Especial Ilhas da Tailândia: Koh Tao e Koh Nang Yuan

Você sabe que um país é bonito quando a autoridade máxima – o Rei – tem uma de suas fotos oficiais portando uma… câmera! Vá se acostumando, a Tailândia é linda demais!

E Koh Tao não é diferente.

Essa ilhota no Golfo da Tailândia é simplesmente a capital mundial do mergulho. A cor do mar é ideal, os preços dos cursos de mergulho são baratos, e cada vez mais gente é atraída a esse belo lugar.

Optamos por não mergulhar a sério, então ficamos só nos pulinhos na água mesmo, que com essa paisagem, já era mais que o suficiente pra nós.

Chegamos lá vindos de Koh Pha Ngan, numa rápida viagem de barco a 300 baht (~U$9) por pessoa. Mais uma vez não reservamos hotel e deixamos pra escolher lá na hora. A primeira vista a oferta de quartos baratos era pequena, mas por fim encontramos um bom lugar também a 300 baht. Infelizmente não lembro o nome do estabelecimento, o que podemos dizer é: mesmo se o lugar se chamar “resort”, não se intimide e pergunte o preço, pois geralmente também têm a disposição quartos com banheiro compartilhado, e por isso, bem mais em conta.

E lá vamos nós passear pela ilha…

Apesar de ser um destino famoso por mergulho, a praia principal de Koh Tao decepciona um pouco. Na paisagem, um coqueiro torto que quase não acreditamos quando vimos. Iríamos morrer achando que o coqueiro da Praia de Aventureio era o único torto do mundo…

Ainda sobre Koh Tao… o por-do-sol é encantador:

O povo tailandês tem uma verdadeira adoração por seu rei, e conforme vamos “subindo” pelo país, vamos notando a devoção. Em Koh Tao os símbolos são bem presentes.

Como só tínhamos mais um dia na ilha, na manhã seguinte deixamos Koh Tao para trás e fomos fazer um rápido passeio de barco até a ilha vizinha, Koh Nang Yuan. É só chegar na praia que existem vários barqueiros oferecendo o transfer. Só é possível reservar a ida e a volta, nada de ir lá e sair quando quiser: tem que marcar hora. Isso porque Koh Nang Yuan é praticamente uma praia privativa, que pertence a um resort com rígidas regras de entrada. O jeito é pagar o barqueiro e confiar que ele vá voltar na hora combinada. Como sempre, na Tailândia é tudo na base da confiança. E nunca ninguém decepciona.

Koh Nnang Yuan é realmente bem próxima de Koh Tao, em poucos minutos chegamos.

Logo na entrada há uma bilheteria, e cobram uma taxinha chata de 100 baht (~U$3) por pessoa, mas que compensa pela conservação da área. Acredite, você está prestes a entrar em uma das praiais mais bonitas do mundo…

É difícil acreditar o quanto um pequena distância entre uma ilha e outra pode influenciar tanto assim. Saímos da “sem graça” Koh Tao para a quase perfeita Konh Nang Yuan!

E vamos ver peixinhos…

Nessa brincadeira, nem nossa câmera resistiu a um mergulho. A bolsa à prova d’água rompeu e fez com que a água afogasse nossa máquina de vez…

O jeito foi tentar – inutilmente – capturar a beleza da ilha com o celular. Mas duvido que até a mais potente das câmeras fotográficas conseguiria…

Um morrinho nas proximidades permite, através de uma trilha, alcançar uma boa altura perfeita para fotos panorâmicas da ilha. A beleza vista lá de cima, com a faixa de areia bem delineada em contraste com todos os tons de verde-azul do mar é algo de tirar o fôlego.

A despedida é mais do que melancólica – tanto da ilha quanto da recém-quebrada câmera. Koh Tao e Koh Nang Yuan também marcam o fim da fase de “ilhas” na viagem pela Tailândia.

Agora seguiremos de volta para o continente, onde enfim conheceremos Bangkok, a capital desse belo país!

Anúncios

Especial Ilhas da Tailândia: Koh Samui

Chegamos a um momento importante da nossa viagem entre as ilhas da Tailândia: Saímos do lado Oeste do país, banhado pelo Mar de Andaman, rumo ao lado Leste, banhado pelo Golfo da Tailândia.

Para isso, cruzamos o país na horizontal em sua pequena porção ao sul. Saindo de Koh Phi Phi rumo à Koh Samui, a brincadeira nos custou 600 baht (~U$20) por pessoa, e é uma daquelas típicas viagens que trocamos de vários meios de transporte (barco, van, ônibus, songthaew, outro barco…), confiando nas pessoas que vão nos levando pra lá e pra cá de acordo com a cor do adesivo que temos colados com a gente, distribuídos pela agência de viagem.

Como sempre, vamos com medo acreditando que algo vai dar errado, que seremos extorquidos, roubados, que vão nos enganar ou não cumprir com o prometido. E como sempre, tudo dá certo no final, nos deixam do lugar combinado, sãos e salvos. É difícil confiar no método tailandês de transfer turístico, mas o danado sempre funciona. Sempre.

Saímos do porto e fomos direto para a praia de Chaweng, a praia principal de Koh Samui. E demos a sorte de chegar bem no dia da feirinha noturna, que tinha de tudo, até churrasquinho de crocodilo! Isso que é boas-vindas!

Koh Samui não é exatamente o lugar mais barato da Tailândia, longe disso. A ilha tem uma tradição com os resorts, que tomam boa parte de seu território. É um lugar que atrai um público mais maduro, então é natural que os preços sejam bem mais elevados. Por sorte encontramos o Embassy Lakeview, uma guesthouse localizada relativamente próxima da praia (e em frente à um laguinho bem sem-vergonha). O dono é o Luigi, um italiano bon vivant que não faz muita questão de estar presente para atender os hóspedes (!), mas ao menos faz um preço camarada: 415 baht (~U$13) reservando pela internet, e depois uns 350 baht (~U$11) negociando pessoalmente. O ventilador do quarto não dá vazão ao clima super quente, mas a gente encara mesmo assim.

O dia começa bem ensolarado, perfeito para explorar a praia de Chaweng.

A praia é bem bonitinha e surpreendentemente reservada. Ótima para descansar dos dias agitados na super povoada Koh Phi Phi.

Pausa para o fried ricefried noodle de cada dia:

Algo que nos surpreendeu desde o momento da chegada é que Koh Samui é bem grande para os padrões das ilhas da Tailândia. As distâncias são grandes e usar moto para se locomover por aqui é uma necessidade.

Alugamos a nossa por 150 baht (~U$5) e vamos explorar um pouco mais das praias mais afastadas. Buscávamos pela praia de Lamai, talvez a segunda praia mais famosa da ilha depois de Chaweng. Acabamos nos enveredando por um beco e chegamos à uma simpática e pequena praia.

De tão rasa, era impossível mergulhar, mas era o cenário perfeito que precisávamos para tirar um cochilo. Não é todo dia que se encontra uma praia tailandesa deserta e com sombra!

Um pouco mais a frente chegamos, enfim, a Lamai. Pareceu-nos bem menos desenvolvida que Chaweng, pra quem busca mais tranquilidade ainda. E a qualidade da praia em si também era melhor, mais funda e com uma quantidade normal de ondas, do jeito que gostamos.

Koh Samui é repleta de resorts, alguns até bem acessíveis, para a alegria de russos e chineses que invadem a ilha em busca de luxo a um excelente custo-benefício. O lado ruim é que essa quatidade exagerada de resorts às vezes esconde verdadeiras preciosidades.

Ainda de moto, tomamos coragem de estacioná-la perto de um resort e entramos em busca do acesso à praia. Foi a melhor decisão que tomamos!

Não fazemos ideia de qual é o nome da praia (e nem do resort!), mas garantimos que é uma das praias mais perfeitas que estivemos. Nem tão quente nem tão fria, super transparente, areia macia, profundidade média, ondas na medida certa… Era a “praia nas condições ideias de temperatura e pressão”!

Até hoje não nos perdoamos por não ter procurado saber o nome daquela praia, ou ao menos ter anotado o nome do resort.

Pegamos a motoca novamente e fomos de volta pra “casa”, curtir um pouco mais da outra praia – bem mais cheia. À noite, uma saidinha pelas ruas revela uma Koh Samui com muito mais a oferecer do que só praias: existem por lá excelentes ateliês e lojas onde artistas fazem verdadeiras obras de arte com uma qualidade incrível a preços módicos. Vale a pena conferir. Como é comum em toda a Tailândia, também há estabelecimentos vendendo roupas de praia bem bonitas e baratas também.

Não esperávamos absolutamente nada de Koh Samui – na verdade, nossa parada por lá era “apenas” para poder seguir mais facilmente de barco para as outras ilhas seguintes. E talvez justamente por isso nossas impressões foram as melhores possíveis.

Quem diríamos, acabamos nos apaixonando mesmo por aquela ilha turistona cheia de resorts. Dá até pra planejar se hospedar em um deles daqui a uns 20 ou 30 anos 🙂

Especial Ilhas da Tailândia: Bamboo Island

Bamboo Island definitivamente entrou para nossa listinha seleta de “Melhores Praias do Mundo”, apesar do pouquíssimo tempo que tivemos para desfrutá-la.

Fechamos um passeio saindo de Koh Phi Phi pra lá por 500 baht (~U$15), mais uma taxinha de conservação de 100 baht (~U$3). Infelizmente saímos por volta do meio-dia, e como o caminho é longo até lá, a melhor opção mesmo era ter saído mais cedo.

É a milionésima vez que falamos isso, mas não cansamos: A Tailândia é um país MUITO BONITO, mesmo. Pelo caminho, o azul do mar e as ilhotas vão preenchendo a paisagem com uma beleza sem igual.

Algumas horinhas depois, enfim chegamos! Forneceram um caiaque pra gente, que é a melhor e mais divertida maneira de alcançar a faixa de areia. Mas a água é tão bonita que é impossível resistir a um mergulho no meio do trajeto.

Bamboo Island tem uma beleza daquelas indescritíveis, que beiram o inacreditável. Como pode um só lugar reunir tanta coisa bela por tão pouco metro quadrado?

A Tailândia é repleta de ilhas paradisíacas, mas Bamboo tem algo especial, não sabemos o quê. Talvez a proibição de passar a noite por lá deixe-a mais conservada, sem infraestrutura turística nenhuma a não ser os barcos chegando.

O tempo vai passando correndo e ficamos cada vez mais aborrecidos com o tempo que nos liberaram para explorar a ilha antes de voltar pro barco. Uma hora e meia não é nada para esse lugar! O jeito é curtir correndo, dando mergulhos e tirando fotos sem parar!

O relógio é implacável, e nossa admiração por aquele paraíso é tão grande quanto nossa frustração em ter que deixá-lo tão rapidamente.

Para nosso desespero, o barco começa a apitar e temos que deixar a ilha. O passeio não acaba por aí e ainda nos leva para mergulhar numa improvável área “infestada por tubarões filhotes”, como enfatiza o guia. Que nada!

Apesar do receio inicial, nós e mais um bando de bobões mergulhamos em busca dos tais bichos. Até recomendações de como agir em caso de ataque nos são passadas, mas evidentemente que não precisamos usar. O único perigo por aqui são as intermináveis beliscadas de peixe. Aliás, um dos mergulhadores foi “vítima” dos peixinhos e acaba dando um grito desproporcional à dor, para temor geral de quem já esperava pelo pior… Foi uma cena engraçada!

Deixamos os peixes pra lá e fomos encerrar o dia com um magnífico por-do-sol, desses que só a Tailândia é capaz de nos oferecer.

Nada, porém, é capaz de superar a vivacidade daquela ilha que nos apaixonamos à primeira vista. Se você for a Tailândia, não deixe de visitar Bamboo Island. E pro favor, não cometa nosso erro: vá com calma, pela manhã, se possível alugue um barco privativo e fique o dia todo… você não vai se arrepender.

Uma Noite em Maya Bay

Você com certeza conhece esse lugar. Maya Bay ficou famosa por ser o cenário do filme A Praia, com Leonardo DiCaprio, e também é um dos planos de fundo mais clichê usados nos computadores de escritório: o mar translúcido entre as montanhas, a areia branquinha, o climão de ilha deserta… É tudo aquilo e mais um pouco!

Existem centenas de passeios (geralmente saindo de Koh Phi Phi) que levam à Maya Bay, mas os horários são limitados e os mais turistões possíveis, onde a praia deixa de ser um paraíso para se tornar um formigueiro de gente disputando o ângulo da foto perfeita. Ter “exclusividade”? Difícil…

Antigamente havia a opção de passar a noite acampado na ilha – que beleza! Mas o governo tailandês, que não é bobo, começou a perceber que a atividade não era tão lucrativa assim, e ainda poluia a ilha com o rastro de sujeira que os campistas deixavam para trás. Moral da história? Proibiram o camping, transformaram a área em um Parque Nacional, limitaram a visita e ainda passaram a cobrar uma taxa de entrada.

Por um bom tempo a ilha ficou sem ser visitada à noite… Até que alguém teve uma ideia genial: organizar um passeio de barco que não só pegasse o por-do-sol na praia, como também fosse noite adentro fazendo um churrasquinho, permitindo que os visitantes curtissem a ilha só para si e depois ainda fossem dormir na embarcação ancorada a poucos metros da areia.

Tudo é organizado pela agência Maya Bay Sleep Aboard, a partir de 3000 baht, um pouco salgado mas ainda assim bem acessível pelo que se propõe.

tour começa ainda de tarde, por volta das 15h. É quando nos encontramos com a tripulação e recebemos as instruções, ainda no píer, de como será a jornada. A primeira impressão é boa: conforme prometido, água e frutas estão liberadas. Iremos fazendo algumas paradas ao longo do belo caminho, sempre repleto de rochas imponentes em meio ao mar, antes de chegar em Maya Bay propriamente dita.

A primeira parada é nas Viking Caves, um conjunto de cavernas meio sem graça e fechadas para visitação, mas que conta ao redor com águas cristalinas perfeitas para um mergulho! Felizmente temos snorkels à disposição, inclusos no pacote. É hora de mergulhar e ver alguns peixinhos. Váááários.

A maioria dos passeios de barco na Tailândia envolvem atividades de mergulho e snorkeling. E realmente deve ser uma das coisas mais fáceis de se organizar, porque basta adquirir os equipamentos e jogar o povo na água: os peixes sempre estarão presentes, para a felicidade geral.

Muitas beliscadas de peixe depois, vamos enfim nos aproximando da ilha paradisíaca. Os últimos barcos de outras agências de passeios ainda estão por perto, preparando-se para a partida. E a gente chegando…

E lá está ela: Maya Bay!

O lugar é assustadoramente bonito, e olha que ainda nem havíamos pisado em terra firme!

Assim que chegamos, tratamos de aproveitar os poucos minutos de claridade que ainda nos restavam antes do por-do-sol. Fomos explorar o interior da ilha!

Para quem espera o mesmo cenário do filme, onde havia uma mata intocada sem sinal de civilização e apenas a presença de “aventureiros”, uma leve decepção: o lugar tem claros sinais de exploração turística, banheiros públicos, uma casa (?) e um acampamento militar. Ainda assim, se mantêm suas características rústicas. E, convenhamos, o que interessa mesmo é a praia, que aquela hora já estava bem vazia, só com o pessoal do passeio.

O sol se põe e a noite vem chegando, mas não dá pra resistir a (mais) um mergulho…

Enfim a inevitável escuridão da noite chega. E com ela, a luz fraca das lanternas e do fogo! Nada como um delicioso churrasquinho tailandês… Nada muito elaborado: franguinho na brasa, com o onipresente curry e doses generosas de arroz, acompanhados de salada. Um verdadeiro banquete para o lugar em que estamos, tão longe de tudo.

Também estava incluso no pacote os infames baldinhos tailandeses. Para quem não sabe, essa é a maneira mais fácil e barata de se embebedar nas praias do país. Existem 1001 combinações que misturam vodkas, whiskys e água de coco com refrigerantes, energéticos, etc. Há relatos de quem comece tomando os baldes na praia e acabe tomando soro no hospital…

Preferimos não arriscar e avisamos a tia da barraca improvisada que queríamos apenas a combinação de Sprite com Red Bull (deliciosa, por sinal!). Ela nos encarou meio sem graça, perguntou duas, três, quatro vezes: “sem álcool? sem álcool?”, pensando que de uma hora pra outra sua compreensão do inglês estava errada. Por fim fez conforme o combinado, não sem antes tomar uma bronca do único ocidental do staff (e provavelmente chefe), que a repreendeu com um “hei, você tá esquecendo de por o álcool!”. Mais uma vez dissemos que não queríamos, agora pra ele, que custou a entender e ficou no olhando como se fóssemos ETs, haha.

Acabamos aproveitando nossa sobriedade para deixar um pouco o grupo e ir andar pela praia completamente às escuras. Ou quase, porque a lua e as estrelas faziam bem seu papel oferecendo um pouco de iluminação natural, o suficiente para nos encantarmos mais ainda com o local.

A noite em Maya Bay é mágica, não tem muito o que dizer. Um lugar espetacular como esse merece ser apreciado assim: com calma, sem multidões, sem guias, sem nada, a não ser a companhia da pessoa amada e a luz celeste.

Enfim chegou a hora de ir dormir. Fomos para o barco e garantimos um dos melhores lugares – na nossa opinião -, bem na proa. A estrutura é simples, apenas um colchoete com travesseiro e lençol, mas pela exclusividade, vale tudo! Acordar com o dia nascendo num lugar como esse não tem preço.

Maya Bay nas primeiras horas da manhã. Vazia. Linda.

O lugar é o sonho de qualquer fotógrafo!

As feias que nos desculpem, mas beleza é fundamental! 🙂

Foto com o grupo: só a gente na praia mais concorrida do mundo!

E como alegria de pobre dura pouco, vamos chegando ao fim da programação. É hora de dar tchau ao paraíso…

Mas como querer se despedir de um lugar desses??

A partida é dolorosa, mas felizmente a beleza das paisagens ao redor vão nos confortando.

Certamente ainda veremos muitas maravilhas da natureza ao longo dessa viagem, mas Maya Bay sempre será inesquecível pela sua capacidade única de nos arrancar suspiros. Seja a olhando através dos filmes e fotografias, mas principalmente por saber que tivemos a oportunidade de senti-la de uma forma tão especial.

Especial Ilhas da Tailândia: Koh Phi Phi

54º ao 57º dia, 22 a 25 de Março de 2014.

Saímos da tranquilidade da ilha de Koh Lanta para a agitação de Koh Phi Phi. Essa provavelmente é a ilha mais famosa da Tailândia, e é daqui que partem os passeios até Maya Bay, nosso próximo destino dentro de alguns dias.

A ilha é lotada, como se pode imaginar. Para piorar, as ruas são apertadinhas, as acomodações são sempre caras (para os padrões asiáticos) e tudo, absolutamente tudo, é voltado apenas para o turismo.

Cursos de mergulho, bares, casas de show, tudo se mistura por lá. Em determinado momento até chegamos a encontrar uma placa escrita em português: “Aí Galera (sic), se quiser fazer mergulho entrem em contato conosco, tel: XXX-XXXX“. Acho que o Bruno de Lucca se mudou pra Tailândia e ninguém falou nada…

Penamos para encontrar um lugar para ficar que coubesse no nosso orçamento. Por fim, encontramos a Lux Guesthouse. Por U$15 a diária – nosso teto máximo de hospedagem – tínhamos um quartinho bem chinfrim, na subida do “View Point”, um ponto famosos da ilha onde as pessoas sobem para ter uma visão panorâmica. O problema não era nem a escada que dava acesso ao local, mas sim o forte cheiro de esgoto já que ficávamos próximos à estação de tratamento… Mas era a opção mais barata. Ou isso, ou gastávamos mais caro ainda (!) para ficar em quarto compartilhado de hostel.

Acabamos trocando de hospedagem no outro dia, e fomos para a Phi Phi Dream Guesthouse. Mesmo preço, mesma localização, mesmo fedor, mas pelo menos a internet era melhor. “Same same but different“, como os asiáticos adoram dizer.

Os proprietários colaram na parede algumas fotos do lugar antes do tsunami de 2004. A ilha de Koh Phi Phi foi uma das ilhas mais afetadas pelo maremoto que devastou o Sudeste Asiático naquela época. Tudo foi destruído. Levaram algum tempo para se reerguerem, mas hoje toda a infraestrutura da ilha já foi recuperada.

É desolador relembrar essa tragédia. Na manhã do dia 26 de Dezembro de 2004, um tremor de 9,1 na escala Ritcher atingiu o Mar de Andaman, criando ondas fortíssimas – algumas de mais de 30 metros de altura! – que foram engolindo tudo o que encontravam.

Não bastasse a perda material, muita gente também morreu, entre nativos e turistas. Estima-se um número de 200 mil mortos e 50 mil desaparecidos.

Os números impressionam, mas não custa lembrar: 200 mil é o número de mortes violentas no Brasil de quatro em quatro anos, em média. É como se houvesse um tsunami de homicídios no país a cada Copa do Mundo.

A Tailândia e boa parte dos países afetados pelo desastre já se recuperaram. E não é só isso: também investiram em prevenção, adquirindo sofisticados equipamentos capazes de dizer com exatidão a hora certa e a magnitude de uma eventual nova revolta da natureza. Em todas as praias do país que estivemos, é fácil encontrar uma plaquinha com a rota de fuga mais próxima em caso de tsunamis.

200 mil mortos chocam. Esse número enorme fez a Tailândia chorar, mas também aprender. Enquanto o maior inimigo desse país é a força imprevisível da natureza, no Brasil o maior inimigo é a pura incompetência administrativa ao gerir a Educação e a Segurança Pública. O resto da história você já conhece.

Quantos “tsunamis” o Brasil também já não sofreu? Pare e pense. E fica a pergunta: onde é a verdadeira tragédia?

Koh Phi Phi, como é de se imaginar, não é o lugar mais autêntico de todos – e nem o mais bonito. Mas é parada obrigatória para quem quer conhecer um pouco mais da fascinante indústria do turismo tailandês – ok, às vezes nem tão fascinante assim.

Para nossa surpresa, além da infinidade de passeios e cursos de mergulho oferecidos na ilha, há também uma vida noturna bem agitada por lá. Nós, que não iríamos à Full Moon Party, acabamos tendo uma pequena amostra da festa em Koh Phi Phi, onde a música alta nos bares à beira-mar toma conta do ambiente. Alguns artistas fazem suas performances circenses com fogo, o que dá um clima bem diferente àquela festa no meio da areia!

Nos divertimos um pouco, mas não somos tão chegados à festa assim. Saímos cedo, mas pelo barulho que chegava ao nosso quarto, a festa foi até o amanhecer. Alguns turistas parecem exagerarem bastante nas comemorações, pois o cenário da manhã é de gente caída no chão, desamparada, com o olhar perdido ou vomitando – às vezes tudo ao mesmo tempo.

As praias mais conhecidas de Koh Phi são bem rasas e, sinceramente, não são das melhores. Mas as melhores atrações de Koh Phi Phi estão nas ilhas e praias dos arredores.

Por 400 baht (U$12), alugamos um caiaque por 5 horas e fomos remando até a Monkey Beach.

Que lugarzinho lindo! Um óasis em meio à tanta turistada. Como fomos no finzinho da tarde – hora em que a maioria dos passeios fretados já foi embora -, conseguimos pegar a praia bem vazia e bonita.

Como o próprio nome já diz, essa é a praia dos macacos, mesmo! Eles estão por toda a parte, famintos como sempre, fazendo gracinhas e até sequestrando os pertences dos turistas em troca de banana.

O tempo passa devagar nessa praia, e não há muito o que fazer. Pequenina, atravessamos toda sua extensão em poucos minutos. Só quando o sol vai se pondo é que decidimos remar de volta à praia principal. Demos sorte e pegamos um por-do-sol lindo.

Mas lindo, lindo mesmo, era o que o outro dia nos reservava…

Especial Ilhas da Tailândia: Koh Lanta

51º ao 53º Dia – Koh Lanta, 19 a 21 de Março de 2014. 

Dando prosseguimento à nossa exploração das mais belas ilhas da Tailândia, saímos de Ao Nang rumo à Koh Lanta. Para isso, encaramos mais uma vez o confuso, porém funcional, método de transporte das empresas turísticas do país. Etiqueta aqui, sobe no carro ali, atravessamos o mar de ferry com o carro e tudo e vamos indo para o nosso destino…

Apesar de termos saído de tarde, somente à noite chegamos na ilha. E convenhamos, chegar de noite em um lugar desconhecido nunca é bom, mesmo na Tailândia, um país pacífico por natureza e com índices de criminalidade contra o turista quase nulos.

Ainda assim, o receio bateu forte ao descermos da van e percebermos que os arredores de Long Beach, a praia que decidimos ficar, era uma rua deserta em meio ao breu, aparentemente no meio do nada. “E agora?”

Entramos em uma rua esquisita, de terra e completamente escura. A única iluminação por ali era fraca e vinha de um estádio de muay thai, Maravilha! Fomos andando a esmo, e por fim acabamos encontrando um lugar com bangalôs na faixa dos 300 baht (U$9). Era o Yanang Homestay, hospedagem simpática gerida por uma família bem humilde (eles também moravam em um dos bangalôs!), muito simpáticos.

E essa seria a nossa “casa” em Koh Lanta. Apesar do aspecto simples, estávamos a poucos metros da praia e dos restaurantes mais gostosos (e baratos!) da ilha. Contanto que tivéssemos internet e uma mosqueteiro para nos proteger dos insetos, estava tudo ótimo!

Após uma boa noite de sono, fomos conhecer a bela praia a luz do dia. E que praia!

Koh Lanta é de uma tranquilidade só. Uma praia sem muitas ondas, não muito funda, com uma água de temperatura deliciosa e uma areia bem fofa. O que mais precisávamos?

A praia de Long Beach era o lugar perfeito para descansar. Os bares da orla bem que tentam trazer algum agito, mas é inútil: a vocação de Koh Lanta é a de um lugar para comer, ir à praia e dormir.

A variedade de hospedagem é gigante, a começar pelos bangalôs de todos os tipos – com ventilador, ar-condicionado, em frente à praia, no mato, etc. Tem para todos os gostos e bolsos.

O tsunami de 2004 chegou a afetar a ilha, e a maioria das construções à beira-mar são recentes. Resolvemos voltar pelo caminho da noite anterior e enxergar melhor por onde passamos.

Placas apontam para a Clayzy House, um lugar bem barato mas, honestamente, preferimos continuar onde estávamos. Uma simples passagem em frente ao local e vimos um ambiente bem zoneado, cheio de hippies e tudo de ruim que alguns deles trazem consigo. Felizmente a atmosfera de Koh Lanta é bem mais superior que isso.

Os dias são incríveis, pois passam devagar, sem pressa. As festas tentam acontecer, os bares abrem e tocam música ao vivo, mas logo tudo acaba cedo e todos vão dormir. Ou ao menos ficam quietos, contemplando o barulho das ondas, audível do bangalô.

E como se não bastasse, a praia ainda tem um lindo pôr-do-sol.

Sem muita coisa pra fazer, vamos nos deliciando com as comidas fartas e baratas da redondeza. Encontramos o restaurante Mr. Green, um ambiente bem familiar, com pratos a partir dos 50 baht (U$1,50). E por “pratos”, eu me refiro a porções extremamente caprichadas de fried ricepad thai repletos de frutos-do-mar, bem temperadas e ainda com água gratuita. Ô beleza!

Como é de se imaginar, Koh Lanta nos conquistou não só pela praia, mas também pelo estômago. A vontade era de se mudar para a ilha e ficar lá um bom tempo.

(In)felizmente tínhamos que partir para nosso próximo destino, Koh Phi Phi. Ainda pensamos em adiar um pouco a viagem, mas em um capricho da natureza o fenômeno da maré vermelha resolveu aparecer, trazendo algumas algas e uma coloração nada agradável à praia. Era como se a própria ilha estivesse se autossabotando e dissesse: “Ei, pessoal. Eu sou linda, mas Koh Phi Phi é muito mais!”.

Quem somos nós para contrariar a natureza, não é? Por isso, encararíamos mais uma sessão de “transportes tailandeses”, e após um songatoew e um ferry, chegaríamos à incrível ilha de Koh Phi Phi.

Especial Ilhas da Tailândia: Hong Island

50º Dia – Hong Island, 18 de Março de 2014. 

É senso comum dizer que a Tailândia é bonita. A natureza foi generosa por aqui, criando belas paisagens que mesclam lindas praias, montanhas, rios e cachoeiras de fazerem cair o queixo. Por isso, resolvemos começar nosso tour pelo país conhecendo suas ilhas mais famosas:

thaislandPara um roteiro de pouco mais de um mês no país, fomos bem ambiciosos: Visitamos Hong Island, Koh Lanta, Koh Phi Phi (com um pernoite em Maya Bay, a lendária ilha do filme “A Praia”, e uma passadinha em Bamboo Island), Koh Samui, Koh Phangan, Koh Tao e, ufa, Koh Nang Yuan.

E sim, como você já deve ter percebido, “ilha” em tailandês é “Koh”. 😉

Ainda em Ao Nang, nossa base ao chegarmos na Tailândia, fomos atrás do translado para Hong Island. Locomover-se pela Tailândia é ridiculamente fácil, especialmente para lugares turísticos como as ilhas. Existem centenas – talvez até milhares – de agências espalhadas por onde quer que você esteja, vendendo pacotes com passeios, transfers, absolutamente tudo que você precisa para ir de um ponto ao outro, te pegando na porta do hotel, levando ao lugar desejado e ainda trazendo de volta, se for o caso. É até engraçado: você vai ao mercado, à farmácia, e lá tem uma plaquinha escrito: “Temos tickets para o passeio/ilha tal”. Não tem como não se virar.

A maior dificuldade, se é que podemos chamar assim, é saber o valor justo do que se está comprando. É sempre bom pesquisar o preço atual correto na internet e pedir desconto.

Fechamos em uma agência o translado para Hong Island por 1300 baht (~U$40) para os dois, com almoço, frutas e bebidas inclusas, além de equipamentos de snorkel. A viagem se dá por meio de longtails, como são chamados os barcos típicos por aqui.

O passeio começa cedo, com o motorista do songateow indo nos buscar no hotel. O horário marcado era às 08h, mas às 07h55 já ouvíamos o barulho do carro estacionando. Pontuais esses tailandeses. Os procedimentos em todo pacote como esse são os mais bizarros possíveis: colocam uma etiquetinha colorida em você e pedem para não tirar. Acredite, esse pequeno adesivo é uma identificação importante para todos os envolvidos nos trâmites turísticos a partir dali, e o que fará você ser entregue em segurança no píer ao barco correto, que te levará ao passeio que você escolheu e tudo o mais conforme combinado. Difícil de acreditar, mas funciona.

Só iríamos descobrir mais tarde, mas todos os passeios são feitos dessa maneira. Você – o cliente – nunca sabe de nada, e fica a mercê da boa fé de todos os responsáveis em cumprir com o prometido. Nós, brasileiros que somos, sempre ficávamos com o pé atrás a cada novo passeio que fazíamos. “Almoço incluso?”, aham, sei. “Ônibus com ar-condicionado? VIP?”, ok, ok… A cada parada, cada movimento diferente, esperávamos pelo pior. Já estávamos preparados para o golpe, a mutreta, a sacanagem, o anão vestido de palhaço aparecer do nada gritando aha, pegadinha do Mallandro!, mas não, isso nunca aconteceu.

Pode confiar, aqui é a Tailândia.

O passeio mal começa, mas o trajeto já é de impressionar! O que são essas montanhas saindo do mar da Tailândia, meu Deus?? Coisa linda de se ver. Não tem nem como ficar entediado nos pouco mais de 30 minutos até a primeira parada, em Lading Island, não coincidentemente também conhecida como Paradise Island.

Apesar de lotada de barcos, a ilha é muito bonita. Na verdade, até os barcos dão um charme a mais. A parada é rápida, mas o suficiente para fazer snorkel e ainda aproveitar o almoço incluso.

Como descobriríamos em breve, praticamente todo passeio na Tailândia envolve uma ou mais paradas para mergulho. As primeiras vezes são bem legais, mas depois da quinta vez chegamos a cometer a barbaridade de pensar: “Ah, mais peixinhos nessa água super transparente? De novo?”.

E o passeio continua, com aquela paisagem linda de sempre…

Dessa vez vamos nos aproximando por mais uma colossal muralha de pedras sobre o mar. A parede natural é o que fecha um curso d’água, transformando-o na linda Blue Lagoon.

E lá vamos nós novamente, ô caminho chato… 😛

E logo mais a frente, ela aparece, toda imponente: enfim, Hong Island!

O cenário é tão bonito que chega até a ser difícil tirar uma foto ruim. O ambiente é completamente fotogênico.

As ilhas da Tailândia têm um problema… depois que você as visita, automaticamente fica muito mais seletivo para praias. Como um expert, você passa a criticar os tons de verde e azul da água, a granularidade da areia, a temperatura ideal do mar, condições do vento. Um castigo pra quem gosta de praia. É como o alpinista que chega ao Everest e passa a achar o Kilimanjaro meio sem graça.

Como toda ilha tailandesa que se preze, há uma rota de evacuação de Tsunami, criadas após o terrível maremoto que atingiu boa parte das ilhas no Mar de Andaman e fez milhares de vítimas.

Apesar das grandes perdas na época – das quais falaremos mais nos próximos textos -, vale salientar que foram feitos importantes investimentos nas tecnologias de prevenção a esse fenômeno da natureza. O maior perigo das praias da Tailândia deixaram de ser os tsunamis – agora detectados e alertados com boa antecedência -, mas sim a variedade animal que circula pelas areias…

Hong Island foi uma excelente iniciação às ilhas tailandesas. Mas acredite, essa ainda é só a primeira ilha que visitamos no país. Ainda havia muito mais belezas a serem exploradas…