Em Busca de uma Malásia mais Light

41 ao 43º Dia – Kuala Lumpur, 9 a 11 de Março de 2014.

A Malásia não foi um país que nos apaixonamos à primeira vista. Nem à segunda. Desde a chegada por terra de Singapura até a ida à Kuala Lumpur, ainda estávamos muito aborrecidos com todas as semelhanças que esse país do Sudeste Asiático tem com o Brasil – lugar que, não custa lembrar, saímos porque já estávamos bem incomodados. Até agora, o incômodo na Malásia era o mesmo.

Mas a situação estava prestes a mudar graças a uma pessoa incrível. Era a Wendy, nossa anfitriã do Couchsurfing que gentilmente nos receberia em sua casa confortável a partir do nosso segundo dia no país – um alívio após termos passado nossa primeira noite em KL num muquifo.

Tão logo chegamos à sua residência, no subúrbio de KL, fomos recebidos como parentes que não se viam há um bom tempo. Fomos super bem tratados, com direito à um jantar delicioso e até legítimas dragon fruits de sobremesa!

Agora que tínhamos uma amiga local, conhecíamos um pouco mais da instigante cultura desse país e, lentamente, fomos percebendo que ele talvez não fosse tão ruim assim. A Malásia ainda tinha muito mais a oferecer do que simplesmente cidades caóticas com buzinas e poluição.

Fomos comprovar isso no outro dia, quando pegamos o trem metropolitano para visitar o famoso templo hindu de Batu Caves, que como o próprio nome diz, fica dentro de uma caverna!

Em um país de maioria muçulmana é assim: nada de “comportamento indecente”.

O templo, encravado entre as montanhas, fica em um belo complexo com outros santuários menores e algumas atrações pagas. Felizmente, por ser o templo hindu mais visitado da Malásia, a Batu Caves é gratuita.

As dimensões do lugar impressionam. Não só pelos quase 50 metros de altura do pomposo deus hindu Murugan, mas também pelos 272 degraus necessários para se chegar até o topo, basicamente onde o templo começa.

Como é comum em quase todos os templos do Sudeste Asiático, macaquinhos rondam o local, acostumados a presença dos humanos e sempre espertos o bastante para cometer pequenos furtos.

A entrada do santuário é através de uma imensa fenda aberta entre as rochas, coisa linda de se ver:

Lá dentro, impossível não lembrar-me do santuário de Bom Jesus da Lapa, no sertão baiano, onde passei parte da minha infância. Ambos os lugares guardam certas semelhanças entre si, seja na arquitetura, formato da natureza e capacidade de atrair peregrinos. O que me leva mais uma vez a pensar que a Malásia e o Brasil são realmente parecidíssimos…

Só que ao contrário dos santos católicos, em Batu Caves são os deuses hindus que pululam pelas rochas, atraindo oferendas e rezas dos fieis que vão até lá prestar sua adoração.

As formações rochosas são indiscutivelmente bonitas, e além da caverna principal, também existem outras por perto bem menos iluminadas e mais “naturais”, onde os corajosos fazem expedições em seu interior a fim de observar animais como morcegos, cobras e escorpiões… Preferimos ficar com os macacos do lado de fora, mesmo.

Em baixo novamente, vamos contemplando o ambiente e vendo a diversidade de pessoas e culturas ali presentes – um resumo de como é a Malásia.

Três diferentes grupos se destacam na multidão: os indianos, os chineses e o malaios de origem muçulmana. Apesar da coexistência de todos, a separação social é bem perceptível.

De volta ao lar de nossa anfitriã, resolvemos preparar um prato típico. Wendy já havia viajado ao Brasil – a trabalho, como a maioria dos estrangeiros que conhecemos – e havia ficado traumatizada com a comida repetitiva. (“Eu não aguentava mais arroz e feijão todo dia!“). Carol então usa seus dotes culinários e cozinha um delicioso cação ao leite de coco, que surpreende as papilas degustativas de nossa amiga. Aprovado!

No outro dia resolvemos dar mais uma chance ao centro de Kuala Lumpur. Pegamos o trem na estação próxima à casa de Wendy e lá fomos nós…

Passeamos novamente por Chinatown, nossa antiga “casa”, e aproveitamos para conhecer um bonito parque por perto.

Como sempre a arquitetura islâmica chama bastante a atenção. Ainda no parque, acabamos descobrindo que a Malásia também tem o seu próprio Stonehenge

No lugar também havia um jardim de borboletas, museus e até um observatório, mas infelizmente não tivemos a oportunidade de conhecê-los.

Nosso último dia em Kuala Lumpur foi marcado pelo cansaço físico e mental que essa cidade nos deu. Resolvemos nem sair do bairro de nossa amiga, e ficamos apenas andando pelas ruas próximas mesmo, comendo no Mc Donald’s halal, tomando sorvete de durian e conversando com as crianças da vizinhança – que a julgar pelo inglês perfeito, só posso tecer elogios à educação malaia, que parece estar no caminho certo.

Mas ainda há muita estrada… tanto pra Malásia quanto pra gente. Com um aperto gigante no coração nos despedimos da nossa amiga, que até nos deu uma carona para a estação de trem. De lá sairíamos para Kuala Perlis, no extremo norte da Malásia. Seria mais uma longa viagem noturna pelos trilhos do país, onde seguiríamos depois rumo à Langkawi, uma ilha que diziam ser “linda”, “paradisíaca”, e tudo o mais… Mas isso é Malásia, né? Tinha que ter alguma surpresa no meio. E teve.

Próxima parada: ilha de Langkawi!

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