Financeiro

Ao contrário do que possam imaginar, eu e Carol não somos ricos, não temos patrocínio e tampouco ganhamos na Megasena.

Na verdade sempre tivemos empregos bem razoáveis – Carol era professora de creche, e eu já fiz de tudo um pouco, desde recepcionista de hotel até designer de tapetes (!).

Queremos provar que qualquer um, com um pouco de planejamento e educação financeira, pode fazer uma viagem igual ou maior que a nossa.

Assim que surgiu a ideia de dar uma volta ao mundo, percebemos que uma viagem desse tipo não é tão cara quanto aparenta ser. Na verdade, assemelha-se a compra de um carro: Você pode gastar muito comprando uma Ferrari e ter todo luxo e conforto do mundo, ou simplesmente economizar comprando um fusquinha simples, que vai andar igualzinho à Ferrari. Ok, não vai andar “igualzinho”, mas você entendeu o espírito da coisa.

O primeiro passo para viabilizar a viagem parte de um princípio básico: Juntar dinheiro. Mas como? Na internet, é fácil encontrar mil dicas de como multiplicar seus rendimentos: Desde investimentos em ações, poupança, renda fixa, etc.

Nós, que somos meio burrinhos, preferimos não fazer nada disso. Optamos por fazer uma coisa bem mais simples e que surtiu bastante efeito: Parar de gastar dinheiro. Parece um conceito meio difícil de entender, mas é o único meio 100% confiável que conheço para poupar alguns trocados. Matemática pura: Quanto menos você gasta, mais você tem.

Confesso que eu e Carol fomos meio “radicais” nesse ponto: Não tínhamos luxos como TV a Cabo, telefone fixo, internet ou ar-condicionado em casa. Como sempre trabalhamos perto de casa, íamos de bicicleta, o que fazia o uso transporte público e a necessidade de ter um carro tornarem-se absolutamente dispensáveis.

Nem por isso deixávamos de nos divertir! Trocamos o cineminha por DVD e pipoca de micro-ondas. Ao invés de sair pra comer fora, fazíamos em casa mesmo delícias como pizzas, pastéis e hambúrgueres. Também viajávamos sempre durante esse processo, e relatamos tudo em nosso outro Blog. É incrível como viajar de bicicleta, acampar e fazer trilhas custa muito, muito pouco.

Também não deixamos nossas vaidades de lado. Carol vivia sempre comprando roupa nova – no Brechó da Dona Dyrce, R$1 a peça. E eu nunca deixei de ter meu cabelo bem alinhado… já que aprendi eu mesmo a cortá-lo!

Ajudou muito também o fato de não termos dívidas. Sempre partimos do princípio que era melhor poupar para adquirir algo do que simplesmente “passar o cartão”. Aliás, que cartão? Nunca tivemos cartão de crédito!

Nessa brincadeira, durante algum tempo chegamos a poupar mensalmente mais de 80% de nossos rendimentos. Os juros da poupança e a variação cambial fizeram o restante do trabalho.

Cada um faz seu planejamento financeiro de acordo com o que for mais conveniente. Há quem venda o carro, o apartamento, faça empréstimos ou aproveite a rescisão ou FGTS. O pessoal do 360Meridianos, por exemplo, fizeram um excelente post contando a experiência deles na conquista de uma viagem como essas. Vale a pena ler e ver as diferenças que, no final das contas, nos levaram ao mesmo propósito.

E por fim, é necessário dolarizar-se. Mais importante do que fazer uma poupança para a viagem, é também ir comprando dólares – aceitos em todo o mundo – desde cedo, aproveitando as diferentes cotações – ora baixas, ora altas – que surgirão no caminho. Diversificar é a palavra, e você pode reservar alguns fundos em cartões pré-pagos (apesar dos impostos…), cartões de crédito e em cash, mesmo.

Em relação à organização de um orçamento básico para a viagem, ela passa por algumas etapas obrigatórias de gestão dos gastos, a saber:

PASSAGENS AÉREAS

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Apertem o cinto, o piloto sumiu!

Engana-se quem pensa que uma viagem de volta ao mundo só pode ser comprada com bilhetes separados. Atualmente, a maioria das alianças aéreas (OneWorld, Star Alliance, Skyteam…) oferecem um passagem chamada RTW (Round the World) que engloba todos os destinos reservados de uma só vez. Muita gente já escreveu sobre como esses tickets funcionam e seus preços, você pode saber mais lendo aqui, aqui e aqui.

A ideia desse “pacote” é garantir a viagem completa com antecedência e evitar dores de cabeça desnecessárias aos viajantes. Na teoria funciona muito bem, mas ao menos conosco, foi um martírio. Site que não funcionava direito (simulador da Oneworld), problemas com o cartão, reserva não honrada e cancelada após a compra, etc. Optamos pela compra dos bilhetes avulsos mesmo, o que evidentemente aumenta bastante as preocupações (e os gastos, tivemos que cortar a Nova Zelândia por conta disso), contudo, flexibiliza bastante o roteiro.

Nesse caso, a dica para economizar é uma só: Compre as passagens com antecedência. Fique atento às promoções relâmpagos e não deixe de acompanhar o preço através de sites como Decolar.com ou Skyscanner.com – na minha opinião, o melhor, já que não cobra taxas e permite a criação de um “alerta” de preço, que envia por e-mail o preço atualizado diariamente do trecho desejado.

Tenha em mente que essa será a sua maior despesa, consumindo algo em torno de 1/3 do seu orçamento ou mais.

CUSTO DE VIDA

Indo ali comprar um pãozinho na padaria...

Indo ali comprar um pãozinho na padaria…

Talvez até mais importante do que o custo das passagens aéreas, é o custo de vida nos países a serem visitados, que precisa ser analisado cautelosamente. Atualmente existem vários sites como o incrível Numbeo, que além de informar também permite comparar o custo de vida de diversos países, inclusive segmentando por cidades. Curioso para saber quanto custa uma lata de Coca ou um quarto de hostel na Cochinchina? É só pesquisar nesse site.

Outras ferramentas também são úteis ao informar o preço atualizado das coisas e o orçamento diário mínimo correspondente a cada país, como o Travelfish (excelente para o sudeste asiático!), ou os fóruns do Trip Advisor e Lonely Planet, que também servem para tirar todo tipo de dúvidas dos viajantes. Há também um bom conteúdo em português no fórum Mochileiros e em blogs espalhados por toda a internet, basta usar o Google.

Não é necessário ter um mestrado em Economia, mas é bom ter alguma noção de câmbio e conversão de valores – até mesmo para evitar cair em golpes. Em alguns países a moeda é tão desvalorizada que notas com vários zeros são bem comuns, chegando à casa dos milhões, mas que convertidos em dólar (ou real) valem bem pouco. Deste modo, pequenas confusões podem ser feitas e você pode acabar pagando U$10 no que custava apenas U$1.

Saber as cotações atuais e andar com uma pequena calculadora no bolso não faz mal a ninguém.

HOSPEDAGEM

Os famosos hóteis-cápsulas do Japão!

Os famosos hotéis-cápsulas do Japão!

Hospedagem é um assunto sério em uma viagem longa como essas. Quem não gosta de ficar em frente à praia, aproveitar a piscina do hotel, serviço de quarto e outras facilidades? Pois é, com um orçamento limitado, é bom riscar completamente luxos como esses.

Na verdade tudo varia de acordo com o tópico anterior, o “Custo de Vida”. Em alguns lugares do Sudeste Asiático um alojamento confortável de frente para o mar pode sair por menos de U$10 a noite para um casal. Enquanto na Europa, com esse valor você mal paga um beliche de hostel, em um quarto compartilhado com mais de 20 pessoas e sem café-da-manhã .

Tudo é uma questão de adaptação. E contanto que não tenhamos que dormir na rua, tudo bem! Nessa jornada, pernoitaremos nos mais diversos tipos de acomodações ao redor do mundo: nos bungalows e guesthouses da Ásia, nas tendas beduínas do Oriente Médio, nos quartos de albergues da juventude europeus, os hostals e pensões da América do Sul, etc. E como nosso propósito é conhecermos a fundo os lugares que vamos, nada melhor do que estarmos abertos à hospitalidade de quem quiser nos oferecer um sofá pelo Couchsurfing, já que esta é uma maneira não só de economizar mas também de imergir na cultura local.

Também evitaremos viajar por trajetos relativamente curtos de avião e daremos preferência aos translados noturnos em outros meios de transporte: Muitos trens, barcos e ônibus já são adaptados para o conforto dos viajantes que desejam pernoitar durante o trajeto, o que poupa tempo e dinheiro.

Por fim, carregaremos conosco uma barraca de camping e sacos de dormir. Nunca se sabe quando poderemos precisar.

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Comida é um assunto sério quando planejamos essa viagem, e não foi só por conta dos ingredientes exóticos e temperos apimentados que encontraremos pelo caminho.

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Hmmm… Deu até água na boca, hein?

Estarmos bem nutridos e hidratados durante toda a jornada é uma preocupação que deve ser proporcional ao controle de gastos. Por isso, a atenção nesse item é primordial.

Daremos sorte no início, já que no Sudeste Asiático a comida tem fama de ser boa e barata. Mas pra isso, teremos que esquecer completamente o arroz com feijão e bife e passar a experimentar os noodles, satay nasi goreng, com porções de frango e frutos-do-mar, abundantes por lá – ao contrário da carne bovina.

As comidas de rua e das feiras da Ásia são uma atração à parte, igualmente baratas e nutritivas, feita por e para os locais, então certamente vamos nos fartar com elas. Não custa lembrar: a maioria dos pratos típicos nesses locais são vendidos na faixa dos U$1-2, e há o consenso de que é muito mais barato comer na rua do que em casa.

Em alguns outros lugares, porém, a comida de rua fica mais cara. Até mesmo em algumas regiões mais prósperas da Ásia, como em Hong Kong e Singapura, as barraquinhas dão lugar aos restaurantes, que cobram bem mais caro. Por isso, teremos que eventualmente apelar para o fast food, onde redes como o 7-Eleven e o próprio McDonald’s vendem seus combos em torno de U$3-5.

Como todos sabemos, esse tipo de comida não é exatamente “saudável” – e vai ficando mais cara cada vez que seguimos rumo à Europa, onde um simples cachorro quente em Amsterdam pode custar até €7! Aí então, é hora de fazermos o trivial: Ir ao supermercado. Até mesmo na Inglaterra, onde os preços são em libras e valem quase quatro vezes mais que o real, é possível encontrar redes varejistas onde o preço de determinados alimentos (frescos ou congelados) são mais baratos do que no Brasil (!).

As cozinhas dos hostels estão aí pra isso mesmo. E, just in case, estaremos sempre munidos de um fogareiro de camping a gás portátil. Afinal, Miojo tem no mundo todo, nos mais diversos sabores. Fome a gente não passa!

Mais uma vez, é tudo uma questão de se adaptar.

TRANSPORTE

Transporte

Estamos ali, entre o cara com um bode e o anão vestido de palhaço.

Por “transporte”, entenda-se todos os meios diferentes de translado que não sejam aéreos, já que estes tem um orçamento à parte.

Junto com a alimentação, essa vai ser uma das grande aventuras dessa viagem. Viajaremos de ônibus, van, trem, bonde, metrô, barco, moto, mas também de ferry boat, tuk tuk, songthaew e bemo – um verdadeiro safári de meios de transporte!

Sempre que possível, daremos preferência a andar a pé. Quando for possível, adoraremos alugar uma bicicleta e nos perdermos no caminho, mas só de passeio! Tentaremos ao máximo usar os mesmos transportes dos locais e não teremos medo em enfrentar algumas trajetos longos e desconfortáveis. Evitaremos AO MÁXIMO utilizar táxi, pois infelizmente esse é o meio mais fácil de cair em um golpe, seja no Brasil ou em qualquer lugar do mundo – e que me desculpem os taxistas honestos.

Estamos ansiosos para pegar os transportes adaptados para viagens noturnas com conforto e segurança, como o trem com quartos de primeira classe (!) que leva de Singapura à Kuala Lumpur, ou os ônibus com cama (!!) do Vietnã. Serão um excelente meio de economizar, já que nos locomovendo de noite economizaremos na estadia.

Após organizarmos todos esses pontos, era hora de arranja uma ferramenta versátil para listar todos os gastos e ter um controle. Recomendamos a excelente planilha do A Little Adrift, que caiu como uma luva e atendeu bem às nossas necessidades. É toda segmentada por países e campos como Transporte, Vistos, Vacinas, Hospedagem, etc. Também conta com fórmulas de conversão de moedas que facilitam bastante o trabalho, dando a média de gastos por países, mês, dia… Recomendadíssimo.

Aliás, mais uma dica: Se for fazer uma viagem de longo prazo utilizando moeda estrangeira, não fique esquentando a cabeça convertendo tudo pra real. Sabe aquela máxima de “Quem converte, não se diverte”? Então. Assuma todos os seus gastos através de um orçamento em dólar. E tenha sempre as cotações atualizadas da moeda utilizada no(s) país(es) que você está visitando atreladas às verdinhas americanas. Evite complicações.

Por fim, assumimos aqui o compromisso de divulgar, a cada final de um destino, o orçamento detalhado de todos os dias que passamos no lugar, aos moldes da planilha: Separados por transporte, alimentação, estadia, etc. Esperamos assim ajudar a quem deseja viajar também!

Outros gastos também são importantíssimos, principalmente no que se refere a bagagem e à saúde, que merecem até tópicos separados!

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5 respostas em “Financeiro

  1. De forma inteligente, envolvente e com um toque certo de humor, meu cunhado mais uma vez surpreende mostrando seus dotes literários com um texto cheio de riquezas de detalhes e curiosidades, divertido e nem um pouco cansativo e que tem tudo para se tornar uma ótima fonte de pesquisa para mochileiros, aventureiros, viajantes e “loucos”.

  2. Também achei ótimo e nada cansativo. Li tudinho! Na verdade, acho que li o blog inteiro só na manhã de hoje. Quero dicas da Europa , em especial Itália, França e Inglaterra!!!

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