Aviso aos navegantes…

Destacado

Pra quem acompanha nosso blog, já deve ter dado pra perceber que estamos meio desatualizados, né? Desculpem 🙂

Enquanto vamos atualizando aos poucos nosso humilde diário de viagem, acompanhem a nossa página no Facebook (http://www.facebook.com/wendellandcarol), onde postamos as fotos mais recentes alguns pequenos textos.

Prometemos em breve atualizar essa joça!

Obrigado 🙂

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Especial Ilhas da Tailândia: Koh Lanta

51º ao 53º Dia – Koh Lanta, 19 a 21 de Março de 2014. 

Dando prosseguimento à nossa exploração das mais belas ilhas da Tailândia, saímos de Ao Nang rumo à Koh Lanta. Para isso, encaramos mais uma vez o confuso, porém funcional, método de transporte das empresas turísticas do país. Etiqueta aqui, sobe no carro ali, atravessamos o mar de ferry com o carro e tudo e vamos indo para o nosso destino…

Apesar de termos saído de tarde, somente à noite chegamos na ilha. E convenhamos, chegar de noite em um lugar desconhecido nunca é bom, mesmo na Tailândia, um país pacífico por natureza e com índices de criminalidade contra o turista quase nulos.

Ainda assim, o receio bateu forte ao descermos da van e percebermos que os arredores de Long Beach, a praia que decidimos ficar, era uma rua deserta em meio ao breu, aparentemente no meio do nada. “E agora?”

Entramos em uma rua esquisita, de terra e completamente escura. A única iluminação por ali era fraca e vinha de um estádio de muay thai, Maravilha! Fomos andando a esmo, e por fim acabamos encontrando um lugar com bangalôs na faixa dos 300 baht (U$9). Era o Yanang Homestay, hospedagem simpática gerida por uma família bem humilde (eles também moravam em um dos bangalôs!), muito simpáticos.

E essa seria a nossa “casa” em Koh Lanta. Apesar do aspecto simples, estávamos a poucos metros da praia e dos restaurantes mais gostosos (e baratos!) da ilha. Contanto que tivéssemos internet e uma mosqueteiro para nos proteger dos insetos, estava tudo ótimo!

Após uma boa noite de sono, fomos conhecer a bela praia a luz do dia. E que praia!

Koh Lanta é de uma tranquilidade só. Uma praia sem muitas ondas, não muito funda, com uma água de temperatura deliciosa e uma areia bem fofa. O que mais precisávamos?

A praia de Long Beach era o lugar perfeito para descansar. Os bares da orla bem que tentam trazer algum agito, mas é inútil: a vocação de Koh Lanta é a de um lugar para comer, ir à praia e dormir.

A variedade de hospedagem é gigante, a começar pelos bangalôs de todos os tipos – com ventilador, ar-condicionado, em frente à praia, no mato, etc. Tem para todos os gostos e bolsos.

O tsunami de 2004 chegou a afetar a ilha, e a maioria das construções à beira-mar são recentes. Resolvemos voltar pelo caminho da noite anterior e enxergar melhor por onde passamos.

Placas apontam para a Clayzy House, um lugar bem barato mas, honestamente, preferimos continuar onde estávamos. Uma simples passagem em frente ao local e vimos um ambiente bem zoneado, cheio de hippies e tudo de ruim que alguns deles trazem consigo. Felizmente a atmosfera de Koh Lanta é bem mais superior que isso.

Os dias são incríveis, pois passam devagar, sem pressa. As festas tentam acontecer, os bares abrem e tocam música ao vivo, mas logo tudo acaba cedo e todos vão dormir. Ou ao menos ficam quietos, contemplando o barulho das ondas, audível do bangalô.

E como se não bastasse, a praia ainda tem um lindo pôr-do-sol.

Sem muita coisa pra fazer, vamos nos deliciando com as comidas fartas e baratas da redondeza. Encontramos o restaurante Mr. Green, um ambiente bem familiar, com pratos a partir dos 50 baht (U$1,50). E por “pratos”, eu me refiro a porções extremamente caprichadas de fried ricepad thai repletos de frutos-do-mar, bem temperadas e ainda com água gratuita. Ô beleza!

Como é de se imaginar, Koh Lanta nos conquistou não só pela praia, mas também pelo estômago. A vontade era de se mudar para a ilha e ficar lá um bom tempo.

(In)felizmente tínhamos que partir para nosso próximo destino, Koh Phi Phi. Ainda pensamos em adiar um pouco a viagem, mas em um capricho da natureza o fenômeno da maré vermelha resolveu aparecer, trazendo algumas algas e uma coloração nada agradável à praia. Era como se a própria ilha estivesse se autossabotando e dissesse: “Ei, pessoal. Eu sou linda, mas Koh Phi Phi é muito mais!”.

Quem somos nós para contrariar a natureza, não é? Por isso, encararíamos mais uma sessão de “transportes tailandeses”, e após um songatoew e um ferry, chegaríamos à incrível ilha de Koh Phi Phi.

Especial Ilhas da Tailândia: Hong Island

50º Dia – Hong Island, 18 de Março de 2014. 

É senso comum dizer que a Tailândia é bonita. A natureza foi generosa por aqui, criando belas paisagens que mesclam lindas praias, montanhas, rios e cachoeiras de fazerem cair o queixo. Por isso, resolvemos começar nosso tour pelo país conhecendo suas ilhas mais famosas:

thaislandPara um roteiro de pouco mais de um mês no país, fomos bem ambiciosos: Visitamos Hong Island, Koh Lanta, Koh Phi Phi (com um pernoite em Maya Bay, a lendária ilha do filme “A Praia”, e uma passadinha em Bamboo Island), Koh Samui, Koh Phangan, Koh Tao e, ufa, Koh Nang Yuan.

E sim, como você já deve ter percebido, “ilha” em tailandês é “Koh”. 😉

Ainda em Ao Nang, nossa base ao chegarmos na Tailândia, fomos atrás do translado para Hong Island. Locomover-se pela Tailândia é ridiculamente fácil, especialmente para lugares turísticos como as ilhas. Existem centenas – talvez até milhares – de agências espalhadas por onde quer que você esteja, vendendo pacotes com passeios, transfers, absolutamente tudo que você precisa para ir de um ponto ao outro, te pegando na porta do hotel, levando ao lugar desejado e ainda trazendo de volta, se for o caso. É até engraçado: você vai ao mercado, à farmácia, e lá tem uma plaquinha escrito: “Temos tickets para o passeio/ilha tal”. Não tem como não se virar.

A maior dificuldade, se é que podemos chamar assim, é saber o valor justo do que se está comprando. É sempre bom pesquisar o preço atual correto na internet e pedir desconto.

Fechamos em uma agência o translado para Hong Island por 1300 baht (~U$40) para os dois, com almoço, frutas e bebidas inclusas, além de equipamentos de snorkel. A viagem se dá por meio de longtails, como são chamados os barcos típicos por aqui.

O passeio começa cedo, com o motorista do songateow indo nos buscar no hotel. O horário marcado era às 08h, mas às 07h55 já ouvíamos o barulho do carro estacionando. Pontuais esses tailandeses. Os procedimentos em todo pacote como esse são os mais bizarros possíveis: colocam uma etiquetinha colorida em você e pedem para não tirar. Acredite, esse pequeno adesivo é uma identificação importante para todos os envolvidos nos trâmites turísticos a partir dali, e o que fará você ser entregue em segurança no píer ao barco correto, que te levará ao passeio que você escolheu e tudo o mais conforme combinado. Difícil de acreditar, mas funciona.

Só iríamos descobrir mais tarde, mas todos os passeios são feitos dessa maneira. Você – o cliente – nunca sabe de nada, e fica a mercê da boa fé de todos os responsáveis em cumprir com o prometido. Nós, brasileiros que somos, sempre ficávamos com o pé atrás a cada novo passeio que fazíamos. “Almoço incluso?”, aham, sei. “Ônibus com ar-condicionado? VIP?”, ok, ok… A cada parada, cada movimento diferente, esperávamos pelo pior. Já estávamos preparados para o golpe, a mutreta, a sacanagem, o anão vestido de palhaço aparecer do nada gritando aha, pegadinha do Mallandro!, mas não, isso nunca aconteceu.

Pode confiar, aqui é a Tailândia.

O passeio mal começa, mas o trajeto já é de impressionar! O que são essas montanhas saindo do mar da Tailândia, meu Deus?? Coisa linda de se ver. Não tem nem como ficar entediado nos pouco mais de 30 minutos até a primeira parada, em Lading Island, não coincidentemente também conhecida como Paradise Island.

Apesar de lotada de barcos, a ilha é muito bonita. Na verdade, até os barcos dão um charme a mais. A parada é rápida, mas o suficiente para fazer snorkel e ainda aproveitar o almoço incluso.

Como descobriríamos em breve, praticamente todo passeio na Tailândia envolve uma ou mais paradas para mergulho. As primeiras vezes são bem legais, mas depois da quinta vez chegamos a cometer a barbaridade de pensar: “Ah, mais peixinhos nessa água super transparente? De novo?”.

E o passeio continua, com aquela paisagem linda de sempre…

Dessa vez vamos nos aproximando por mais uma colossal muralha de pedras sobre o mar. A parede natural é o que fecha um curso d’água, transformando-o na linda Blue Lagoon.

E lá vamos nós novamente, ô caminho chato… 😛

E logo mais a frente, ela aparece, toda imponente: enfim, Hong Island!

O cenário é tão bonito que chega até a ser difícil tirar uma foto ruim. O ambiente é completamente fotogênico.

As ilhas da Tailândia têm um problema… depois que você as visita, automaticamente fica muito mais seletivo para praias. Como um expert, você passa a criticar os tons de verde e azul da água, a granularidade da areia, a temperatura ideal do mar, condições do vento. Um castigo pra quem gosta de praia. É como o alpinista que chega ao Everest e passa a achar o Kilimanjaro meio sem graça.

Como toda ilha tailandesa que se preze, há uma rota de evacuação de Tsunami, criadas após o terrível maremoto que atingiu boa parte das ilhas no Mar de Andaman e fez milhares de vítimas.

Apesar das grandes perdas na época – das quais falaremos mais nos próximos textos -, vale salientar que foram feitos importantes investimentos nas tecnologias de prevenção a esse fenômeno da natureza. O maior perigo das praias da Tailândia deixaram de ser os tsunamis – agora detectados e alertados com boa antecedência -, mas sim a variedade animal que circula pelas areias…

Hong Island foi uma excelente iniciação às ilhas tailandesas. Mas acredite, essa ainda é só a primeira ilha que visitamos no país. Ainda havia muito mais belezas a serem exploradas…

Entrando no Reino Encanto de Sião

46º ao 49º Dia – Krabi e Ao Nang, 14 a 17 de Março de 2014.

A História do Reino da Tailândia (sim, esse é o nome oficial do país!) é repleta de ascensões e quedas de impérios, desde quando ainda se chamava Reino de Sião. Regida por uma monarquia que tem status de semideuses, a Tailândia foi o único país do Sudeste Asiático a não ser colonizado pelos europeus – apesar de serem eles os principais turistas a vir pra cá atualmente. Ainda iríamos aprender muito sobre esse país!

Chegamos por mar, em um ferry de Langkawi (Malásia) até Satun (Tailândia), viajando pouco mais de uma hora em uma embarcação bem confortável.

Nossa primeira imagem da Tailândia: Um monge tirando foto de outro monge.

A Imigração é rápida e logo estamos com os passaportes carimbados e pisando oficialmente em território tailandês. Não sabíamos da distância entre o terminal de ferries e a rodoviária, então acabamos pegando um táxi (150 baht/U$4,50), valor negociado, e que acabou valendo a pena porque realmente era longe.

Na rodoviária, as primeiras diferenças ficam bem ressaltadas. Que RAIO de alfabeto é esse? Não ia ser fácil se virar nos primeiros dias por aqui…

E não ia mesmo. Penamos até encontrar algum funcionário dos guichês que pudesse falar inglês. Quando enfim encontramos, bateu aquele medinho de ser explorado e acabar pagando mais caro só porque éramos turistas e simplesmente era impossível entender o idioma escrito – até os números são diferentes. Felizmente, como iríamos descobrir ao longo dos 35 dias que ficamos nesse país, é que a Tailândia é um dos lugares mais confiáveis do mundo. Com óbvias exceções – taxistas e motoristas de tuk-tuk – todos os demais funcionários de empresas turísticas estarão sempre prontos para te ajudar e não se aproveitarão da situação para obter lucros indevidos.

Por 460 bath (U$14) cada um, valor correto de acordo com o guia que lemos, pagamos nossa ida de minivan até a cidadezinha de Trang, e de lá um ônibus até a cidade de Krabi, porta de entrada para aqueles que desejam visitar as famosas ilhas tailandesas do Mar de Andaman.

Mais um choque cultural, dessa vez com os ônibus tailandeses: “cafonas”, para dizer o mínimo, com cortinas rosas, tetos almofadados e até karaokê. Parece que saiu direto da década de 70/80 pra cá.

Os 400 km de viagem demoram mais do que o esperado para passar e já chegamos às escuras na cidade de Krabi. E por escuridão, não me refiro somente ao horário da noite, mas sim ao ambiente completamente no meio do nada que o ônibus nos deixou. Não acreditei que aquele ali seria o ponto final e tive que confirmar com o motorista…

Andamos e não encontramos muita coisa a não ser uma rua com escassas barraquinhas de comida local e um 7-Eleven perdido. Como sempre, essa rede de lojas de conveniência é nossa salvação e comemos alguma coisa por lá antes de encontrar algum lugar para passar a noite.

A dificuldade em encontrar alguém capaz de falar inglês persistiu, dessa vez até em quem deveria ser obrigação saber: o recepcionista do único hotel que encontramos. Após mostrar-nos o preço da diária na calculadora, o diálogo baseou-se, resumidamente, em “yes, yes” a qualquer pergunta que fizéssemos, mesmo que fosse “a que horas é o check-out?” (“Yes, Yes”) “qual a senha da wi-fi?” (“Yes, Yes”). Complicado.

E pra completar, ainda nos deram um quarto com camas separadas!

Mas o pior ainda estava por vir: em uma das minha inúmeras tentativas frustradas de comunicação com o recepcionista, desci do quarto para tentar descobrir a senha da wifi e, ao voltar, esqueci completamente o número do quarto. O corredor e todas as portas eram iguais, e como já era tarde, preferi não bater na porta e correr o risco de perturbar algum outro hóspede. Falar com o funcionário não iria adiantar, ele não ia entender mesmo. Decidi então sentar no corredor e esperar até a hora que Carol percebesse minha ausência.

O que eu não sabia é que eu estava no 2º andar, e o nosso quarto era no 3º! Estranhei a demora da Carol em abrir a porta, fiquei andando para um lado e pro outro, e passado quase uma hora de espera, eu já havia preparado um longo discurso sobre a falta de atenção dela comigo e até imaginei que teria que passar a noite do lado de fora.

Até que, enfim, apareceu o recepcionista com uma cara de aflito, que quando me viu fez uma exclamação em tailandês que realmente espero que seja de alívio… Seguindo-o, subi as escadas e dei de cara com uma Carol aos prantos, tentando falar com a outra funcionária em um inglês pior que o dela. Tadinha, ela só faltou desmaiar…

Mais calma, fomos tentar ver alguma coisa na televisão. Os canais no idioma incompreensível já nos mostravam através das propagandas e videoclipes um pouco da cara da Tailândia. Logo confirmamos uma das nossas primeiras impressões ao começar a viagem: música ruim tem em todo o mundo!

É uma mistura de tecnobrega com forró e pop adolescente, é uma maravilha a qualidade musical do sudeste asiático – na Tailândia não é diferente. Ainda tivemos a oportunidade de assistir a um dos clipes de maior sucesso do país ultimamente: “Transgender Woman Never Cheats”.

O vídeo conta a história de dois amigos de infância, no qual um deles se apaixona pelo outro e acaba sendo rejeitado por ser homossexual. No futuro, o amigo gay faz uma cirurgia, “vira mulher”, encontra com o outro amigo e… bom, não vou estragar a surpresa do clipe. Sucesso na Tailândia e até mundialmente, a história poderia passar-se por apenas mais uma produção surreal e polêmica, se não fosse uma realidade constante do país.

A convivência em sociedade dos transsexuais – aqui chamados de ladyboys –  é muito bem aceita no país. Ao contrário dos travestis no Brasil, quase sempre restritos à prostituição, por aqui eles trabalham normalmente em lojas, bancos, lanchonetes, desempenhando todas as funções normalmente, mesmo “caracterizados”. Apesar do nosso estranhamento inicial, nunca vimos nenhuma forma de preconceito. Mas são bem famosas as histórias dos turistas que vão ao bar paquerar uma gatinha e só mais tarde descobrem que ela não era bem… “ela”.

Tratamos de sair cedo no outro dia rumo à Ao Nang, região costeira a 15 km de Krabi. Para isso, pegamos um songhateow, como são chamados as caminhonetes que fazem o transporte público por aqui.

Ao Nang é bem desenvolvida e tem de tudo: fast food, supermercados, centenas de agências de turismo, etc. Justamente por isso, nos assustamos com o alto preço das hospedagens e demoramos a achar um lugar dentro do nosso orçamento. Acabamos ficando afastados da praia (uma caminhada de 20 minutos), no Star Guest House. A primeira diária foi 500 baht (U$15), mas como ainda ficaríamos mais dias, negociamos para 400 baht (U$12).

A escolha acabou se mostrando equivocada. Optamos por nos hospedarmos em Ao Nang para não pagar pelos altos preços de Railay Beach, uma das praias mais bonitas da região (segundo dizem), somente acessível por barco e cheia de resorts. Mas nos quatro dias que ficamos por lá, acabamos sentindo um pouco o cansaço da Malásia e ficamos com muuuita preguiça de caminhar até à praia todo dia, não fomos à Railay e nem ao passeio imperdível (que perdemos) das 4 Islands.

A praia de Ao Nang até que é bonitinha, mas o tempo nublado e a incrível quantidade de macacos (!) não ajudou a nos sentirmos à vontade.

Sorte nossa é que não só de praia vive Ao Nang. Aos finais de semana uma feirinha simpática é montada em uma das ruas, com várias opções de refeições, desde kebab pad thai, sempre muito barato. E por falar em comida, além da rede internacional de supermercados Tesco que tínhamos por perto, vendendo refeições simples (geralmente arroz com omelete) a partir de 10 baht (U$0,30), encontramos um lugar bem aconchegante com pratos típicos com frutos-do-mar, a partir dos 50 baht (U$1,50), caprichadíssimos:

fried rice e o pad thai seguiriam como nossos inseparáveis companheiros de viagem na Tailândia. Esses são os pratos mais típicos e mais baratos, mas também os mais gostosos que encontramos por aqui. Vamos variando entre as opções de frango, vegetais, carne e frutos-do-mar, e sempre nos surpreendendo com os novos temperos. Parece que cada restaurante/barraquinha tem o seu próprio modo de fazê-los, e uma refeição nunca é igual a outra.

Apesar do turismo exageradamente desenvolvido, a Tailândia ainda consegue ser bem autêntica e manter suas tradições. Passamos dias bem preguiçosos em Ao Nang, sendo levemente introduzidos ao modo de vida do país e suas particularidades. Mas era hora de deixar a moleza de lado e encarar um dos roteiros mais ambiciosos que já montamos: visitar todas as mais famosas ilhas tailandesas!

Malásia – O Que Vimos e Quanto Gastamos?

A Malásia foi um país que nos ensinou várias lições.

A primeira delas: Não vá à Malásia.

Ok, exagero. Quem somos nós para querermos definir um país em apenas 6 dias? A verdade é que realmente não tivemos um bom tempo por lá.

Em partes, é claro. Por que se tem duas coisas que a Malásia teve de bom, foram as pessoas e as comidas!

Tivemos o prazer de ficarmos hospedados na casa da Wendy, uma malaia sensacional que nos deu muitas dicas e nos fez entender melhor esse verdadeiro caldeirão cultural que é o país. Aliás, ela também foi a responsável por nos viciar (!) em delícias como dragon fruit, além do delicioso chá teh tarik com panqueca roti canai.

Apesar de ser encontrado nos restaurantes indianos-muçulmanos, essas duas belezinhas aí são receitas tipicamente malaias e simplesmente fizeram nossa cabeça. Vale a pena pesquisar a receita e tentar fazer em casa, especialmente o chá, que basicamente leva chá preto e leite condensado e tem uma maneira bem peculiar de ser feito.

ORÇAMENTO

A Malásia é um famoso destino de compras e, como é de se imaginar, tudo é bem barato por lá. Principalmente hospedagem, alimentação, eletrônicos e roupas em geral – compramos uma camiseta e um óculos de mergulho por lá! Pode-se dizer que o custo de vida é bem parecido com os dos países mais baratos do Sudeste Asiático.

No período de nossa passagem por lá (Março/2014), U$1 equivalia a 3,2 Ringgits. Estabelecemos como teto máximo diário a média de U$40. Eis a nossa planilha:

malaysiaRaspando, mas milagrosamente conseguimos não passar da meta gastando apenas a média de U$38,64 por dia, em uma economia de U$1,36 por dia ou U$8,16 poupados em relação ao orçamento original.

Dizemos que foi uma milagre porque tivemos vários gastos não planejados. A começar pelas hospedagens, já que nossa ideia era ficar na casa de nossos amigos do Couchsurfing durante toda nossa estadia. Infelizmente alguns contratempos fizeram com que tivéssemos que nos adaptar, e sorte nossa que os preços eram bem em conta.

Outro fator complicado foi a alimentação. Apesar de termos gostado bastante dos pratos típicos malaios que provamos, a maior parte dos restaurantes locais tinham um método de precificação bem diferente aos nossos olhos brasileiros, acostumados com self-service a quilo. Não conseguimos entender como eles funcionavam e acabamos ficando restritos aos restaurantes mais turísticos e com cardápio mais ocidentalizado. Isso quando não apelávamos para o fast food, mesmo.

Já o transporte, apesar de ter sido nosso maior gasto, justifica-se: cruzamos o país de uma ponta a outra em trens noturnos! Os trens são confiáveis e as passagens muito baratas. Infelizmente tivemos que pegar alguns táxis também.

Mesmo com alguns gastos no campo Misc. relacionados a compra de alguns itens necessários de última hora, ficamos satisfeitos com o resultado final, que nos mostrou que conseguimos lidar bem com imprevistos e não estourar nossa meta. Já basta aquele susto em Singapura!

Confesso que saímos com certo alívio da Malásia. Talvez não fosse a hora certa de estarmos lá… Em compensação, chegamos no momento perfeito na Tailândia!

É Langkawi, mas pode chamar de Guarujá

44 ao 46º Dia – Langkawi, 12 a 14 de Março de 2014.

Viajar de trem é legal, mas cansa. Especialmente se as cadeiras da segunda classe não reclinam… aí o jeito é se virar como pode e tentar ter uma noite agradável de sono.

Apesar dos pesares, a viagem corre tranquila, como de praxe. Não bastasse ser muito fácil e barato viajar de trem pela Malásia, tudo é muito seguro e os horários são respeitados. Chegamos pela manhã em na estação de Arau, onde seguiríamos para o porto de Kuala Perlis pegar o ferry até a ilha de Langkawi.

Ainda na estação, um mochileiro russo veio falar com a gente. Era Sergei (que criatividade esses russos têm para nomes, hein?), que com um inglês sofrível tentava nos convencer a rachar um táxi com ele. É nessas horas que fico feliz por ter sido fã de t.A.T.u na adolescência. Com alguma dificuldade conseguimos nos comunicar e alguns minutos depois estávamos no táxi. Táxi compartilhado, preço mais barato pra todo mundo, uma maravilha, certo?

Só que o russo era muuuuuito mala. Além de marcar umas bobeiras grotescas (ficar usando o tablet e mexer com grandes maços de dinheiro ao lado do motorista, por exemplo, coisas impensáveis pra nós brasileiros), o cidadão era meio carente, e logo queria saber para quais praias visitaríamos, onde iríamos ficar, etc, etc. Tão logo descobriu que iríamos para a mesma praia que ele, pediu para acompanhar a gente nos próximos dias. E quando eu caí na besteira de dizer que ficaríamos na casa de um amigo do Couchsurfing… pronto, o camaradóvski implorou para dividir o quarto também!

Carol no ferry de Kuala Perlis à Langkawi. Reparem a felicidade da nossa amiga muçulmana…

Assim que entrarmos no ferry, fomos agraciados com o fato de saber que as cadeiras eram numeradas. Nos livramos do russo por um tempo. A viagem não é longa, e em pouco mais de uma hora chegaríamos à ilha. Durante o trajeto, vamos percebendo os tipos que vão nos acompanhando.

A maioria dos passageiros é de origem iraniana. As características físicas dos persas, além do idioma, são muito perceptíveis. Fora que todos seguem um estilo bem parecido: os homens têm o mesmo corte de cabelo – quando têm cabelo -, e usam barba. As mulheres são tímidas e usam véus. Viajam em família, nunca em casal, com irmão, tia, cunhado, avó… Além da renca de filhos.

Se a Malásia fosse o Brasil, então os iranianos seriam os argentinos…

É interessante notar o porquê dessa galera estar viajando por aqui. Acredite se quiser, mas a Malásia é um dos 10 países mais visitados do mundo, em parte graças ao aeroporto de Kuala Lumpur ser um dos maiores hubs da Ásia, com conexões para praticamente todo os cantos do globo. Os iranianos dão uma forcinha a mais nesses números porque basicamente é o único lugar que podem viajar.

“Você já parou pra pensar o quão inútil é um passaporte iraniano?”, nos explicou Wendy, nossa anfitriã em KL. É verdade: você não pode ir aos EUA ou a Europa porque é visto como potencial terrorista, os vistos para China ou Japão são dificílimos, e não pode nem sequer pensar em ir à Israel porque lá você seria mais mal-visto que a reencarnação de Hitler. Ir ao Brasil – único lugar do mundo onde Ahmadinejad é admirado – até seria uma opção, se esse não fosse um destino tão longe e caro.

E o que sobra? A Malásia, é claro. Especialmente as praias, o que basicamente faz a fama da ilha de Langkawi.

Ainda em KL, nossa anfitriã também nos explicou que o passaporte malaio – juntamente com o brasileiro – é um dos mais falsificados do mundo. Por U$ 20.000 no mercado negro, qualquer um pode ser malaio. Descobri que até eu pareço com o povo do norte do país.

Foi com certa precipitação que a mídia saiu apontando um provável atentado terrorista no caso do sumiço do voo MH370, usando como evidência o fato de um passageiro iraniano estar usando um passaporte falso. Fato é que esse coitado apenas devia estar tentando imigrar. Como descobríamos desde já, o povo do Irã é bem pacífico e até simpático.

Moleque iraniano (parecidíssimo com o do filme “O Iluminado”, veja só) tocando o TERROR no ferry. Deixar os filhos andando soltos por aí foi o máximo de comportamento incomum que percebemos nos iranianos até agora.

Enfim chegamos à Langkawi e o russo logo veio pra perto da gente – ô cara grudento! -, mas por uma providência divina ele ficou apertado e pediu para que o aguardássemos enquanto ele ia ao banheiro. “Claaaaaaro”, e na primeira oportunidade, nos misturamos à multidão que saía do ferry e nunca mais nos vimos.

Enfim, Langkawi!

Primeira surpresa chata: a ilha não é grande, é enorme! Tivemos que pegar um táxi – uma das coisas que mais odiamos fazer nessa vida – e fazer uma viagem de meia-hora até chegar à praia de Cenang, a principal da ilha, onde nosso anfitrião do Couchsurfing nos receberia.

Eu estava ansioso para conhecer o Jammie, já que ele havia dado a volta ao mundo nos anos 80 (!) de bicicleta (!!) e oferecia gratuitamente um quarto em frente à praia simplesmente para “pagar com gratidão toda a generosidade que recebeu em sua viagem na juventude” (!!!). Inspirador, não?

Mas aí mais uma sequência de problemas se sucedeu… Não conseguimos achar o endereço. Pegamos outro táxi, e nem o taxista sabia como chegar. Demos voltas e voltas, perdemos dinheiro, e nada. Nessa hora eu estava tão estressado que minha vontade era pegar a Carol pelo braço e entramos no primeiro ferry em direção à Tailândia.

Parabéns, Malásia: você é um teste para qualquer relacionamento!

Infelizmente tivemos que desistir de buscar pela casa de nosso ex-futuro-anfitrião e fomos procurar algum lugar para passar a noite, mesmo. Por sorte a ilha de Langkawi não é um lugar caro – pelo contrário, é um destino duty free, onde muitos turistas vêm interessados nos preços baratos da cerveja e dos produtos importados.

Haja vista nossa incrível capacidade de encontrar muquifos, o escolhido dessa vez foi o decrépito Amani Guesthouse. É uma pena não termos tirado fotos da fachada do prédio, que mais parecia uma daquelas invasões em edifícios não acabados. O recepcionista era um tio barrigudo sem camisa, que dormia no sofá na hora que chegamos. O lugar todo parece funcionar na base da “compensação”. O banheiro não tem pia, o vaso não tem descarga e o chuveiro é ruim, mas oferecem toalhas macias e confortáveis de graça. Não tem TV, mas tem frigobar. É abafado, mas o ventilador funciona que é uma beleza. A aparência do quarto é velha e decadente, mas a cama é uma delícia. E por RM 40, que logo negociei para RM 35 (U$11), nem tínhamos do que reclamar.

A localização era perfeita. Bastava atravessar a rua e lé estávamos nós, enfim, em Cenang Beach, a praia mais famosa da ilha de Langkawi.

E como era de se imaginar – ei, isso é Malásia, lembram? – a praia não era nada demais. Desculpa, mas depois de Bali, acho que ficamos meio chatos com praia. Langkawi não foi capaz de atender as expectativas, e pra gente foi como se tivéssemos ido para o Guarujá…

Pelo menos o pôr do sol era bonito.

Depois do dia estressante que tivemos, resolvemos desencanar e tentar aproveitar um pouco. Ficamos então curtindo as últimas horas do sol, enquanto as famílias iranianas se divertiam com a sensação de liberdade que o mar causa na gente. É, somos todos iguais…

No outro dia, mais praia! O aeroporto não era muito distante e toda hora um avião passava perto levantando a areia. Em tempos de voos sumidos na Malásia, ficávamos só imaginando o sentimento de cada um dos passageiros a cada pouso e decolagem.

E vamos ficando mais calmos aos poucos, esquecendo os estresses dos dias anteriores e já planejando nossa ida ao próximo destino. De Langkawi existe um ferry para Satun, nossa primeira parada na Tailândia.

O recepcionista descamisado nos informa que vai ter uma feirinha noturna na ilha. Uma excelente oportunidade de fecharmos a Malásia com chave de ouro.

A feirinha realmente foi ótima – um dos destaques da Malásia nessa viagem -, com comidas gostosas e bem baratinhas. Nem sempre higiênicas, é claro, porque aí seria pedir demais. E como gostamos de entrar a fundo nos costumes locais, até arriscamos deixar os talheres de lado e comer com a mão mesmo.

Além de comida, há até umas lojinhas de roupa e enfim coço o bolso e compro uma camisa de U$3, que fazia falta, já que só viajo com 3 dessas peças de roupa e havia perdido uma em Bali.

Adeus Langkawi, adeus Malásia. Já deu o que tinha que dar. Era hora de entrar no ferry e curtir nossa primeira travessia internacional pelo mar… Em algumas horas daríamos as boas-vindas a um dos destinos mais aguardados por nós, a incrível Tailândia!

Em Busca de uma Malásia mais Light

41 ao 43º Dia – Kuala Lumpur, 9 a 11 de Março de 2014.

A Malásia não foi um país que nos apaixonamos à primeira vista. Nem à segunda. Desde a chegada por terra de Singapura até a ida à Kuala Lumpur, ainda estávamos muito aborrecidos com todas as semelhanças que esse país do Sudeste Asiático tem com o Brasil – lugar que, não custa lembrar, saímos porque já estávamos bem incomodados. Até agora, o incômodo na Malásia era o mesmo.

Mas a situação estava prestes a mudar graças a uma pessoa incrível. Era a Wendy, nossa anfitriã do Couchsurfing que gentilmente nos receberia em sua casa confortável a partir do nosso segundo dia no país – um alívio após termos passado nossa primeira noite em KL num muquifo.

Tão logo chegamos à sua residência, no subúrbio de KL, fomos recebidos como parentes que não se viam há um bom tempo. Fomos super bem tratados, com direito à um jantar delicioso e até legítimas dragon fruits de sobremesa!

Agora que tínhamos uma amiga local, conhecíamos um pouco mais da instigante cultura desse país e, lentamente, fomos percebendo que ele talvez não fosse tão ruim assim. A Malásia ainda tinha muito mais a oferecer do que simplesmente cidades caóticas com buzinas e poluição.

Fomos comprovar isso no outro dia, quando pegamos o trem metropolitano para visitar o famoso templo hindu de Batu Caves, que como o próprio nome diz, fica dentro de uma caverna!

Em um país de maioria muçulmana é assim: nada de “comportamento indecente”.

O templo, encravado entre as montanhas, fica em um belo complexo com outros santuários menores e algumas atrações pagas. Felizmente, por ser o templo hindu mais visitado da Malásia, a Batu Caves é gratuita.

As dimensões do lugar impressionam. Não só pelos quase 50 metros de altura do pomposo deus hindu Murugan, mas também pelos 272 degraus necessários para se chegar até o topo, basicamente onde o templo começa.

Como é comum em quase todos os templos do Sudeste Asiático, macaquinhos rondam o local, acostumados a presença dos humanos e sempre espertos o bastante para cometer pequenos furtos.

A entrada do santuário é através de uma imensa fenda aberta entre as rochas, coisa linda de se ver:

Lá dentro, impossível não lembrar-me do santuário de Bom Jesus da Lapa, no sertão baiano, onde passei parte da minha infância. Ambos os lugares guardam certas semelhanças entre si, seja na arquitetura, formato da natureza e capacidade de atrair peregrinos. O que me leva mais uma vez a pensar que a Malásia e o Brasil são realmente parecidíssimos…

Só que ao contrário dos santos católicos, em Batu Caves são os deuses hindus que pululam pelas rochas, atraindo oferendas e rezas dos fieis que vão até lá prestar sua adoração.

As formações rochosas são indiscutivelmente bonitas, e além da caverna principal, também existem outras por perto bem menos iluminadas e mais “naturais”, onde os corajosos fazem expedições em seu interior a fim de observar animais como morcegos, cobras e escorpiões… Preferimos ficar com os macacos do lado de fora, mesmo.

Em baixo novamente, vamos contemplando o ambiente e vendo a diversidade de pessoas e culturas ali presentes – um resumo de como é a Malásia.

Três diferentes grupos se destacam na multidão: os indianos, os chineses e o malaios de origem muçulmana. Apesar da coexistência de todos, a separação social é bem perceptível.

De volta ao lar de nossa anfitriã, resolvemos preparar um prato típico. Wendy já havia viajado ao Brasil – a trabalho, como a maioria dos estrangeiros que conhecemos – e havia ficado traumatizada com a comida repetitiva. (“Eu não aguentava mais arroz e feijão todo dia!“). Carol então usa seus dotes culinários e cozinha um delicioso cação ao leite de coco, que surpreende as papilas degustativas de nossa amiga. Aprovado!

No outro dia resolvemos dar mais uma chance ao centro de Kuala Lumpur. Pegamos o trem na estação próxima à casa de Wendy e lá fomos nós…

Passeamos novamente por Chinatown, nossa antiga “casa”, e aproveitamos para conhecer um bonito parque por perto.

Como sempre a arquitetura islâmica chama bastante a atenção. Ainda no parque, acabamos descobrindo que a Malásia também tem o seu próprio Stonehenge

No lugar também havia um jardim de borboletas, museus e até um observatório, mas infelizmente não tivemos a oportunidade de conhecê-los.

Nosso último dia em Kuala Lumpur foi marcado pelo cansaço físico e mental que essa cidade nos deu. Resolvemos nem sair do bairro de nossa amiga, e ficamos apenas andando pelas ruas próximas mesmo, comendo no Mc Donald’s halal, tomando sorvete de durian e conversando com as crianças da vizinhança – que a julgar pelo inglês perfeito, só posso tecer elogios à educação malaia, que parece estar no caminho certo.

Mas ainda há muita estrada… tanto pra Malásia quanto pra gente. Com um aperto gigante no coração nos despedimos da nossa amiga, que até nos deu uma carona para a estação de trem. De lá sairíamos para Kuala Perlis, no extremo norte da Malásia. Seria mais uma longa viagem noturna pelos trilhos do país, onde seguiríamos depois rumo à Langkawi, uma ilha que diziam ser “linda”, “paradisíaca”, e tudo o mais… Mas isso é Malásia, né? Tinha que ter alguma surpresa no meio. E teve.

Próxima parada: ilha de Langkawi!