Gili Islands – O Paraíso fica na Indonésia

24º ao 32º Dia – Gili Islands, 20 a 28 de Fevereiro de 2014, Indonésia.

Saímos de Bali e enfrentamos uma dura jornada pelo ferry público noturno que nos levaria até a ilha de Lombok. São 5 horas navegando pelo mar, dormindo no chão mesmo, mas é o jeito como os locais viajam e resolvemos encarar. A outra opção seria gastar 4 vezes mais por um transfer em um barco mais rápido e turístico, mas isso estava totalmente fora de cogitação.

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Nossa embarcação vem lotada, não só de gente, mas também de motos, carros e até caminhões de carga. Em um país-arquipélago com mais de 17.000 ilhas, a logística de transporte é bem complicada. Não é à toa que o slogan da companhia de ferry é “We Bridge The Nation” (algo como “Nós Somos a Ponte da Nação”, em tradução livre).

Enfim, chegamos pela manhã. Acabou a paz e a tranquilidade balinesa, pelo menos por enquanto. Em Lombok, ilha majoritariamente muçulmana, vamos percebendo um estilo de vida completamente novo. No lugar de templos, mesquitas. Em vez de joias e brincos, véus. As características e os costumes das pessoas são diferentes. Parece até outro país.

Na saída do porto, na cidade de Lembar, logo somos abordados por dezenas de taxistas e carregadores de malas, com uma abordagem bem agressiva. Saudades dos mansos hindus de Bali. Negociando, conseguimos fechar com Nasir, um muçulmano engraçado que ouvia Bob Marley e Michael Jackson no volume máximo nas primeiras horas da manhã. Em seu gigante carro Toyota, o pai de 4 filhos ia nos entretendo com sua música e bom papo pelo longo caminho. Íamos em direção a cidade de Bangsal, onde pegaríamos nosso último meio de transporte do dia, um barco para a ilha de Gili Trawangan. Sem muita noção de distância, oferecemos 150.000 rúpias (R$30) pela corrida, um valor justo de acordo com os guias que lemos. Só não sabíamos que essa seria uma viagem de mais de 2 horas de duração, em uma estrada cheia de altos e baixos e repleta de macacos pelo caminho!

A vida é meio injusta. O valor era ridiculamente baixo pelo serviço prestado, mas, por outro lado, era um preço bem maior do que o cobrado aos locais pelo mesmo trajeto. Não quis bancar o turista deslumbrado e dar-lhe uma gorjeta. Me arrependo. Mas pelo menos ele não estava saindo no prejuízo.


Nosso barco demorou a sair, já que é necessário ter uma lotação mínima. É assim que funciona o transporte público da Indonésia – quando existe. Mas paciência, seríamos em breve compensados por todo o esforço.

A curta travessia já nos mostrava que estávamos indo para um destino encantador. Mágico. Dar de cara com a combinação de mar mais translúcido com a areia mais branquinha que já vimos foi de emocionar. Era Gili Trawangan, a primeira das três ilhas a se apresentar.

Nos hospedamos no simpático Gili Life Homestay, hospedagem gerida por uma família muçulmana tradicional, mas nem tanto. Iríamos ficar por lá 8 dias e tentei negociar diretamente com o proprietário – irredutível. Venci pelo cansaço e consegui desconto, enfim tínhamos um quarto confortável com café-da-manhã por U$11. Mas com uma condição: “Não conta pra ninguém que você está pagando mais barato”, disse o homem, com direito a piscadinha e sinal de shhhh com o dedo. Que Alá nos perdoe…

Mochilas guardada, banhos tomados. Pra que esperar? Era hora de conhecer as tão sonhadas praias!

Ok, não sem antes de um delicioso nasi goreng com suco de Dragon Fruit…

E depois sim, praia!

Que lugar incrível! Cada parte da ilha parecia ser um pedacinho do paraíso. Paisagens perfeitas, de tirar o fôlego.

Ainda em nosso primeiro dia na ilha, fomos presenteados com um dos mais lindos por-do-sol que já vimos. O céu da Indonésia é incrível, com uma cor de fogo indescritível. É de cair o queixo.

Tudo é muito harmônico em Gili Trawangan, até as cadeiras dos resorts combinam com a paisagem, sem necessariamente criar um ambiente separado para hóspedes.

Existe todo tipo de hospedagem na ilha, dos hotéis mais caros aos quartinhos mais humildes (nosso caso). No entanto, o lugar é tão lindo e tudo tão simples que não importa onde você esteja, o clima de vilarejo de pescadores prevalece. As ruas são de barro, não há carros ou motos. Apenas bicicletas e charretes puxadas por cavalos exageradamente decorados com brilhos e penduricalhos. Tudo na mais perfeita tranquilidade.

Cada dia parece ser melhor que outro. Pequena como é, é possível dar a volta inteira na ilha em menos de 2 horas. Aos poucos, vamos descobrindo lugares mais preservados, e por isso mesmo, mais bonitos. Sem muita coisa pra fazer a não ser curtir a ilha, vamos nos deliciando com o sol e o mar…

Pouco a pouco vamos nos habituando ao ritmo leve da ilha. A mesquita, bem próxima à praia, emite no alto-falante o som das orações. A maioria da população é muçulmana, e muitos interrompem seus negócios para fazer suas preces. Para contrastar com tamanha devoção, algumas turistas continuam calmamente a praticar topless.

Em um belo dia – e “belo” aqui não é força de expressão -, tivemos até a sorte de presenciar a formação de uma imponente tromba d’água sobre o mar. Sem forças, logo dissipou-se – para alívio de algumas banhistas que já estavam colocando a parte de cima do biquíni para ir embora…

Apesar de ser uma ilha que vive do turismo, os preços praticados são em geral bem baixos, como é de praxe em toda a Indonésia. Restaurantes para todos os tipos de gastronomia existem aos montes, disputando clientes com promoções e descontos.

E como não poderia deixar de ser, as feirinhas noturnas de comida local sempre marcam presença – afinal, isso é Ásia! Espetinhos, noodles, arroz frito e todos os pratos mais baratos que se possa imaginar encontram-se por lá.

Gostamos bastante da comida local da Indonésia, mas o custo de vida do país é tão baixo que nem mesmo as comidas ocidentais custam caro. Buscando uma boa opção para jantar, acabamos esbarrando com a pizzaria J. Marlin, que oferecia qualquer sabor de pizza por apenas 30.000 rúpias (+-U$2,50). Como se não bastasse as pizzas serem deliciosas, ainda tínhamos direito a nos servir de sopa, saladas e até frutas no balcão, estilo buffet. Desnecessário dizer que passamos uma semana jantando pizza!

Aproveitamos alguns dias para também conhecer as ilhas vizinhas, Gili Meno e Gili Air.

Já estávamos apaixonados pela beleza de Gili Trawangan, mas Gili Meno conseguiu ser ainda mais bonita! Como é possível, não sabemos. Mas o lugar parece ser ainda mais preservado e paradisíaco.

Passamos o dia inteiro por lá, e deu até tristeza na hora de ir embora. Quem quer abandonar um lugar como esse?

Além da natureza estonteante, também há pelo local alguns restaurantes simpáticos e baratos, além de algumas poucas construções típicas inspiradoras:

No outro dia, demos um pulo em Gili Air (lê-se “A-ir”, como em Airton). Gili significa “ilha” em bahasa indonésio, e Air, “água”. Essa verdadeira ilha de água também não decepciona, apesar de não ser tão deslumbrante quanto suas irmãs.

Voltamos para Trawangan, a fim de aproveitar nosso último dia na ilha. Esse também seria um dos últimos dias da Indonésia antes de partir para Singapura. A saudade já começava a bater antes mesmo de irmos embora…

O dia amanhece ligeiramente nublado, o que pode não ser bom para aproveitar a praia, mas certamente nos leva a um momento reflexivo – algo tão comum em uma viagem como essa.

Após darmos a volta na ilha, era a vez de cruzá-la por dentro. Fomos conhecendo então os locais mais afastados e mais humildes, onde vivem os locais. Apesar da pobreza quase sempre presente, o povo indonésio transparece uma dignidade tão pura que faz com que qualquer falta de recursos aparente torne-se um mero detalhe.

Infelizmente não se pode dizer o mesmo do que encontramos no meio da ilha… uma espécie de lixão, onde vão parar todos os resíduos do turismo sem controle.

A imagem da montanha de lixo pegando fogo com animais ao redor se alimentando dos restos não é a das mais agradáveis, principalmente se formos considerar os arredores tão lindos da ilha. Esse é o tipo de lugar que quase ninguém busca conhecer, mas estamos viajando para enxergar a realidade, e ela aparece nua e crua à nossa frente.

Mas a realidade também se apresenta alguns passos mais adiante, quando finalmente chegamos à outra praia. Alguns trabalhadores levam seus cavalos para tomarem um banho de mar (!).

“É mais fácil apedrejar pôneis em Bali…”

Do outro lado, uma barraca vende os cocos mais deliciosos que já provamos, gelados e com direito a uma suculenta polpa por menos de U$1. Crianças brincam por ali felizes, dançando e se divertindo livremente. Não é difícil entender a razão da felicidade delas, afinal, apesar de tudo, elas vivem no paraíso.

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