanha-russa das grandes, pelo contrário. Era uma montanha-russa… em 3D! Difícil de acreditar, mas novamente toda a preparação do cenário faz com que verdadeiramente entremos no clima do filme. Apesar do espaço diminuto, os movimentos do carro e as sensações de profundidade em terceira dimensão do vídeo fizeram com que a experiência fosse tão cheia de adrenalina como a da Múmia.

E como nem só de filmes vive esse parque, conhecemos a cidade cenográfica de Nova York. Lindíssima!

Além do cenário por si só já valer a caminhada, ainda é possível encontrar alguns personagens famosos no meio da rua!

Mais do que um passeio cenográfico, a passagem pela pequena New York é um local de boas atrações garantidas. Passar o fim de tarde por ali foi muito agradável, conseguimos assistir a um musical digno da Broadway e ainda pegar uma sessão no museu interativo de efeitos especiais, apresentado pelo próprio Steven Spielberg – em vídeo, é claro.

Após tanta coisa legal vista – mencionei que ainda pegamos uma montanhazinha-russa mais light da Vila Sésamo? -, o parque já contava os minutos para fechar. Como entramos relativamente tarde, por volta do meio-dia, tivemos que correr um pouco para pegar os poucos brinquedos que ainda não havíamos experimentado.

Conseguimos tudo – ufa! – e fechamos no tradicional carrossel, só que personalizado com os personagens de Madagascar!

Tanto eu quanto Carol nos divertimos bastante e voltamos a ser crianças nesse dia! E talvez, justamente por isso, uma coisa me incomodava: eu não havia ainda conseguido encontrar com o símbolo máximo da minha infância, o Pica-Pau.

Tinha visto na internet que o personagem dava o ar de sua graça no Parque, mas até aquela hora não o tínhamos visto ainda. “Gostou do dia?”, Carol perguntou. “Gostei, pena que faltou o Pica-Pau, né?…”

Eu mal havia terminado a frase, e quando já cruzávamos a esquina em direção às catracas de saída, gelei. Estávamos bem próximos, um minuto de atraso e já estaríamos fora do Parque. Mas foi aí então que, meninos, eu vi: Com passos lentos e precisos, em seu cambalear típico de pássaro malandro, ele parecia vir de longe em câmera lenta na minha direção. Suas penas azuis e brancas brilharam nos meus olhos. Vermelho da cor de seu topete fiquei, e não aguentei mais de emoção. Como em um filme dramático, corri os quilômetros invisíveis que me separavam da minha infância para abraçá-lo! Era ele, enfim, o Pica-Pau!

E de repente tudo fez sentido. Valeu a pena cruzar meio mundo, ficar de jetlag, pagar um ingresso caro e quase morrer na montanha-russa: que se dane, tiramos uma foto com o Pica-Pau! Abs.

Chinatown, Little India e Arab Street – O Lado B de Singapura

37º Dia – 04 de Março de 2014, Singapura.

Tão logo chegamos à Singapura, fui questionado por Vanessa, nossa anfitriã, sobre qual era a minha imagem sobre o país. Sem pensar duas vezes, respondi com o famoso trocadilho “fine city“, que tanto pode significar “cidade legal” como “cidade das multas”.

Pra quê?

Em Singapura existe multa pra tudo, e as placas estão espalhadas em todos os lugares. Também é proibido atravessar fora da faixa, cuspir no chão e até mascar chicletes (são ilegais e tem o mesmo status que a maconha!)

Ofendida, como boa cidadã de Singapura, Vanessa não me deixou quieto até que tivesse explicado boa parte da história de seu país e me obrigasse a ler junto com ela alguns textos! Desse modo, foi fácil começar a entender melhor a história desse Estado-nação, construído do nada para se tornar em poucos anos um país de primeiro mundo.

Singapura vive em um constante estado de sobrevivência. Tudo é importado, desde a água (que vem da Malásia) à areia das praias (que veio da França), só pra citar alguns exemplos. Nada é impossível nesse país, que erroneamente é visto como artificial quando na verdade é “só” planejado demais. Cultiva-se árvores e prédios por lá. Se falta espaço, então estende-se o território por meio de aterro. Nada pode deter o desenvolvimento.

A Educação é uma prioridade, desde cedo a competição e a exigência nas escolas fazem-se presentes: afinal são as crianças de hoje que cuidarão da Singapura de amanhã. A propaganda do serviço militar obrigatório é ostensiva, como se o país estivesse às vias de ser invadido por alguma potência estrangeira. O sistema de transporte público se expande para áreas que nem sequer são habitadas, mas que quando forem, poderão ao menos contar com uma linha de metrô.

Tudo isso parece ser feito do dia pra noite, por uma necessidade urgente de se construir um país cada vez melhor. Mas como manter essa energia, esse fôlego econômico? A resposta aparece fácil quando pensamos em… imigrantes!

Singapura é um caldeirão cultural onde gente do mundo todo está presente. São malaios, chineses, indianos, árabes e ocidentais em geral que dia a dia trabalham duro e mantêm a chama acesa. Com cada povo tendo seus hábitos e costumes próprios, para por ordem no galinheiro, Singapura teve que criar regras duras de convivência. Somente multando quem pisasse fora da linha foi possível organizar o país e colocá-lo para funcionar.

O silêncio do metrô de Singapura chega a ser assustador. Mesmo em horário de pico, só se ouve os passos da multidão descendo as escadas. Para embarcar, as setas vermelhas indicam a entrada – mas antes é necessário aguardar os passageiros que saem do vagão pela seta verde. TODO MUNDO RESPEITA.

Para manter essa sociedade tão diferente em harmonia, Singapura preocupa-se em deixar tudo bem compreensível: todas as informações públicas, placas e sinais estão escritos nos quatro idiomas oficiais: chinês, tâmil, malaio e inglês. Não tem desculpa.

Vamos passeando pelas ruas de Chinatown e conhecendo um pouco mais da comunidade chinesa de Singapura. Até os camelôs aqui são organizados, os produtos vistoriados e a limpeza exemplar. Não lembra nem um pouco a Chinatown de nenhum país, talvez nem mesmo a China.

Além de souvenires e diversos produtos eletrônicos em conta, também é possível conhecer a praça de alimentação e provar não só receitas chinesas, mas também alguns pratos típicos de Singapura.

Sopinha com arroz e carne de pato. Cada barraca recebe uma nota do governo, sendo “A” ou “B” a qualificação de acordo com a limpeza do ambiente.

Com uma história tão recente, ainda sem ídolos próprios e escassos símbolos pátrios, é na comida que os singapurianos buscam sua identidade nacional. E as escolhas não podem deixar de ser as mais multiculturais possíveis. O encontro das gastronomias da Índia, China e Malásia criam maravilhas como o “caranguejo apimentado” e outras coisas que resolvemos passar longe. Ficamos apenas com o Nasi lemak mesmo, de origem malaia.

Arroz verde com frango frito, ovo, amendoim e pimenta. Por apenas $2 SGD (U$1,80), é uma excelente escolha!

Também não podemos esquecer da infame Durian, fruta mais conhecida pelo seu fedor do que pelo gosto…

Os food markets estão espalhados por todo o país, em frente aos shoppings e próximos à ruas principais. Vale a pena visitá-los e conhecer a diversidade de pratos à disposição.

Encontramos até um delicioso copão de caldo de cana por U$0,60! Mais barato que muita feira do Brasil…

…e pra ficar perfeito, um pastel! Ok, mais ou menos um pastel…

Barata e acessível, ao contrário de Hong Kong por aqui a comida local compete de igual com o fast food.

Combo do Burguer King por $3.95 SGD (U$3,50).

Vamos deixando a bela Chinatown, com seus templos e arquitetura típica…

… para conhecer as cores e cheiros da Little India:

Se Chinatown consegue ser uma continuação perfeita de Singapura, haja vista sua limpeza e organização, o oposto acontece nesse reduto indiano.

Esse bairro realmente não parece Singapura. Tudo é meio esquisito, sujo e zoneado, como realmente uma Pequena Índia deve ser. Entramos em algumas lojinhas e vamos nos perdendo: começam como mercados, viram farmácias e joalherias no meio, para terminar como templos e loja de ração (!). É tudo confuso, mesmo.

Seguindo a sugestão de nossa anfitriã, subimos no terraço de um Shopping nas redondezas e tivemos uma visão panorâmica do bairro. O que é uma vista absolutamente normal para nós é algo que traz as mais fortes emoções para Vanessa: Acostumada a ver desde a infância apenas prédios, condomínios e casas luxuosas, a imagem de casebres com telhado colonial é algo que remete a um passado nem tão distante, quando Singapura era pobre e subdesenvolvida. “Um dia meu país foi todo assim, e um dia esses telhados nunca mais existirão.”

Ela está certa. A julgar pela rápida expansão dos edifícios ao redor, Little India está com os seus dias contados – e, sinceramente, não sei se isso é tão ruim assim.

Ao contrário de Chinatown, o bairro indiano está em uma rara área da cidade onde o metrô ainda não chegou. Logo ali ao lado, um outro bairro típico (ou seria rua?). É a Arab Street.

Um quarteirão inteiro dedicado à cultura árabe, mas bem moderninho. Uma mesquita toma conta da paisagem, dividindo espaço com alguns restaurantes turcos, sírio-libaneses e muçulmanos-indianos, além de alguns bares. É nesses últimos lugares, aliás, onde acontece de forma marginal e quase às escondidas uma interessante febre que agita as noites dos jovens singapurianos: shows de stand-up comedy.

Mas não são simples shows de comédia… Aqui, a graça é fazer piada com o estilo único de vida de Singapura! A maioria dos comediantes é composta por estrangeiros, que humorizam os costumes e as leis mais estranhas desse país tão peculiar. Não é o tipo de evento bem visto pelo governo, que constantemente é chamado de ditadura benevolente.

A figura de Lee Kwan Yew, ex-primeiro ministro do país e responsável pela separação da Malásia, deve ser realmente motivo de piadas, já que sua fama por aqui é a de um José Sarney. Mesmo fora do cargo, ele exerce forte influência no governo, recebendo títulos honorários como “Ministro Sênior” e “Ministro Mentor”, o que traduz seu desejo de não largar o osso tão cedo.

Os boatos de envolvimento dele com corrupção ativa na criação de cassinos e famosas construções são lendárias. Quem diria, em um país que já foi chamado de Disneylândia com pena de morte, o Mickey parece ser mais malvado que os Irmãos Metralha.

Corrupto ou não, é necessário dar créditos ao que foi possível se fazer nesse país: com muitas ideias na cabeça e a força dos imigrantes, criou-se um mundo cheio de possibilidades em uma ilha tropical que estava fadada a ser só mais uma selva cheia de macacos.

Apesar das notáveis distinções de cada povo, todos parecem ser unidos pelo jeito Singapura de ser, mesmo que às vezes os aparatos da organização pareçam orwellianos demais. Singapura tende a assustar europeus e americanos, mas para quem vem de países subdesenvolvidos – especialmente aqueles em que a banalização da violência e a falta de educação já tomaram conta -, esse país é um porto seguro admirável.

Singapura – (Des)complicada e Perfeitinha

36º Dia – 03 de Março de 2014, Singapura.

Nossa chegada em Singapura não foi a das melhores.

Durante a fase de pouso do voo, comecei a sentir um desconforto que logo virou uma forte dor de ouvido. E de repente eu estava surdo, era isso. Carol falava comigo e eu não ouvia nada, para total desespero dela, que a essa hora já estava chorando. E eu também, de dor. Quase desmaiando, balbuciei um inútil pedido de ajuda à comissária: um remédio, uma máscara de ar, um tiro na cabeça, qualquer coisa que diminuísse aquela sensação perfurante nos meus tímpanos. Em um voo de companhia de baixo-custo onde até a água é paga, a aeromoça não fez muita coisa: apenas me deu um sorriso amarelo como resposta. Eu que me danasse, pronto.

Já em terra, fui andando meio zonzo pelo saguão do Singapore Changi Airport, com dor de cabeça e a audição bem prejudicada. Se continuássemos daquele jeito a imigração iria ser bem interessante: Carol sem falar inglês e eu sem poder ouvir. Uma muda e um surdo, que dupla!

Precisava de um banheiro, lavar a cara, me olhar no espelho e tentar ver que dentro de tanta dor ainda havia uma pessoa. E então, surpreendentemente algo dentro daquele toilet começou a me fazer sentir melhor. Talvez o cheiro de limpeza, a iluminação de bom gosto ou a decoração com uma mini cachoeira (!) próxima às pias, não sei. Fato é que senti um dolorido “PLOFT” no ouvido esquerdo, e em seguida um “PLOC” no direito. Machucou, mas pelo menos havia recuperado uns 20% da minha audição. O suficiente para identificar o som ambiente, baixinho: uma versão instrumental de Águas de Março, de Tom Jobim. Como essa música combina com um banheiro!

Era o banheiro mais agradável que eu já tinha pisado. Na saída, uma tela touchscreen pede para que eu lhe dê uma nota de avaliação. O olhar do faxineiro é intimidador. Ele não tem cara de coitadinho, nem de que precisa do meu voto. Segurando sua vassoura como o pastor que segura seu cajado ou o ninja que desembainha sua espada, ele telepaticamente parece me dizer: “Brasileiro idiota. Você acha que é capaz de deixar um banheiro brilhando como esse? Você acha que é digno de viver em Singapura como eu?”.

Derrotado, não me resta escolha e pressiono o rostinho feliz. Votei em “Excellent”. Duas vezes.

Cada um escolhe o melhor método de se recuperar de um voo terrível como aquele. Carol, por exemplo, aproveita a cadeira de massagens gratuita. Singapura já nos mimava sem que nem mesmo tivéssemos nossos passaportes carimbados.

A Imigração é rápida e eficiente. Sem perguntar para onde vamos ou pedir pelo bilhete de saída (que não tínhamos), somos liberados. Não sem antes ganhar uma balinha personalizada do aeroporto. Welcome to Singapore!

Como qualquer país decente, há um metrô que sai do aeroporto em direção a todos os cantos da cidade. É interessante notar os tipos que vamos encontrando: indianos, árabes, chineses e ocidentais. Há mais diversidade étnica em um vagão do MRT de Singapura do que em toda São Paulo.

Com o dia amanhecendo, vamos olhando pelas janelas do metrô e nos surpreendendo com a paisagem: Ao contrário de Hong Kong, não existem tantos prédios por aqui. Casas e prédios “normais” dividem harmoniosamente o espaço entre ruas arborizadas. Tudo dá um ar de organização, mas não de riqueza. Singapura é um dos países com a maior concentração de milionários do mundo, e era muito provável que alguns deles estivessem ali conosco naquele veículo. Esse é um país rico que não transparece ostentação, mas sim frugalidade.

Propaganda do metrô anunciando descontos para aqueles que embarcarem mais cedo: – “Eu saio para trabalhar cedo e poupo dinheiro!” – “Eu começo a trabalhar mais cedo ainda e posso sair cedo do escritório para comprar mais!”

Mesmo após uma noite inteira de trabalho, nossa anfitriã vai nos buscar na estação. Vanessa é a segunda geração de uma família singapuriana, o que é algo bem raro, já que esse ainda é um país jovem e com uma história bem recente. A maioria dos que ali vivem são imigrantes. Tivemos a sorte de nos imergirmos totalmente em uma cultura a partir da visão dos locais. Devidamente alojados, é hora de partir para o centro e nos depararmos com o urbanismo da cidade-nação.

Invista pesado em transporte público e restrinja a compra de carros para aqueles que possam arcar com os altos impostos e mais U$70.000 de licença para dirigir. Eis a receita da cidade onde congestionamentos no trânsito simplesmente NÃO EXISTEM.

Começamos nossas andanças pela Marina Bay, região com os mais famosos e bonitos prédios.

O lugar é lindo e certamente tem uma das vistas mais privilegiadas da cidade. Mas precisava mesmo colocarem tantas espreguiçadeiras no caminho? Ainda cansados da viagem de avião, não resistimos a tentação e dormimos umas duas horas por ali, deixando a mochila no chão mesmo. Desnecessário dizer que, ao acordar, ela encontrava-se no mesmo lugar.

Teríamos dormido bem se não fosse o sol forte do meio-dia, que começou a nos torrar vivos. Singapura tem um clima tropical e está localizada praticamente em cima da linha do Equador. Em outras palavras: faz calor pra caramba!

Fugimos de lá através de uma das modernosas passarelas do local…

…Hora com vista para o imponente Marina Bay Sands, o famoso prédio com uma piscina “sem fim” no topo…

…e também a famosa roda-gigante, que se move tão lentamente que até parece estar parada.

O lugar é de tirar o fôlego, excelente para tirar algumas boas fotos e ir entrando no clima de Singapura. Vamos seguindo em frente e ficando de boca aberta com o bom gosto da arquitetura desse lugar.

Se perder em Singapura – se é que isso é possível em uma cidade tão pequena – é um prazer. As ruas são limpíssimas, e chama a atenção a harmonia entre o verde e o concreto.

Seguimos pela Orchard Road, famosa rua repleta de shoppings da região.

Entrar nos shoppings é algo que vamos fazendo frequentemente conforme vamos andando pela rua. Não tanto pela vontade de comprar alguma coisa, mas sim para aproveitar os potentíssimos ar-condicionados e fugir do calor do mundo real.

Acabamos esbarrando na rua com uma simpática barraquinha. Hora e clima perfeito para experimentar por apenas SGD $1 (U$0,80) uma iguaria daqui: Hambúrguer de sorvete!

O negócio é bem simples – basicamente um pão de forma e uma fatia de sorvete cortada na hora -, mas é o lanche perfeito para aliviar o calor da tarde a um preço camarada. Aliás, como em breve iríamos perceber, apesar de Singapura ser considerada como um dos lugares mais caros do mundo para se viver, pelo menos a alimentação tende a ser bem barata – mais do que o Brasil, até.

Seguimos nossa caminhada até chegar ao Rio Singapura, que apesar de não ser o rio mais limpo do mundo, tem uns arredores muito bem cuidados, com diversos restaurantes, monumentos e atividades que atraem boa parte da população para passar por lá um fim de tarde agradável.

Se pararmos para pensar, Singapura só veio a ser planejada e construída conforme conhecemos de uns 30 anos pra cá. Antes disso, era apenas uma ilha cheia de mato que não interessava a Malásia, antiga proprietária das terras.

De pântano sujo a um dos países mais desenvolvidos e urbanizados do mundo, levaram pouco mais de 30 anos. O que fizemos nos últimos 500?

Explorar um pouco de sua história através de pontes antigas e esculturas que transformam a cidade em um museu ao ar livre é encantador, nos remetendo aos tempos onde sua principal fonte de renda era a pesca e seus maiores prédios eram casas de palafitas.

Perto dali, encerramos nosso primeiro dia em um encontro com o Merlion, cabeça de leão em corpo de peixe, símbolo nacional que sintetiza a prosperidade do país:

Tudo é muito próximo desse lado da cidade, e é possível ver a roda gigante e os prédios Marina Bay Sands em conjunto com a escultura-chafariz.

Singapura nos passou uma excelente primeira impressão em nosso início de jornada. Seriam apenas 4 dias por lá, mas o suficiente para conhecer suas particularidades e compreender um pouco mais desse Estado-nação.

Com universidades na lista das melhores do mundo, transporte público super eficiente e alto Índice de Desenvolvimento Humano, conheceríamos nos próximos dias os lados menos modernos e mais tradicionais (e porque não dizer, divertidos?) de Singapura.